Pocahontas - 1993 A princesa do novo continente é uma bela representação de feminilidade, por toda a sua vida ela cresceu e conviveu em meio à natureza. Para muitos - incluindo os marinheiros que partiram de Londres em busca do Novo Mundo -, os povos nativos podem parecer alienados à modernidade e por isso atrasados na sua evolução. Mas este julgamento não poderia ser mais equivocado, pois justamente por terem um estilo de vida natural isso permite aos nativos ter uma conexão muito maior com valores que são verdadeiramente essenciais ao ser humano, trazendo para a animação um simbolismo espiritual - não religioso -, que se revela através da interação que Pocahontas tem com os animais e com a natureza.
Pocahontas também demonstra diversas características que reforçam o poder de sua personalidade e também feminilidade, como: leveza, alegria, espontaneidade, curiosidade pela vida, espirito aventureiro, enxergar além das aparências, observação, sabedoria, saber ouvir seu coração, sentir e não fugir das suas emoções, coragem para ser fiel ao que acredita, fluir com a vida e principalmente com as mudanças que são necessárias à todos nós. Na minha opinião, até o momento, ela é a personagem que melhor representa o que é ser uma mulher feminina e autentica.
Ela também demonstra ter dúvidas e uma incrível vontade de descobrir qual é o seu caminho, e é justamente ouvindo a sua intuição que ela se torna capaz de ver além dos preconceitos, para finalmente tomar uma decisão que irá mudar sua vida para sempre. É neste ponto da história que Pocahontas supera em sabedoria tanto os homens guerreiros do seu próprio povo, como os marinheiros de terras distantes que se dizem civilizados, mas que não percebem a própria ignorância. Ao seguir seu coração e falar com a verdade que existe dentro de si mesma, Pocahontas se fez ser ouvida, demonstrando maturidade emocional mesmo sendo uma jovem mulher, que foi sim subestimada, ela soube como lutar esta batalha, não com armas ou com força, mas com discernimento e verdade.
O romance é mais como um tempero, que funciona muito bem na história, e que tem feito falta nas animações de hoje, onde as mulheres mal se permitem demonstrar qualquer tipo de afeto aberto e vulnerável pelo masculino. Pocahontas não escolhe John Smith apenas por ser alguém novo, diferente e bonito, ele mostra ser um homem de coragem e inteligência, que apesar do papel que desempenha possui valores que o guiam, e que está aberto a aprender mais sobre o mundo dela (aqui me refiro à 1ª animação, já que na continuação quiseram dar outra direção para o personagem dele, devido a história original na qual o enredo foi baseado). E apesar do sentimento recíproco entre ambos, no final Pocahontas escolhe ficar com seu povo, ao invés de viajar com John para Londres. Aqui entra um ponto interessante, uma mulher verdadeiramente feminina não é aquela que se entrega às suas paixões de forma avassaladora e impulsiva, ela tem maturidade para discernir e se manter fiel à quem ela é e aos seus valores em primeiro lugar, mas sem esconder ou negar o que sente. Infelizmente isso é algo que hoje em dia é muito distorcido nos filmes e livros, onde as mulheres reprimem seus sentimentos e tem uma postura muito mais distante de seus pares românticos, como se demonstrar fragilidade fosse um crime. Por isso, considero Pocahontas uma preciosidade do cinema, tanto pela protagonista feminina, como por sua conexão com a natureza, e portanto com seu lado espiritual. E sim, feminilidade e espiritualidade andam em conjunto, de outra forma não há como ter acesso à nossa verdadeira essência. (@feminilidade)
nota: ⭐⭐⭐⭐⭐













