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Quote from, The Urantia Book.
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* A cult living in an isolated desert commune in Tumacacori/Tubac, AZ near the border has raised alarm over its leaders UFO doomsday predict
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Sleepy Time Tea’s Weird Cult? | Corporate Casket
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Conversas e entrevistas de Cláudio Suenaga com o engenheiro eletrônico e ufólogo Claudeir Covo (parte 1)
Por Cláudio Tsuyoshi Suenaga
Pertencente à segunda geração de ufólogos brasileiros que, seguindo os passos dos pioneiros, despontaria nas décadas de 60 e 70, Claudeir Covo (1950-2012) dispensa apresentações. Seu tipo e perfil compõem o perfeito estereótipo do especialista em Ufologia e seu nome há muito está indissoluvelmente associado e se confunde com essa disciplina.
Lídimo representante da “linha científica” – adepta e defensora da teoria extraterrestre sem dispensar o rigor metodológico e uma certa dose de cepticismo – e um dos que mais estimularam e influenciaram novos pesquisadores, Covo foi engenheiro eletrônico, de produção e de segurança, especialista em óptica, fotometria, colorimetria e fotoelasticidade na área de dispositivos de iluminação e sinalização veicular. Foi presidente do Comitê de Iluminação Veicular da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) de São Paulo a partir de 21 de outubro de 1981. Covo também foi autor do texto da Resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) 692/88, publicado no Diário Oficial da Nação em 17 de março de 1988 e 5 de abril de 1988, que regulamenta os dispositivos de iluminação e sinalização veicular, em vigor no Brasil desde 1º de janeiro de 1990.
Claudeir Covo fotografado por Cláudio Suenaga por ocasião da primeira entrevista realizada em 16 de julho de 1991.
Aos 16 anos de idade, em 1966, acompanhando as conquistas espaciais, Covo se interessou pela Ufologia, passando a colecionar todo tipo de material a respeito. Em 1975 fundou o Centro de Estudos e Pesquisas Ufológicas (CEPU) – sediado em seu sobrado no tradicional bairro do Ipiranga, próximo ao Museu Paulista, na zona sul de São Paulo –, que em meados da década de 80 despontaria como o maior acervo de fotos – mais de sete mil – e filmes de discos voadores do país e o primeiro a ser equipado com instrumentos capazes de realizar análises computadorizadas dessas alegadas e controversas imagens, a exemplo do que já vinha fazendo o norte-americano Ground Saucer Watch (GSW, Observadores Terrestres de Discos). Os dois primeiros vídeos-documentários brasileiros sobre filmes e fotos de discos voadores foram produzidas pelo CEPU entre 1986 e 1988, e ainda que experimentais e amadores, constituem-se em marcos de grande importância por terem permitido acesso a dezenas de registros raros e de difícil obtenção na época.
Autor de artigos e matérias referenciais como a alentada “Estatística Ufológica Brasileira”, fonte de consulta obrigatória, e obras como A Noite Oficial dos OVNIs, enfocando a histórica noite de 19 de maio de 1986, quando a Aeronáutica suspendeu o tráfego aéreo em São Paulo e caças da Força Aérea Brasileira (FAB) perseguiram 21 objetos não identificados sobrevoando a região de São José dos Campos, em 1995, às voltas com as vultosas ondas de aparições, aterrissagens e abduções do final de milênio, decidiu ampliar as atividades do CEPU criando o Instituto Nacional de Investigação de Fenômenos Aeroespaciais (INFA).
A entrevista que se segue e que aborda os mais diversos, polêmicos e inusitados temas, é uma síntese de uma série que realizei ao longo da década de 90 com Covo, que sempre se prontificou a nos receber – cabe mencionar que os colegas historiadores Jefferson Ramos da Silva e Antonio Manoel Pinto também estiveram presentes em duas oportunidades – com a máxima solicitude e gentileza para longas conversas, mesmo em horários extremos, próximos à madrugada, e ante a iminência de compromissos inadiáveis. Aqui vai, portanto, um singelo tributo a esse brilhante e talentoso ufólogo.
O relógio cujos ponteiros andavam no sentido inverso e uma réplica do Calendário Maia pendurados na parede da sala de Claudeir Covo. Foto de Cláudio Suenaga.
