Death/Dead Angel || Leonid Zherdevâs POV
Havia algo estranho naquele lugar, havia algo de estranho com aquela noite e definitivamente havia algo de estranho com aquela MissĂŁo. Ao redor do Shadowhunter haviam corpos e mais corpos de Warlocks espalhados por aquela viela russa, a unica coisa que iluminava os seus olhos sem vida eram as chamas que tinham ao redor em latas de lixo
-Orel... - dizia Leo, ofegante após a batalha que ocorreu ali, ele e o irmão mais velho tinham acabado de cumprir uma das missÔes ordenadas pela Clave, mais uma das missÔes que é claro, tinha sido transmitida pelo próprio Orel como diretor do instituto de Moscou
-O que foi, meu irmĂŁo? - perguntava Orel, de costas para o irmĂŁo mais novo, com um tom de voz quase risonho, mas com um ar frio em sua forma de falar
-Orel... Acho que hå algo estranho aqui... - Leo estava inquieto, aquela missão havia sido estranha, até mesmo para as que eles recebiam ultimamente da Clave. Tudo estava muito estranho, desde o momento em que pisou ali, desde o momento que cortou o primeiro dos inimigos - Tem certeza? Eliminar um grupo pequeno de Warlocks? Desde quando isso é--
-Meu irmĂŁo... - Orel o interrompia no mesmo tom, somente virando um pouco o rosto - Sabe muito bem como um grupo de submundanos pode ser perigoso - ele se virava para o irmĂŁo, em seu rosto havia um sorriso calmo, mas havia algo sinistro em tudo aquilo - NĂŁo esqueceu de todas as vezes que jĂĄ enfrentamos inimigos juntos, nĂŁo Ă©?
-DemĂŽnios... NĂŁo Warlocks... Orel... Eram pessoas - o tom de Leonid era sĂ©rio, preocupado, mesmo para todo o racismo que a famĂlia tinha costume de impor sobre os outros seres do mundo das sombras, aquilo havia ido longe demais
-Pessoas? - ele ria para dentro - VocĂȘ Ă© muito inocente... mesmo tendo tanto sangue nas suas mĂŁos, irmĂŁo... Isso era preciso, afinal, foi uma ordem minha, nĂŁo? EstĂĄ por acaso duvidando da minha autoridade? - o tom de Orel se tornava passivo agressivo rapidamente, ainda que mostrasse uma calma quase sinistra, cĂnica no rosto. Ele cruzava os braços - NĂŁo vamos ter que ir por tudo o que aconteceu antes quem nem aquela vez com a Ivashkov, nĂŁo Ă©?
Leonid mantinha o silĂȘncio, ainda que seus punhos se apertassem em uma manifestação contida de raiva. Orel percebia isso, mas apenas o fazia soltar outra risada para dentro - Foi o que eu pensei - Orel se virava na direção contrĂĄria e ia na direção do ultimo Warlock que haviam derrotado, a LĂąmina Serafim dele ainda estrava cravada no coração do mesmo. O Shadowhunter se aproximava do corpo, pisava em seu ombro e puxava a lĂąmina de volta para a sua mĂŁo, observando o sangue por um momento.
Leonid observava toda a cena ainda pesaroso, tentando, no olhar para os lados, perceber qual era o seu erro... Mal ele sabia que o erro estava em confiar naquele que estava logo na sua frente, mas era de se esperar, ainda que ferido, o coração de Leonid sempre tentou bater puro com os ideias com que ele adotou, proteger as pessoas, usar sua lùmina para preservar a vida, não a tirar, tanto que não conseguia ver através do véu de cordialidade que o irmão mais velho vestiu a vida inteira, alias, ninguém conseguia, nem mesmo a mais inteligente de seus amigos conseguiu ver o rato que aquele homem verdadeiramente era, mas naquela noite, naquela missão, naquele momento... Era tarde demais
Olhando para uma das latas, junto de mais lixo que ali estava, Leonid notava movimento, completamente ignorado por Orel, que ainda observava o corpo do warlock que havia abatido por ultimo. Leonid se aproximava e retirava um dos lixos, se deparando com um rosto de uma criança completamente assustada, olhos grandes, expressão vazia, completamente em choque - Pelo anjo. - dizia o Shadowhunter tentando conter a surpresa, para não assustar a criança, a alcançando e tomando-a nos braços -Orel! - gritava para o irmão - Precisamos de ajuda agora mesmo! tem uma criança aqui!
