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Stay With Me Tonight
Era mais uma noite de outono que Yunho saía sozinho caminhando pelas ruas de Seul, apreciando quando a leve brisa acariciava seu rosto. Após uma semana agitada de trabalho, tinha o costume de visitar o mesmo pub toda sexta-feira. Normalmente saía de lá acompanhado de mulheres, mas nunca parecia o suficiente para suprir seus desejos e necessidades. Talvez isso se devesse a sua falta de interesse em algum tipo de romance.
Chegando no recinto, decidiu pendurar seu sobretudo na entrada do barulhento pub, onde já havia uma mulher observando-o da cabeça aos pés. Ignorou-a por um momento, pois precisava de um pouco de álcool antes de fazer qualquer coisa. Talvez eu seja mesmo um covarde, pensou. Foi em direção ao balcão, esperando desesperadamente que alguém o atendesse antes que a loira viesse procurá-lo. Tarde demais.
- O serviço aqui é uma merda, mas as pessoas que eu encontro aqui fazem tudo valer a pena. - disse a moça que havia o observado.
Assim que ela terminou a frase, Yunho notou que um dos atendentes tentava conter o riso, como se tivesse feito de propósito.
- Jung Yunho. - apresentou-se.
- Lee Chaerin - respondeu, enquanto seus lábios de carmim esboçavam um sorriso convidativo.
Sempre dessa forma. Sentava-se, esperava alguém aparecer e a levava para casa. Não que se tratasse de algo ruim, mas sim algo repetitivo.
- Duas taças de soju, por favor - pediu Chaerin ao atendente risonho. Quando se virou, finalmente pôde ver quem era realmente. Seus olhos pareciam ter um certo mistério, contrastando com seus lábios pequenos e ao mesmo tempo carnudos. Era realmente bonito. Se aproximou e anotou o pedido, mirando os olhos de Yunho rapidamente antes de se retirar e voltar a rir.
- Por que ele está rindo de mim? - disse, pensando alto.
- Quem? - respondeu Chaerin, erguendo uma sobrancelha.
- Ele. - indicou, apontando pro homem que anotou os pedidos.
- Pensei que estivesse interessado em mim. - sussurrou, aproximando-se para beijá-lo.
- Eu jamais estive. - respondeu, afastando-se. Novamente, o homem soltou uma risada, e desta vez a moça notou, retirando-se furiosa.
Estava sozinho novamente. Passados cerca de vinte minutos, chamou-o com gestos, pois não adiantava tentar gritar considerando o volume da música e a distância em que se encontrava. Assim que os dois estavam próximos o suficiente, finalmente tomou coragem.
- Qual seu nome? - perguntou Yunho, abrindo um sorriso no canto dos lábios.
The worst thing to cross my mind.
O ar repugnava-a, fumaça de narcóticos e insuportáveis bafos por conta de misturas envolvendo vodka, cerveja e energéticos. Enquanto caminhava em direção a porta do banheiro encontrava empecilhos que pioravam ainda mais sua situação – não bastasse a tontura e os pontos pretos na visão, desviar de jovens dançantes ainda piorava o medíocre estado em que estava. Luzes frenéticas de néon pareciam agora assustadoras, acompanhando-a e indo para qualquer lado que fosse. Respirar tornara-se difícil e maçante, exigindo de si vontade, vontade completamente sugada por aquela massa que lhe subia até a garganta, devagar e de jeito pavoroso como se consigo arrastasse tudo o que estivesse no caminho. A cabeça latejava e o crânio prestes à rachar agonizava o âmago.
Apoiou-se na porta de entrada do banheiro assim que alcançou esta, respirou fundo uma, duas vezes. Nada. Ou melhor, tudo – exatamente tudo o que não deveria estar sentindo. Merda de álcool. A verdade era que, por mais que gostasse, ainda era algo forte demais e ela não aguentava muitos goles de bebidas. Era a terceira vez que aquele tipo de coisa acontecia e, adivinhe só, a terceira vez em que bebia em festas. Começara por pura pressão vinda de amigos; Além do sentimento revitalizante de estar fazendo algo de errado, a vontade de ser como qualquer outro de sua idade, ser aceita no meio mesquinho onde vivia, era também grande. Bem, estar ali como uma moribunda jogada às traças não era o que esperava.