Suenaga – Desde quando os discos voadores estariam visitando a Terra? Covo – Eu penso que os discos voadores nunca estiveram propriamente nos visitando, e sim que sempre estiveram aqui. O pessoal fala que a partir de 1947 aumentou o número de avistamentos, não sei o que, mas coloco isso mais como um avanço da ciência em termos de comunicação, ou seja, começou-se a falar mais no assunto, começou-se a divulgar mais, começaram a aparecer os primeiros pesquisadores civis, a coisa começou a se tornar mais pública, começou a ser divulgada, e a própria tecnologia permitiu essa divulgação. Não é que aumentou o número de avistamentos, o que aumentou foi a divulgação. A minha opinião é que em todas as épocas os discos voadores apareceram com a mesma frequência de hoje. Portanto, não é que hoje que apareçam mais. É que hoje há condições para divulgar essas ocorrências mais facilmente.
Suenaga – Em sua opinião, de onde eles procederiam? Covo – Uma das teorias é a de que viriam de mundos paralelos. Se houver sentido nisso, se realmente um mesmo espaço pode comportar dois átomos e variadas dimensões, e se esses seres possuem controle disso, podendo passar para a nossa dimensão, e vice-versa, a partir da Segunda Guerra Mundial, quando o homem começou a explodir núcleos atômicos, de acordo com essa teoria nós passamos a interferir no mundo deles. E consequentemente eles estiveram presentes acompanhando todas essas experiências atômicas. Eu não acho que tenha aumentado a frequência das visitas, o que houve foi um aumento das aparições nesses locais de experiências atômicas. Entre 1943 e 1948, na região sul dos Estados Unidos, explodiram dezenas de mini-bombas atômicas. E até então não se conheciam os efeitos disso. Muitos inocentes que desavisadamente se encontravam nesses locais – inclusive o ator John Wayne, contaminado junto com toda a equipe de filmagem por uma explosão nuclear –, viriam a morrer de câncer, 20, 25 anos depois. Naquela região de Alamogordo, território do Novo México, houve uma incidência muito grande de aparições de OVNIs, e no meio disso, em 2 de julho de 1947, cai um disco voador em Roswell. Talvez em função das experiências atômicas, os extraterrestres, curiosos, vieram ver se algo estava acontecendo, ou talvez até avaliar as barbaridades que estávamos fazendo. Eu vinculo isso como alguns ufólogos vinculam, dentro da teoria dos mundos paralelos, de outras dimensões, porque nesse instante em que começamos a explodir as bombas atômicas, passamos também a interferir no mundo deles, então eles começaram a vir pra cá com maior intensidade, principalmente nos pontos onde eram feitas as experiências.
Livros ufológicos na estante da sala de Claudeir Covo. Foto de Cláudio Suenaga.
Suenaga – A origem da humanidade se vincularia de alguma forma à presença desses seres? Covo – Assim como vários ufólogos, eu também penso que somos descendentes dos extraterrestres. O planeta Terra foi descoberto, esses seres aqui chegaram, viram que havia condições de vida, talvez já houvesse vida vegetal e animal. Então eles colocaram aqui vários “Adões e Evas” que originaram a humanidade. Esses seres sempre intervieram como estão fazendo agora, haja vista as experiências genéticas a bordo dos OVNIs. Eu faço uma palestra falando das abduções e dos implantes cujo título é Cobaias Humanas. Isso não invalida nada a respeito da criação divina. Assim como esses seres colonizaram o nosso planeta, eles por sua vez também foram colonizados por outros seres, que por sua vez foram colonizados por outros, por outros e assim por diante. Voltando a um certo tempo e lugar do passado, alguém foi criado, então talvez aí esteja a intervenção da Inteligência Divina. Essa criação do ser humano não necessariamente pode ter ocorrido em nosso planeta, mas em outro. Comparando as coisas que ocorreram no passado com as que estão ocorrendo hoje, pra mim essa hipótese faz muito sentido. Eu tenho mencionado isso fazendo correlações. Por que, por exemplo, todos os seres que são observados, seja do tipo alfa, beta, gama, delta ou ômega, têm duas pernas, dois braços, tronco e cabeça tais como nós? Por que nunca foi visto um quadrúpede pilotando um disco voador? Por que nunca foi visto um ser tipo lesma pilotando um disco voador? Por que nunca foi visto um ser com três pernas? Isso pra mim é uma incógnita que diverge totalmente do próprio conceito científico da origem do homem. Existem trabalhos de antropólogos que especulam como seria o homem se tivesse se originado de uma baleia, de um canguru ou de uma águia em vez do chimpanzé. Você vê nos filmes de ficção científica como Jornada nas Estrelas e tudo mais, que os seres que eles apresentam são decorrentes da teoria de que no planeta deles descenderam de outros animais que não o macaco. Portanto, para mim, o mito bíblico de que Deus fez o homem à sua imagem e semelhança faz muito sentido. Eu acho que essa compleição física que nós temos não é restrita a Terra, e sim cósmica. Seres viajariam constantemente semeando vida nos planetas com condições de desenvolver vida, e a Terra foi um desses planetas. É uma teoria que pra mim se encaixa muito bem.
