"No. Oh, no. No no no. This can't happen. No. You can't die."
A situação poderia ter apenas três fins possíveis: a morte de Jorunn, de Thrion ou de ambos os homens. Jorunn jamais seria o tipo de homem que aceitaria um acordo com o herdeiro do homem que usurpara sua humanidade, o mesmo homem que gerara a mulher por quem nutria sentimentos que jamais imaginou possuir e que agora ajoelhava-se aos seus pés com a fronte em desespero. Um sorriso terno tomou-lhe os lábios, satisfeito consigo mesmo. A dor atravessava-o, massacrava-o, mas o corpo alheio tão moribundo quanto o seu lhe dava alívio. Havia lutado, havia defendia aquilo que com dor construíra e ainda havia conquistado mais do que jamais pudera imaginar que conseguiria: momentos breves de felicidade. Enquanto o escarlate pintava mais uma vez as escadas marmoreas do castelo de Temeria, Jorunn reuniu forças para encostar seus dígitos manchados com sangue, tanto seu quanto dos inimigos, na face límpida e macia de Kahriye, sentindo-a por uma última vez enquanto permanecia pleno, envolto nos braços finos dela.
“I won’t…” A voz antes grave e forte era fraca, um tom baixo e arrastado. “Estarei vivo na criança que carregas.” Abaixou sua mão, levando-a até o ventre coberto pelo vestido verde de Kahriye, acariciando-a. Jorunn sabia que ela carregava seu herdeiro faziam algumas semanas. Ele havia notado há algumas semanas que o ciclo de Kahriye estava atrasado, percebendo assim que sua semente havia brotado em sua rainha. Talvez o irmão de Kahriye sobrevivesse, mas o verdadeiro herdeiro ao trono seria o seu filho, aquele cujo qual compartilhava seu sangue, fosse menino ou menina. Jorunn viveria através dele, ou dela e assim, sentiu o sopro da vida deixando seu corpo macilento. O sangue tornando sua pele antes corada, mais pálida que o mármore da escadaria. A ferida por onde a espada alheia transpassara em seu peito enchia seu pulmões de sangue e Jorunn tossiu o líquido que esvaía da ferida e seus lábios. Por fim, não havia mais dor. Apenas silêncio. E para o homem que vivera seus dias em guerra, a paz finalmente embebia a sua alma.

