Outra vez o súbito bolor lhe subiu à garganta, deixando-a sem ar. Correu para um dos vasos sanitários como louca e jogou-se ao chão, abrindo nervosamente a tampa para enfiar o rosto e finalmente pôr para fora o incômodo da madrugada. Raspava-lhe a garganta o vômito, doeu e a força feita com o abdômen também fez os olhos lacrimejarem. Seus cabelos ruivos caíam ao lado do rosto, alguns fios colados neste – ao levantá-lo pode perceber, com o reflexo de um cano metálico, a maquiagem preta escorrendo pelas bochechas juntamente com o suor frio. Agachada no piso salubre, o antebraço estando então entre a testa cálida e o sanitário de temperatura contrária. Imaginava o quão ridícula estava, deplorável e desprotegida com as roupas cheirando à bebida, suor, vômito – seria vítima até de si mesma, com alguma piada infame e sem graça.
Leaving the limits / James and Marianne
Era um novo dia. Para falar a verdade, a tarde já chegava com fervor sobre a fria e encantadora Irlanda. O sol estava mais baixo essa hora, por sorte significava que teriam calor até determinado horário e assim James poderia sair dali com total liberdade de cair em alguma água gelada sem ter medo de acabar pegando uma pneumonia. O príncipe, animado ao ter se aproximado um pouco mais da bela dama, abriu um sorriso de lado e correu até o jardim para acompanha-la numa caminhada até o mercado. A mulher tinha pedido por companhia, e como dever de um futuro rei, tinha que atender os desejos da grande princesa da França. Apesar de banalizar qualquer tipo de regra que proposta pela corte, era mais aparência do que verdade. Apesar de tudo, ela tinha lhe chamado a atenção desde quando chegara as terras do reino a qual pertencia. Não por amor, mas sua beleza era estonteante e como um bom homem mulherengo, James começou a perseguir mais um rabo de saia que pôde.
- Milady - chegou correndo, atravessando corredores e pátios do castelo até alcançar a loira cujos fios eram dourados como ouro. Ele fez uma reverência como um bom educado filho de um rei e ofereceu o braço para Marianne, mantendo sua boa compostura. Um sorriso de lado brotou no canto dos lábios enquanto não deixava de notar cada detalhe tido na mulher. Ele também queria aparecer apresentável, uma vez que ela poderia ser sua esposa algum dia, já que era por isso que estava lá. Fazia questão de chamar a atenção, ou até mesmo se sentiria ofendido sendo largado para lá, como uma agulha estourando seu ego inflado. Apesar de tudo, era uma coisa que superaria - Me atrasei? Não era intenção, caso isso.
Respirou fundo e tentou conter seu coração palpitante por causa da corrida. Pensou ele que não devia ter se esforçado tanto, não queria estar suado ou mesmo fedendo, isso tiraria o charme de qualquer um. James balançou a cabeça em discordância com seus pensamentos e passou um das mãos no cabelo o ajeitando discretamente. Dessa vez os olhos corriam pelo caminho, se perguntando afinal, onde diabos era a trilha para o mercado. Uma coisa que ele nunca fizera fora sair das muralhas do castelo para onde viviam os camponeses, depois de ouvir barbaridades que comentavam sobre ele, ainda pequeno, preferiu se esconder de todo mundo e dizer que era um bom preguiçoso. Na medida que foi crescendo isso mudou, mas ainda tenta evitar ao máximo passar pelos caminhos onde pode ser visto.
-Não é porque eu pareço odiar á todos, que eu vou deixar duas meninas que mal sabem segurar uma espada morrerem quando eu posso ajudá-las. Estúpido.

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Mesmo não me metendo eu prestei atenção na conversa. E decidi ajudar, eu não sou tão antipático assim ok?
-Vamos Mozart. - Falei. - As garotas precisam de ajuda.