Equipamentos de Claudeir Covo, incluindo o computador que usava para analisar fotos de OVNIs. Foto de Cláudio Suenaga.
Suenaga – É muito alto o índice de engano ou fraude na Ufologia? Covo – Eu costumo dizer que entre aquilo que se fala na televisão, aquilo que a imprensa divulga, aquilo que as pessoas relatam normalmente, 90% nada têm a ver com disco voador. Pessoas com pouco ou nenhum grau de conhecimento confundem e inventam um monte de coisas. Na semana passada, por volta das 18h30, o telefone tocou. Um casal que mora perto do Ceasa falou que estava vendo um disco voador há uns 15, 20 minutos, e que o disco se mexia, ia pra um lado, ia pro outro. Logo deduzi que simplesmente estavam vendo o planeta Vênus. É aquele negócio. Você fica olhando um pontinho brilhante no céu escuro e depois de uns cinco minutos você começa a acompanhar seu “falso” movimento. O pessoal confunde. Fraudar fotos e filmes também é fácil. Eu mesmo já fiz excelentes fotografias de discos voadores para mostrar como qualquer um consegue fraudar. Então 90% do que existe na Ufologia, em termos de registros, não passa de fraude, engano ou erro de interpretação.
Suenaga – E os 10% restantes? Covo – Conforme apontam as estatísticas, a cada três minutos alguém observa algo estranho nos céus do planeta, sendo que desde 1947 já foram registrados, em termos brutos, mais de 7.358.400 casos pelas associações de ufólogos do mundo. Descartando 90%, ainda restariam pelo menos 735.840 casos autênticos. No Brasil, há registros de mais de 57.395 casos, e eliminando as fraudes, restariam pelo menos cinco mil casos autênticos. E é preciso não esquecer que esses números referem-se apenas aos casos que chegam até o conhecimento dos especialistas. Na realidade, calculo que 70% das pessoas que passam por uma experiência ufológica preferem não relatar o fato por vergonha ou medo do ridículo.
Suenaga – Por que as pessoas tendem a cometer tantos erros de interpretação? Covo – Eu tiro por base certas situações que vivi na infância, em que a visão me enganou completamente. Lembro que quando tinha 10 anos de idade, fui visitar um amigo, e quando vi, o horário tinha estourado. Pra voltar pra casa eu tinha de necessariamente passar em frente ao cemitério da Vila Mariana. Na hora em que cheguei no quarteirão, atravessei a rua para o outro lado. E de repente eu vi na porta do cemitério, de longe, uma pessoa de branco. Eu via pernas, braços e rosto de alguém atrás do poste escondido, que olhava para mim e se escondia. Naquilo meu coração disparou, a perna tremeu, fiquei apavorado pra chuchu, com o coração na boca. Não havia como dar a volta, o outro caminho era muito longe. E continuei andando, já preparado para sair no pique. E olhava pra aquele troço e via nitidamente uma pessoa. Era uma coisa gozada porque eu via isso grande, pra mim se tratava de um adulto. Minha mente engendrou uma típica fantasia, uma ilusão. Fui indo, indo, e quando cheguei a uns 10 ou 12 m, descobri que era só uma folha de jornal grudada no poste. Conforme o vento batia, virava o jornal e dava a impressão de ser uma pessoa. Era um jornal pequeno, mas de longe pareceu ser um adulto. A mente é uma coisa fantástica. Nas minhas palestras eu esclareço todos os efeitos produzidos pela ilusão de óptica, baseado na primorosa obra de Edi Lanners, O Livro de Ouro das Ilusões (Rio de Janeiro, Ediouro, 1982). Muito do que as pessoas veem no céu acabam distorcendo. Se cinco ou seis pessoas confundirem um balão com um disco voador, ao descreverem esse mesmo fenômeno, certamente cada qual vai fazer de um jeito e à sua maneira, de acordo com seus graus de conhecimento e cultura, suas profissões, crenças, etc. Se o cara é borracheiro, vai desenhar algo parecido com um pneu; se for engenheiro, vai desenhar a coisa como se fosse uma engrenagem; se for florista, vai desenhar uma coisa redonda, parecendo uma rosa e assim por diante.