Orel finalmente se virava, mostrando interesse no assunto, com uma expressão de preocupação no rosto - Uma Criança!? - ele se aproximava apressado - à uma Niphelim?
-Acho que não... - dizia analisando a criança com os olhos, e logo encontrava um pequeno par de chifres na testa da mesma, ocultos pelo cabelo, que ele descobria com a mão - Warlock
A expressĂŁo de Orel acalmava instantaneamente, voltando o sorriso para o seu rosto - EntĂŁo estĂĄ tudo bem
Leonid era interrompido por um vulto brilhante, um corte no ar. A lãmina Serafim de Orel descia impiedosamente contra o meio do corto da criança, separando o tronca da mesma no meio e ainda fazendo um corte superficial na bochecha direita do irmão mais novo.
-Pensei que era algo importante - completava, sem preocupação alguma na voz
Leo demorava um momento para poder raciocinar o que havia ocorrido ali, o que tinha acabado de acontecer, enquanto o corpo da criança caia em seus pĂ©s. NĂŁo, nĂŁo era possĂvel, aquilo era demais, Orel havia ordenado matar os warlocks porque eram uma ameaça... nĂŁo Ă©!? Ele nĂŁo matou uma criança indefesa no colo de Leo, nĂŁo, nĂŁo era possĂvel - O que vocĂȘ fez? - perguntava sem emoção alguma na voz
-Meu irmĂŁo... - Orel limpava o sangue da sua lĂąmina na roupa do corpo da criança aos seus pĂ©s - Acho que chegou a hora de vocĂȘ saber de algumas coisas... Me cansa te ver tĂŁo denso sem saber o que acontece de verdade ao seu redor
Leonid observava o cenĂĄrio ainda deixando a ideia do que havia acabado de acontecer entrar na sua cabeça, mas ainda era difĂcil de acreditar. Seus olhos marejavam, suas mĂŁos tremiam, ele olhava para as prĂłprias palmas, as suas luvas sujas pelo sangue de warlock, ele sentia o calor do liquido, havia sentido a criança em seus braços, sentia o gosto do sangue que escorria da sua bochecha, nĂŁo tinha como duvidar mais. A expressĂŁo de Leonid se fechava instantaneamente, fazendo jus ao seu nome, como um leĂŁo que rugia - O QUE VOCĂ FEZ!?
A expressĂŁo de Orel se fechava tambĂ©m, era a primeira expressĂŁo sincera que ele dava naquele momento. Ele se aproximava do irmĂŁo com raiva e nojo no rosto e nas palavras -SABE O QUE EU FIZ? SABE O QUE EU FIZ, IRMĂO IDIOTA!? - ele rugia em resposta a Leo - Eu fiz o certo!
