More Than Words | POV
Ryan nunca foi bom em esconder seus sentimentos e talvez não quisesse ser. Era necessário para sua posição em uma família real que soubesse mascarar o que sentia, mas por mais que seus pais houvessem tentado ensina-lo, as emoções de Ryan permaneciam estampadas em sua face claras como a água.
Entrou no salão junto com sua família. A postura do príncipe era rígida e seu olhar cravado na nuca de Roan. Estava preocupado com o irmão e continuaria assim até que sentisse que ele estava melhor. Sentou-se em seu lugar ao lado de sua mãe e quando o gêmeo sentou no seu outro lado, podia sentir o quão desconfortável ele estava, travou o maxilar, sua raiva aumentando.
Roan não queria aquela seleção e não era segredo para ninguém e Ryan desconfiava que ele tinha cedido porque os pais provaram que seria bom para o país e porque Ryan queria. Desconfiava que o irmão houvesse cedido porque não faria sentido uma seleção para apenas um dos gêmeos e queria Ryan feliz e agora indiretamente era culpa dele que seu gêmeo não estivesse contente. Não podia deixar de pensar que se Roan não estivesse naquela seleção, não estaria passando por aquilo.
Os Roosevelt haviam aberto as portas de sua casa - de seu país - para outros países em forma de uma aliança por casamento. Robert e Tatianna estavam confiando dois de seus bens mais preciosos – seus gêmeos – para casamentos que poderiam ser por amor em uma chance em dez e recebiam aquilo? Um ato imprudente de uma mulher que poderia estar machucando Roan. Ou melhor, não apenas uma mulher, mas uma princesa de um importante país, que entendia a importância de confiança e lealdade.
Ou ao menos deveria entender.
Ryan estava tão zangado que sua visão turvava e esperava não precisar dirigir a palavra para Adalizia porque não seria educado. Pelo menos não por enquanto. Ficava a todo momento se colocando no lugar de Roan e imaginando se fosse com ele. Ryan queria aquela seleção, queria se apaixonar por uma de suas selecionadas e queria se casar. Só de pensar que alguma delas poderia fazer isso com ele, enquanto ele se dedicava e desdobrava para agradá-las, conhece-las melhor e valorizar que elas haviam deixado seus países para estar em uma competição por ele, seu estômago embrulhava.
Ele entendia que a maioria estava ali porque foram induzidas por seus pais para conseguir uma aliança e sabia que era crueldade demais que no final a única certeza era que ele sairia casado com uma delas e por isso ele se doava para elas, assim como sabia que Roan fazia.
Respeito.
Era isso que todos deveriam mostrar uns pelos outros ali e quando Adalizia teve a oportunidade pela segunda vez de mostrar respeito ao seu irmão, ela mentiu para ele. Ryan escutava o que ela dizia e só conseguia pensar como ela conseguia ver apenas o lado dela, sem se importar em como Roan estava se sentindo, em como aquilo sim era importante para a imagem do país dela. Infelizmente realezas retratavam seus países. Eram seus países quando viajavam porque se não fossem, para que serviam afinal? Se alguém ainda tinha dúvidas sobre aquilo, começava a questionar se sabiam realmente o que era governar, ser líder de uma nação e se doar para ela.
Quanto a Achille, Ryan ainda estava muito perdido com o amigo, mas não mais com raiva. No primeiro momento quis mata-lo por ser tão imprudente e ferir a confiança de alguém que o príncipe tanto ama. Achille era o amigo que os campos de batalha havia lhe dado. Uma amizade pouco provável, já que atuavam em braços diferentes das Forças Armadas e nem isso evitou que criassem um laço forte de amizade, companheirismo e confiança porque sim, Ryan precisava confiar sua vida a Achille quando estavam trabalhando e confiava de olhos fechados. O Tenente deveria ter sido mais cuidadoso e descoberto antes de tudo quem eram as selecionadas, como muitos lembraram no julgamento, mas sabia que ele não tivera tempo para isso.
Surpreendia-o que Achille Knight, um exímio militar tivesse sido tão imprudente, mas sabia que o arrependimento lhe estava corroendo os ossos porque conhecia-o. Faria o possível para ajuda-lo porque ele havia sido sincero e contado para Ryan, mas não isentaria ele da culpa que tinha, por mais que fosse menor que a da princesa chinesa aos olhos do príncipe.
