<< @valsecaprice
— Quem é vivo de certo sempre aparece e eu, como sabes, estou sempre viva. — Não perdera seu lado de puro drama, talvez parte de sua pompa visual, entretanto Vienne jamais deixaria de ser o exagero em carne, ossos e muita, muita sujeira. — Não compare esse fofuchinho com uma lagarta, elas não tem a elegância de um gato. — Foi uma ofensa velada acompanhada de seu sorriso largo, talvez um pouco cadavérico se unido ao olhar cansado e fora de seu comum de alguns anos atrás. Limpando a garganta e retirando o apoio de sua bengala para girá-la de maneira brincalhona, algo de real importância e sem rastros do óbvio escárnio vieram de sua parte:
— Eu vim apenas ver como você estava e não estou desapontada com o que vejo. Não posso mais te chamar de ovinho, não é mesmo? — Mas não durou muito, acabou rindo de sua própria observação e depois quando veio aos poucos morrer este riso, gargalhou brevemente por algo que lembrou-se e externou: — Sentir sua falta? Eu valho mais do que cinco pratas e duas balinhas. — Acabou voltando à se apoiar na bengala por ter dificuldades em conter suas risadas e manter-se firme de pé, sem tremer nas bases pelos risos. Sua falta de estatura estava notória pela ausência dos saltos, sua falta de asseio também estava clara pelo modo que seus cabelos pareciam penteados de forma preguiçosa, deixando um mero fantasma daquele pavão de antigamente. Estava mais para um urubu: continua voando, mas não com a mesma elegância. — Apenas ontem que pensei comigo mesma: “nossa, faz muito tempo que eu não piso no ego de alguém”. E olhe como o acaso é generoso, o mais macio dos egos retornou para este lugarzinho lúgubre dentro da minha área de atuação. — E finalmente conteve suas risadas.
— Seria mentira se eu dissesse que não estou satisfeita em ver seu estado atual. Parece mais... Deplorável, mas do modo aposto de algum tempo atrás.









