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CAPÍTULO 11 - "69"
Passei o resto da viagem olhando os vultos que as árvores formavam em meu olhar por causa da pressa que Rodrigo dirigia. Fiquei bem calada. De vez em quando ele dava uma olhadela pelo retrovisor, pra conferir se eu estava legal. Eu apenas assentia com um sorriso, que não mostrava os dentes.
Passaram-se no mínimo 4 horas e eu já podia ver o sol nascendo, o céu mudava de cor incansavelmente, passando de laranja pastel, misturando ao roxo e depois um azul celeste e permaneceu assim, uma manhã maravilhosa.
Eu já podia sentir o mar de longe. Ambientes aos redores do mar sempre tem aquele cheirinho de... mar. "Ah sério? Não diga Nina...". Deixa eu explicar... Sabe aquela brisa que tem logo quando amanhece? Imagino que o sal da água dê um aroma diferente e aquilo me dava uma sensação de frescor e alegria. Muito bom.
Assim que o Rodrigo desviou daquela estrada principal em que estávamos e começou a entrar em algumas ruas eu percebi que logo chegaríamos em nosso destino. A hiper casa que nossos pais alugaram.
Todas as vezes que eu via para cá era com minha mãe e pai, as vezes alguns primos, mas ninguém de fora da família. Mas dessa vez, as nossas famílias juntaram e alugaram uma hiper casa, de acordo com eles. Teríamos que chegar lá antes para descobrir como era... O Rodrigo continuava atento, provavelmente tentando achar em que rua era. Enquanto isso, a cidade acordava e percebi que as pessoas iam saindo de casa aos poucos.
Rodrigo dirigia calmamente e atento, tentando gravar a paisagem, "mas por que Nina?"
Bem, é assim. A casa que meus pais alugaram é beira-mar, ou seja, na orla do mar. Imagine que seja uma ilha. De um lado dessa ilha existe apenas uma casa a ser alugada, ela é meio que "exclusiva", quando você olha pra frente, tem só uma imensidão azul e para trás, as construções, uma cidade muito bonita. Foi desse jeitinho que minha mãe descreveu para onde iríamos quando perguntei a ela como seria nossa casa.
Logo, Rodrigo tentava gravar os detalhes para que futuramente fosse mais fácil nos localizarmos, quando voltássemos aqui.
Felipe, que estava do meu lado, já estava de olhos abertos e eu nem tinha percebido. Quando olhou para mim, dei um sorrisinho e ele retribuiu. Anna e Matheus continuavam dormindo. Aproveitei o momento que o sol ainda não tinha começado a esquentar e me enfiei mais dentro ninho que havia feito. Fui curtindo a paisagem enquanto o vento batia em meu rosto quando Rodrigo me tira da transe:
Rodrigo: Nina, me ajuda, vê qual é o nome dessa rua - Ele disse mexendo nos óculos e girando o volante num movimento de 180º
Procurei a plaquinha e com um pouco de dificuldade consegui enxergar, Rodrigo me olhava pelo retrovisor esperando uma resposta.
Eu: Belo Monte - Ele ficou pensativo e por fim disse.
Rodrigo: Vou virar na próxima á direita e seguir 10 minutos aí tu vê se parece com a casa que sua mãe disse que seria...
Eu: Mas minha mãe não disse descrições detalhadas sobre a casa... - Pensei confusa
Rodrigo: Que droga!
Eu: Relaxa, deve ser por aqui mesmo Digo!
Matheus deu um pulo.
Sim;
No momento em que disse "Digo" ele acordou em um pulo.
Depois, deu uma bufada e me olhou. Por que tenho essa leve impressão de que ele está bravo comigo? Ele não pode me cobrar nada...
Fiz um gesto com a mão de como quem pergunta: "Que foi?". Ele nem se deu ao trabalho de responder, só virou para frente de novo e ficou calado.
Aparentemente Anna era a única que ainda estava dormindo. Apesar de que os outros dois acordados se manifestavam menos que ela, que as vezes dava uma resmungada enquanto dormia.
Como o Digo já estava ficando irritado então decidi cumprir direitinho. Me endireitei no banco e fiquei prestando atenção, a rua parecia sem fim, mas era muito bonitinha, era estreita e já dava para começar a ver o mar, tinham vários postes, mas não eram postes comuns. Eles eram mais delicados e de metal, pretos. Um pouco mais baixos que os normais. e davam um charme para a rua...
Depois dos passados dez minutos, já dava para ver o mar, estava incrível a vista. Um horizonte totalmente azul, em qualquer direção que você olhasse, estava cercado pelo mar. E um pouco mais na frente, já dava para ver uma casa no topo de um pouco de vegetação. Não sei bem como ela era sustentada.
Fomos chegando mais perto e o Rodrigo não tinha falado mais nada... Acho que quando minha mãe disse que era uma casa "exclusiva" eu não tinha pensado que seria pra tanto, ela era realmente a única daquele lado da ilha...
Rodrigo: Nina, será que é essa casa mesmo?
Demorei um pouco pra raciocinar, mas ele dizia isso apontando para a única casa que conseguíamos ver. Ele ia dirigindo mais devagar, pois, na entrada da casa, tinha um portão muito grande de ferro preto, que combinava com os postes da rua. Ali se abria um vão que foi todo ladrilhado e cercado por árvores de ipê amarelo, realmente, era a entrada de uma casa mais bonita que eu já tinha visto.
Enquanto eu observava, Rodrigo tinha parado o carro, não devia estar acreditando que iríamos ficar naquela casa. Pedi para que ele chegasse mais perto e ver se era aquele o número que minha mãe havia indicado nas instruções, e sim, era aquele.
"69"
Esse era o número da nossa casa.