Por isso Ryan ficou quieto e não deu sua opinião para Roan. Apenas fez o que gostaria que o gêmeo fizesse por ele: permanecesse ao seu lado, não importava para o quê.
Quando suas selecionadas começaram a dar suas opiniões, Ryan focou nelas. Aquele julgamento era para Adalizia e Achille, mas era o momento oportuno para Ryan avaliar as princesas que estavam ali competindo por ele. Através da opinião de cada uma delas ele poderia conhece-las melhor e saber qual seria a posição delas em assuntos tão importantes assim, onde envolviam pessoas queridas e decisões diplomáticas.
Rhaella estava séria como Ryan nunca tinha visto. O olhar doce não estava presente e sua calma que Ryan tanto gostava não era a mesma. Ele podia ver ali uma admirável governante em ação, mas não concordava de todo com o que ela dizia. Rhaella era amiga de Adalizia e punia mais fortemente Achille que a chinesa. Margarida também o surpreendeu pela seriedade e quando ela olhou para Ryan, o rapaz sentiu-se suavizar sua face um pouco. A princesa portuguesa não conhecia bem os dois envolvidos no julgamento e Ryan pensou que aquilo pudesse não turvar a mente dela, tomar partido, mas novamente viu o lado mais fraco – Achille – sendo punido mais fortemente.
Luna o fez relaxar as mãos que estavam em punhos. A visão dela era clara e justa. Via o erro de Adalizia, sabia da importância de se tomar cuidado com as relações com a China e mostrava que o erro do tenente era grave, mas não tanto quanto colocado ali.
Quando foi a vez de Elena, podia ver o rosto dela manchado por lágrimas. Aquele rosto alegre não era o mesmo e lhe doía vê-la assim e quando ela se dirigiu a ele, acreditou em suas palavras. Haviam feito um acordo de sinceridade e confiava nela. Suas lágrimas fizeram Ryan perceber o quanto Adalizia era importante para ela, mas de novo não concordava com mais uma selecionada.
Excluir Adalizia da seleção não seria puni-la de nenhuma forma visto que a mulher não queria estar ali pois se quisesse, teria dado mais atenção e respeito as regras. A Roan. Surpreendeu-o elas acharem que os Roosevelt balanceariam alianças importantes por causa apenas de uma seleção, mas o fato era que não era apenas uma seleção. Era uma forma de aliança entre países e quem estava enfraquecendo essa relação era a própria a princesa Chinesa. Ela não pensara nas consequências, então por que exigiam isso de seu irmão? Por que ele deveria pensar quando a outra não o fez?
Aurora não havia comparecido devido ao seu estado ainda não muito bom de saúde e por mais que Ryan quisesse ela ali, entendia a situação, mas novamente não conseguia conhecer mais dela.
Quando foi a vez de Katerina, ela levantou-se imponente como sempre era e dirigiu suas palavras para os Roosevelt e quando ela falou sobre Achille, achou severo demais e não concordou com tudo, mas quando suas palavras voltaram para Adalizia e Roan, não podia estar mais surpreso em como pensavam parecidos porque nunca esperou que ele e ela fossem concordar com algo. De suas selecionadas, ela foi a que mais pensou em como aquilo estava atingindo Roan e isso fez com que Ryan a visse novamente com outros olhos.
Ryan só podia pensar em como aquele julgamento lhe dera uma nova perspectiva das suas selecionadas. Como que em poucos minutos que elas haviam sido permitidas a falar, ele pudera ver tanto de cada uma. Ver como se tornavam sérias quando precisavam, valorizavam a amizade, a facilidade de punir alguém que não se conhecia, mas também a dificuldade de punir alguém que se amava mas agira errado e também a empatia – ou falta dela – para com Roan, seu irmão gêmeo a quem tanto prezava.
Por fim era chegada a hora de Roan dar sua palavra final e Ryan saiu de seus tumultuosos pensamentos e lançou um olhar de confiança e força para o irmão. Ele agiria certo e justo e teria total apoio de Ryan independentemente de sua decisão porque Ryan conhecia o caráter e índole do gêmeo e assim confiava no julgamento dele.














