Meu Amado "Tio"
Epilogo, cinco anos depois
Pov. Lua
Era disso que eu gostava, de ver a casa completamente cheia, de ouvir todo mundo falando ao mesmo tempo, de ver a família reunida, de ver crianças mexendo nas minhas coisas e correndo de um lado para o outro mas ainda não eram as minhas, ainda.
Mel e Rodrigo não demoraram em querer formar a família e no mesmo ano, ou melhor, durante a lua de mel, Melanie engravidou dando a luz meses depois a um menino lindo batizado como Miguel e três anos depois ela estava gravida de novo dessa fez de uma menina na qual eu não preciso nem dizer o quanto era completamente apaixonada pela Nicole.
Sophia aceitou meu casamento com Arthur e prova disso era de que a mesma sempre frequentava a nossa casa, apesar de ainda não sermos grandes amigas, mas acabamos dando uma trégua nas brigas e na raiva que uma tinha pela outra. Ela lutava pra conseguir ser reconhecida no mundo da moda como era seu sonho e aos poucos ia conseguindo seu tão sonhado espaço nesse meio.
A situação com meus pais não havia mudo muito nesse tempo, o que mudou foi apenas que eles queriam saber mais de mim, como eu estava e como ia indo a minha primeira gravidez, talvez as coisas mudassem um pouco quando Lara nascesse e eu sinceramente contaria com isso.
Era um final de semana como outro qualquer, Arthur mais uma vez inventou um de seus churrascos para reunir todo mundo, Miguel usava boias nos braços e brincava com pai na piscina, Nicole como sempre estava grudada a Mel alternando entre está em meu colo ou colo da mãe. Sophia conversava animada com Chay que depois de muita birra acabou aceitando “perder” Mel e decidiu seguir com a vida. E eu estava mais jogada do que deitada em uma espreguiçadeira.
- Dinda. –ouvi a voz fofa de Nicole e virei para olha.
- Fala meu anjo. –sorri e ela fez o mesmo mostrando seus dentes perfeitamente enfileirados e completamente brancos.
- É verdade que tem neném ai? –perguntou curiosa enquanto apontava para a minha barriga que por sinal estava enorme ate demais pra quem acabará de completar nove meses.
- É meu amor. –ela saiu do colo de Mel e parou ao meu lado.
- Comeu o neném, dinda? –ri de sua pergunta e Mel fez o mesmo.
- Não meu amor, a mãe já disse que quando você tiver idade suficiente vai saber como é. –ela fez um bico e tentou cruzar os braços.
- Só quando tiver idade suficiente. –a olhe. –Mas você vai ter uma amiguinha pra brincar, não é legal?
- É. –ela sorriu sapeca e saiu correndo por algum milagre em direção ao pai.
- E você mocinha? Vai nascer ou não? –Mel se aproximou alisando minha barriga. –Como está se sentindo?
-Ansiosa. –falei sorrindo.
- Somos dois. –Arthur se aproximou dando-me um selinho rápido e um beijo na barriga. Senti uma dor fina que passou mais minutos depois insistia em voltar. –Tá tudo bem?
- Eu acho que está na hora. –Arthur arregalou os olhos me fazendo rir.
- Socorro, minha mulher vai ter um bebê. –ele gritou assustado e todos riram assim como eu. A bolsa não tinha estourado e tudo o que eu sentia era contrações, Mel e Sophia me ajudaram a levantar me levando ate o carro que estava em frente à casa.
- A gente se vê lá. –Mel falou beijando minha testa depois que eu já estava no lado do passageiro.
- Por favor, não demore. –pedi deixando o medo transparece na minha voz. Arthur jogou duas pequenas bolsas no fundo do carro e nos minutos seguintes dirigia rápido ate a maternidade. –Calma Arthur. –falei rindo da expressão dele. –Eu que sinto dor e você que fica assustado?
- Sabe a quantos anos eu não fico nervoso nessa intensidade? –me encarou rápido. –Há vinte e três anos, só fiquei assim quando Sophia nasceu. –ele respirava rápido. –Está doendo? Claro que está né? Desculpe, sou um idiota mesmo.
- Relaxa. –ri tentando convence-lo de que eu estava ótima quando na verdade estava morrendo de medo. Assim que cheguei a maternidade fui levada para um apartamento preparado pra que o parto acontecesse ali e eu sentia como se aquela dor infernal fosse aumentando a cada segundo ou melhor ela ia sim aumentando a medida que o tempo passava. – Por Deus façam essa dor passar. –praticamente gritei com a enfermeira.
- Calma Lua, respire fundo. –ela falou calmamente. –Está na hora. –ela falou sorrindo. –A medica está a caminho.
Arthur posicionou-se ao meu lado segurando minha mão e depositando um beijo rápido em meus lábios, quando dei por mim estava lá fazendo força e seguindo instruções da mulher que fazia meu parto, eu já estava sem forças ate pra respirar quando um choro alto e forte deu lugar aos meus gritos, minha filha havia acabado de nasce e nesse momento estava sobre o meu peito, eu não conseguia nem se eu quisesse explicar o que estava sentindo naquele momento.
Ver aquele pedacinho que era junção minha e dele, ali no meu colo, mamando enquanto me encarava realmente era algo que não tinha explicação, ela segurava com força o dedo indicador de Arthur enquanto alternava o olhar entre nos dois, se o amor que eu sinta por Arthur já achava imenso o que eu sentia pela minha filha era maior, agora eu estava de fato completa, tinha na minha vida duas pessoas que eu amava e que eu com certeza amaria muito mais com o passar do tempo.












