4º capitulo - Elizabeth.
Já era quase nove horas, o parque logo fecharia. Resolvi ligar o celular e havia muitas ligações perdidas, mensagens. Meu celular logo começou a tocar de novo. Era a Ana.
— Oi. –atendi.
— Está tudo bem ? –perguntou ela.
— Sim.
— Onde você tá ?
— Aqui no parque.
— É, imaginei.
— Posso ir ai ?
— Pode, mas você vai vir sozinha né ? –perguntei franzindo a testa.
— O Pedro ?
— Ele pode.
— O Lucas ?
— Não. –sorri.
— Você quem sabe. Meia hora estamos ai. –desliguei o celular e acendi outro cigarro. Estava esfriando, resolvi ir para o carro. Abri a porta e sentei no banco do motorista, liguei o rádio e tocava Just me a Reason da Pink. Belo momento pra essa música tocar. Pensei.
Olhei para o banco de trás e vi algumas sacolas de coisas, provavelmente mais coisas de bebe. De quanto tempo será que a minha mãe está ? Expulsei esse pensamento da minha cabeça. Abri o porta luvas e encontrei algumas fotos. Os dois juntos, uma foto minha, uma foto de nós três juntos, quando eu ainda era pequenininha. Joguei aquelas fotos de volta no porta luvas, será que um dia eu poderia perdoar ela ? Sempre falam que guardar esse tipo de sentimento, a raiva, o ódio, enfim, esses sentimentos ruins, só faz mal para quem os guarda e eu sinto que faz, eu realmente sinto, mas ela me abandonou.
Ela não pode voltar do dia para noite e querer que eu a chame de mãe, que eu a respeite, que eu a ame. Coisa que o meu pai fez, tadinho, cego pelo amor que sempre teve por ela.
Já havia tocado umas dez musicas quando alguém bateu no vidro do carro, levei um susto e depois olhei pelo vidro e Ana e Pedro estavam rindo do lado de fora. Abri a porta e sai rindo com a mão no coração. Os dois me abraçaram de um jeito tão aconchegante. Acabei chorando.
— Vai ficar tudo bem Meg, estamos juntos nessas. –me confortou o Pedro.
— Sempre Meg, sempre vamos estar com você. –Ana disse beijando minha cabeça. Eles começaram a chorar comigo.
— Eu estraguei tudo não estraguei ? –perguntei me afastando deles e secando as lagrimas que não paravam de cair.
— Estragou ? Nunca Meg. –disse Ana.
— Não precisa mentir pra mim, eu sei que estraguei tudo. Nos formamos agora, eu moro com o Pedro e do nada apareço gravida, com um filho. Eu só vou atrasar a vida de vocês, me desculpem. –eu falei entre os soluços.
— Meg, você está nos dando um sobrinho ou uma sobrinha, essa é a melhor coisa do mundo. –Ana pensou um pouco. — Ok, pode não ser a melhor coisa do Mundo, mas é maravilho. –eu ri.
— Vocês são os melhores. –voltei a abraça-los.
— Conte uma novidade por favor. –pediu o Pedro.
— Acho melhor irmos para casa, daqui a pouco estão vindo nos expulsar e também acho que é melhor você falar com o Lucas. –disse a Ana.
— Certo, certo.. –entrei novamente no carro. Pedro entrou do meu lado e Ana entrou no banco de trás. — Vieram de ônibus ? –perguntei.
— Sim. –os dois disseram juntos.
O caminho inteiro foi um tanto silencioso, só pela minha parte. Ana e Pedro não paravam de conversar.
Estacionei o carro na frente da casa do meu pai, deixei a chave no contato, toquei a campainha e sai correndo feito louca. Ana e Pedro riam, chegamos na praça sem folego. Nos jogamos no gramado e ficamos rindo. Peguei um cigarro do bolso e acendi.
— Você não pode fumar. –falou Ana.
— Vou parar, vou parar. –falei dando um longo trago.
