Playboy Irresistível
Epílogo
A aeromoça passou por nós fechando os compartimentos de bagagem acima dos assentos antes de se abaixar e perguntar:
– Suco de laranja ou café?
Arthur pediu café. Eu balancei a cabeça com um sorriso.
Ele bateu em meu joelho e esticou a palma da mão.
– Me dê seu celular.
Eu entreguei, mas reclamei mesmo assim:
– Por que eu preciso disso? Vou dormir durante o voo inteiro.
Nunca mais o deixaria marcar um voo às seis da manhã de Nova York para a Costa Oeste.
Arthur me ignorou, digitando um código no navegador do meu celular.
– Se você não percebeu, eu estou com sono. Alguém me deixou acordada a noite inteira – eu sussurrei, usando seu ombro como travesseiro.
Ele parou o que estava fazendo e me jogou um olhar malicioso.
– Tem certeza de que foi isso que aconteceu?
Senti uma adrenalina descer do meu peito para minha barriga até chegar entre minhas pernas.
– Sim.
– Você não chegou do trabalho, digamos… um pouco excitada demais?
– Não – eu menti.
Sua sobrancelha se ergueu e um sorriso apareceu no canto da boca.
– E você não interrompeu minha preparação do jantar romântico que eu estava planejando?
– Quem, eu? Imagina.
– E não foi você quem me puxou para o sofá e pediu para eu “fazer aquela coisa com a boca”?
Segurei minha mão na frente do peito.
– Eu nunca faria isso.
– Então não foi você quem ignorou o cheiro delicioso vindo da cozinha e me puxou para o quarto e pediu para eu fazer umas coisas muito, muito safadas?
Fechei os olhos quando ele aproximou o rosto e raspou os dentes em meu queixo, murmurando:
– Eu amo tanto você, minha doce e safada Ameixa.
Imagens da noite anterior me fizeram cair novamente naquele lugar faminto e ansioso onde eu praticamente vivia sempre que estava ao lado de Arthur. Lembrei de suas mãos rudes, sua voz dominante dizendo exatamente o que queria. Lembrei-me daquelas mãos agarrando meus cabelos, seu corpo se movendo por cima do meu por horas, sua voz finalmente falhando e implorando por meus dentes, minhas unhas. Lembrei-me de seu peso desabando sobre mim, suado e exausto e adormecendo quase instantaneamente.
– Talvez tenha sido eu – admiti. – Trabalhei o dia inteiro presa na sala esterilizada, então tive tempo o bastante para pensar nessa sua boquinha mágica.
Ele me beijou e então voltou para meu celular, sorrindo ao terminar o que estava fazendo e me entregando de volta.
– Tudo certo.
– Vou dormir mesmo assim.
– Bom, pelo menos se Melanie precisar de você, seu celular estará funcionando.
Olhei para ele, confusa.
– Por que ela precisaria de mim? Não estou ajudando no casamento.
– Você não conhece Melanie? Ela é tipo um temível general que poderia te convocar a qualquer momento – ele disse, segurando a parte de trás do pescoço do jeito que sempre fazia quando estava desconfortável. – Mas, enfim. Durma sossegada.
– Estou com um pressentimento sobre esta viagem – murmurei, recostando em seu ombro. – Quase como uma premonição.
– Quem diria que você é uma vidente? – ele disse, irônico.
– É sério. Eu acho que vai ser incrível, mas também sinto que estamos neste tubo de aço gigante voando em direção a uma semana completamente insana.
– Tecnicamente, aviões são feitos de uma liga de alumínio – Arthur olhou para mim, beijou meu nariz e sussurrou: – Mas disso você já sabia.
– E você? Já sentiu algum pressentimento sobre alguma coisa?
Ele confirmou e me beijou de novo.
– Uma ou duas vezes.
Olhei para seu rosto e os familiares cílios pretos e olhos castanhos escuros, a barba por fazer, mesmo sendo de manhã, e o sorriso bobo que ele não tirou do rosto desde que eu o acordei, de novo, quatro horas atrás com minha boca em seu pau.
– Você está se sentindo emotivo, Dr. Aguiar?
Ele deu de ombros e piscou, tentando disfarçar o brilho apaixonado em seus olhos.
– Estou apenas animado por sair de férias com você. Animado com o casamento. Animado por nosso grupinho ganhar um bebê.
– Tenho uma pergunta sobre uma regra – sussurrei.
Ele aproximou o rosto como se fosse ouvir um segredo e sussurrou:
– Não sou mais o seu professor de relacionamentos. Não existem mais regras, exceto aquela que diz que nenhum outro cara pode tocar em você.
– Mesmo assim. Você é especialista nessas coisas.
Com um sorriso, ele murmurou:
– Certo. Manda.
– Nós estamos juntos apenas por dois meses e…
– Quatro – ele corrigiu, sempre insistindo que eu era dele desde nossa primeira corrida.
– Que seja. Quatro meses. Você acha de bom tom ouvir depois de quatro meses que eu acho que você é meu para sempre?
Seu sorriso diminuiu e seus olhos percorreram meu rosto de uma maneira que parecia um carinho. Ele me beijou uma vez, depois beijou novamente.
– Eu acho de extremo bom tom – Arthur permaneceu olhando para mim por um bom tempo. – Agora durma, minha Ameixa.
Meu celular vibrou em meu colo, e eu acordei assustada. Eu me endireitei no assento e pisquei para a tela, onde uma mensagem de Arthur aparecia. Ao meu lado, eu quase podia sentir seu sorriso.
Li a mensagem: O que você está vestindo?
Apertei meus olhos ainda sonolenta enquanto digitava.
Uma saia, sem calcinha. Mas não tenha nenhuma ideia brilhante, ainda estou um pouco dolorida por causa do que meu namorado fez na noite passada.
Ele fez um som solidário ao meu lado.
Aquele bruto.
Por que você está enviando mensagens para mim?
Arthur balançou a cabeça ao meu lado, suspirando de um jeito exagerado.
Porque eu posso. Porque a tecnologia moderna é incrível. Porque estamos a 30 mil pés de altitude e a civilização progrediu ao ponto que Virei para olhar em seu rosto, erguendo minhas sobrancelhas.
– Você me acordou para perguntar o que eu estou vestindo?
Ele balançou a cabeça e continuou digitando. Em meu colo, meu celular vibrou de novo.
Eu te amo.
– Eu também te amo – eu disse. – Estou bem aqui, seu nerd. Não vou digitar uma resposta.
Ele sorriu, mas continuou digitando.
Você também é minha para sempre.
Fiquei olhando para o celular, com meu peito de repente tão apertado que eu mal conseguia respirar. Ergui o braço e ajustei a corrente de ar acima de nós.
E talvez eu peça você em casamento num futuro muito próximo.
Meus olhos grudaram na tela, lendo a mensagem várias e várias vezes seguidas.
– Certo – eu sussurrei.
Então me avise se você não for aceitar, pois estou levemente aterrorizado.
Eu me aninhei em seu ombro, e ele guardou o celular, segurando minha mão.
– Não fique – sussurrei. – A gente consegue fazer isso sem problemas.
Fim!!!!
Aaaaaaah :’( Pois é amores… A web chegou ao fim. Dedico esse Capítulo final as minhas leitoras lindas…