Claudeir Covo e Cláudio Suenaga. Foto de Caio Covo.
Suenaga – Qual sua posição diante do misticismo que assola a Ufologia? Covo – Em poucas palavras, como integrante de uma linha de pesquisa eminentemente científica, nada tendo a ver, portanto, com pesquisadores e associações que se enquadram no lado místico, me oponho a tudo que leve ao fanatismo e explore a boa fé das pessoas, arrecadando dinheiro para construir plataformas espaciais ou tirando o Cristo do altar para colocá-lo dentro de um disco voador.
Suenaga – Como o senhor avalia as histórias dos que afirmam terem visitado outros planetas tanto a bordo de discos voadores como espiritual ou mentalmente? Covo – Avalio que não passam de puras fantasias. Para mim é o eu interior da pessoa narrando, conscientemente ou por psicografia, a vontade de como ela, intimamente, gostaria que fosse o mundo, sem fome, sem doenças, sem guerras, sem dívida externa, sem inflação, sem opressão, sem discórdias nem divisões. Trata-se meramente de um extravasamento, de uma maneira das pessoas botarem seus desejos e insatisfações para fora, seja mentalmente ou por psicografia. São pessoas que estão sofrendo, que estão enfrentando dificuldades para sobreviver, dificuldades que todos nós enfrentamos, só que talvez num grau mais acentuado, e acabam, por necessidade, narrando ou escrevendo histórias fantásticas e utópicas.
Suenaga – Por falar nisso, o que se sabe a respeito do Livro de Urantia? Covo – Em 1939, se não me falha a memória, uma pessoa ou um grupo de pessoas passou a receber mensagens extraterrestres por psicografia, acabando por produzir um calhamaço de coisas escritas que, na época, por segurança, foi arquivado em um cofre em Nova York, ali permanecendo trancado por 11 anos. Em 1950, um grupo de pessoas teve acesso a essas psicografias, que editaram na forma de um livro e em cima disso criaram a Fundação Urantia. O livro é uma espécie de bíblia dividido em quatro grandes capítulos. O primeiro fala da criação do universo, o segundo fala da criação do sistema solar, o terceiro da criação de Urantia, que seria a Terra, e o quarto da vida de Cristo na Terra. A série Operação Cavalo de Troia (publicada no Brasil pela Editora Mercuryo), do jornalista e ufólogo espanhol Juan José Benítez, seria um plágio literário desse quarto capítulo do Livro de Urantia, conforme comprovou o ufólogo espanhol Antonio Ribera (em parceria com Jesús Beorlegui) em seu livro El secreto de Urantia (Ni caballos ni troyanos). Na capa de seu livro A Rebelião de Lúcifer, que seria outro plágio de certas partes do Livro de Urantia, o Benítez estampou um símbolo que nada mais é do que o símbolo de Urantia.
Ou seja, ele não só se apropriou do conteúdo como também do logotipo. Desconfio que o Benítez deve ter sido processado pela Fundação Urantia, que é uma entidade legal, com CGC e tudo mais, e detêm os direitos autorais do livro. Tanto que o quinto volume da série Cavalo de Troia demorou a sair. Agora não sei se a Fundação Urantia pretendia criar uma religião em cima disso. Do ponto de vista científico, por exemplo, no que tange a astronomia, o que se descreve é muito bagunçado e confuso, mas lembra coisas que já haviam sido ditas por personalidades como Nostradamus, Madame Blavatsky e outros que tiveram visões do futuro. Encomendei a um amigo que foi para os Estados Unidos os três conjuntos dos livros de Urantia, que na época paguei US$ 120. Até hoje não tive tempo para lê-los, só folheá-los. O livro é tão complexo e a leitura tão intrincada e intragável, por ser um inglês pesado e arcaico e haver muitos termos técnicos, que a Fundação Urantia teve de lançar um outro livro chamado Paramony, que ensina a interpretar e entender algumas passagens do livro. Conheço duas pessoas que tiveram paciência para ler o livro inteirinho.
Continua na parte 2
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