— Vai, vamos para o apartamento. –Ana se levantou e eles foram para o ponto de ônibus. Tomaram o ônibus e chegaram.
— O Lucas tá ai ? –perguntou Megan antes deles entrarem.
— Ele estava quando saÃmos, e ele ficou chateado quando falamos que ele não podia ir com a gente. –falou a Ana.
— Acho que vou terminar com ele.
— Você o que ? –perguntou Pedro espantado me empurrando para o outro lado do corredor.
— Vou terminar com ele. –falei.
— Você não pode. –disse a Ana.
— Você ama ele, ele te ama.. você está gravida. –falou o Pedro.
— Amor as vezes não é suficiente, vejam vocês dois, se amam mas nunca ficam juntos. –os dois se olharam.
— Mas é diferente Meg. –esclareceu o Pedro.
— O que é diferente ? –perguntei.
— Pedro e eu temos um amor, digamos assim.. meio louco, não aguentarÃamos ficar junto ele é mulherengo e eu não gosto de me prender, você sabe disso. Nós só nos pegamos de vez em quando. –Ana riu.
— Sabia que vocês estavam escondendo alguma coisa de mim. –falei rindo.
— Enfim, você não pode terminar com o Lucas, ainda mais agora. –Ana disse. Todos estávamos sussurrando no corredor, ouvimos uma porta se abrir e era a porta 36, do meu apartamento. Lucas estava parado na porta encarando todos nós.
— O que vocês tão fazendo ai ? –ele perguntou rindo.
— Trocando uma ideia, só isso. –Pedro saiu de cima de mim, assim como Ana, escorreguei para o lado e fui até o Lucas.
— Temos que conversar. –falei empurrando ele para dentro.
— Você não pode fazer isso. –ouvi Ana gritando. Dei de ombros e arrastei o Lucas para o meu quarto. Ele se sentou na cama e me puxou para junto dele, fiquei em pé na sua frente enquanto ele me abraçava, sua cabeça encostada na minha barriga e eu quase chorando, seria difÃcil terminar com ele, mas era necessário, eu não queria prende-lo, eu posso estar gravida dele, mas isso não significa que ele tem que ficar comigo e tudo o mais, eu realmente não quero atrasa-lo, a mãe dele estava totalmente certa. O que será da vida dele ?
— Meg, eu sinto muito. –ele disse olhando para cima, ou seja para mim.
— Lucas, eu tenho que falar com você. –me sentei do lado dele.
— Antes de você dizer, eu quero dizer.
— Mas o que eu tenho a dizer é mais importante. –falei.
— Foda-se. –ele falou rindo. — Não importa o que a minha mãe falou, o que você deve estar pensando ai. O importante é que nós nos amamos, e vamos ter um filho, ou filha, não sei. Eu sei que tudo isso vai ser difÃcil, mas estamos juntos nesse barco Megan, estamos juntos desde quando te pedi em namoro naquele aeroporto, não estamos juntos a mais tempo que isso, desde do dia em que chamei você para morar comigo, do dia em que nos beijamos na praça. E sempre vamos estar, não importa o que pensem, o que digam, não importa nada, desde que eu, você e o nosso filho fiquemos juntos.
— Não é assim. –falei quase chorando. — Você tem a sua carreira que está decolando agora Lucas, eu tenho que começar a minha, eu sei que esse filho vai nos atrapalhar bastante, mas eu vou ter ele, eu não comecei a minha vida direito ainda e você já começou a sua, não quero estraga-la. Então eu estou terminando com você.
— Você não pode terminar comigo. –ele falou segurando as minhas mãos.
— É temporário, o bebe nem nasceu ainda, você ainda tem muito o que viver, terminar essa merda de curso e fazer mais coisas depois.. ainda temos acho que seis meses mais ou menos pela frente e depois voltaremos a ficar juntos, quando eu completar nove meses.
— Presta atenção no que você está falando, isso é um absurdo. –ele disse jogando as mãos para o alto e se levantando. — Esse filho ai é meu também, eu quero participar de tudo, quero estar do seu lado, eu ainda vou terminar o curso, só falta um mês e você só pode estar ficando louca. –ele disse se ajoelhando na minha frente. Tentei organizar as minhas ideias.
Ele estava certo, eu estava me precipitando, tudo que eu estava falando era um absurdo. Eu precisava dele, assim como ele parece precisar de mim e foda-se a mãe dele, foda-se o curso, a nossa carreira, foda-se tudo. Me levantei e o abracei.
— Me desculpe, eu só achei que seria melhor. –falei soluçando em seu ombro.
— Esqueça o que a minha mãe disse, você não vai atrapalhar em nada, nunca atrapalhou e essa criança não vai atrapalhar também, talvez um pouco. –ele riu. —Mas é a vida, fizemos isso e agora teremos que arcar com as consequências.
— Eu te amo. –falei.
— Eu também te amo loirinha, muito.
— Lucas, seu curso. –falei o soltando.
— Calma, eu tenho que estar lá as seis da manha, ainda tem tempo.
— Você é mesmo louco. –o abracei novamente.
— Louco de amor por você e por esse bebe aqui. –ele colocou a mão na minha barriga.
Era quase meia noite quando finalmente conseguimos uma pizzaria que entrega pizza essa hora, em pleno domingo. Ficamos jogados no chão da sala, Ana e Pedro, eu e Lucas. Não Ana e Pedro juntos, mas bem que poderiam. Conversamos sobre os possÃveis nomes.
— Ainda prefiro Marcio. –disse o Pedro.
— Marcio é tão antigo, não gosto. –falei.
— Nem eu. –Lucas riu.
— Acho que vai ser menina. –disse a Ana. — E o nome devia ser Carolina, combinaria com o meu, Ana Carolina.
— Nem pensar, esse nome é muito comum. Não quero algo comum de mais. –falei. — Eu andei pensando em Elizabeth, Vinicius, Jennyfer, temos que pensar nos apelidos também.
— Gosto de Elizabeth, me lembra a Effy de Skins e ela é muito gata. –comentou o Pedro.
— Muito gata, a Kaya é linda por de mais. –falei sorrindo. Lucas me olhou.
— Seu histórico com meninas não é muito favorável. –falou o Lucas rindo.
— Pensa pelo lado positivo, não terei nojo quando quiser fazer um ménage. –eu ri.
— Não, não e não. –falou o Pedro.
— Não o que ? –perguntei.
— Ano passado eu pedi pra você e pra Ana fazerem um ménage comigo e você não quis, não vai fazer com ele. –ele fez cara de bravo.
— Eu não precisava saber disso. –Lucas franziu a testa. —De qualquer jeito eu não quero um ménage, eu teria que dividir você com outra pessoa e isso não me parece muito legal. –ele riu.
— Pensando nessa questão de dividir eu também não gostaria de te dividir com outra. –ri.
— Que casal feliz. –Ana fez cara de nojo.
O próximo trem para Paris sairia as duas e meia da manha, saÃmos do apartamento uma hora e meia. Lucas foi dirigindo, eu do seu lado e Pedro e Ana atrás, os colegas deles já haviam ido no horário certo. Me despedi de Lucas e depois eu e os dois idiotas fomos embora. Pedro foi dirigindo, eu não estava a fim de dirigir.Â
— Vou vomitar. –falei abrindo a janela rapidamente.
— No carro não, no carro não. –falou Pedro, como se o carro fosse dele.
Vomitei, tudo o que tinha que vomitar. Toda pizza, eu devo ter comigo muito, nem almocei na casa dos pais do Lucas.
— Pronto. –falei fechando o vidro.
— Eca. –murmurou Ana.
— Grávida é foda. –falei rindo.
— Médico semana que vem ? –perguntou o Pedro.
— Sim. –respondi. Essa semana eu também procuraria um emprego, eu ainda tinha bastante dinheiro na poupança, mas é melhor prevenir do que remediar.Â
--> capitulo extra.
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