a ExpressĂŁo de Leonid nĂŁo podia expressĂŁo mais confusĂŁo e desgosto ao olhar para o irmĂŁo mais velho
-NĂłs... Shadowhunters estamos perdendo o nosso poder, a nossa autoridade! Somos a espada dos anjos para destruir esses... esses... Monstros! - suas palavras saiam rĂĄpidas, rĂspidas, ele parecia perplexo com a forma que o irmĂŁo reagia negativamente - LEONID! ACORDE! PRECISAMOS FAZER ALGO! PRECISAMOS REAGIR A ESS--
Um soco, um soco rĂĄpido e certeiro era feito por Leonid direto no maxilar de Orel, fazendo o gosto de ferro invadir a boca do irmĂŁo
O outro, que havia recebido o soco, nĂŁo reagia de imediato, recobrava o seu equilĂbrio e olhava de lado para o irmĂŁo - Nosso pai estava certo - ele cuspia sangue - VocĂȘ sempre foi um desgosto para os Zherdev... NĂŁo consegue nem ver a onde o seu dever repousa de verdade
Bem que o Shadowhunter havia começado a suspeitar, mas o irmĂŁo estava certo, ele sempre foi muito inocente, idealista, sempre buscava o melhor das pessoas, e no irmĂŁo, buscava mais ainda, por toda a sua vida. Mas era algo estranho, desde pequenos, brincadeiras, implicaçÔes... que iam alĂ©m das tĂpicas de irmĂŁos, idĂ©ias que conflitavam, discussĂ”es, preferencias paternas... E conforme foram crescendo, Orel sempre fora estranho, cheio de porĂ©ns, desculpas, segredos, coisas que simplesmente deixavam Leonid encucado, mas nunca o suficiente para duvidar da capa que o irmĂŁo havia construĂdo, mas nĂŁo agora, os pontos ligavam, as missĂ”es, os deveres, como sempre perdiam a chance de salvar alguĂ©m, como sempre falhavam em detalhes em missĂ”es... Tudo fazia sentido, por mais que Leonid nĂŁo soubesse explicar como, apenas fazia sentido - VocĂȘ.... EstĂĄ com quem fez aquelas coisas com os submundanos
Orel sorria sarcĂĄstico - NĂŁo Ă© tĂŁo lerdo quanto parece - ele batia palmas lentamente para o irmĂŁo mais novo, mantendo o ar sarcĂĄstico - Vamos... em nome da famĂlia Leonid, por uma unica fez, faça o certo, faça como o nosso Pai nos ensinou - seu tom agora era persuasivo, ele se aproximava apressado de Leo e apertava a sua mĂŁo como um cumprimento - Se una a mim, vamos acabar com esses lixos
Leo olhava direto nos olhos de Orel, não restava mais nada para sentir pelo irmão mais velho, se não decepção, as lagrimas escorriam, Orel nunca veria que o monstro ali, era ele mesmo. - Nunca... - respondia com a voz um pouco tremula e fraca, antes dele fechar os olhos por um momento, puxar o ar e então responder mais uma vez, dessa vez em plenos pulmÔes - NUNCA!
Leo sacava a sua stelie do bolso e ativava uma runa no seu braço direito: Força, se soltando do aperto de mĂŁo de Orel e o socando em cheio no peito, o lançando para trĂĄs, o fazendo cair agachado no meio do beco, levantando o rosto para o irmĂŁo mais novo, mostrando as suas verdadeiras cores, a raiva era clara, o Ăłdio era claro - VocĂȘ vai morrer aqui, Leo - ele se levantava lentamente, puxando a sua LĂąmina Serafim longa e a empunhando com força
A resposta de Leonid era imediata, feita em plenos pulmĂ”es -A minha vida inteira... A MINHA VIDA INTEIRA FOI NA SUA SOMBRA... EU TIVE QUE CRESCER SENDO O FILHO RENEGADO, O IGNORADO, EXCLUĂDO, VOCĂ TINHA TUDO E AINDA TRAI OS ACORDOS ASSIM!? TRAI O QUE Ă CERTO!? - Leo fechava os olhos, puxava o ar e tentava se concentrar por um instante
-Aquelas merdas do Musashi, nĂŁo Ă©!? - gritava Orel do outro lado da cena com ar egocĂȘntrico - Vamos ver o quanto isso Ă© Ăștil! - Orel avançava na direção do irmĂŁo mais novo, segurando a lĂąmina com as duas mĂŁos
Quando a lĂąmina de Orel estava pronta para cortar a carne de Leo, a milĂmetros de distĂąncia, eram bloqueados pelas lĂąminas do irmĂŁo mais novo, em um X, antes de abrir as lĂąminas para baixo, fazendo a lĂąmina de Orel Descer e entĂŁo leo acertava um soco no nariz do irmĂŁo, o quebrando e o fazendo recuar.Â
Leo firmava a postura, girava as lùminas na mão e então as empunhava com força, a lùmina da esquerda ficava na horizontal na frente da sua barriga e a direita ficava na altura da sua cabeça em ùngulo - ISSO ACABA AQUI!
Os dois irmãos avançavam um contra outro, ambos gritando com toda a sua força e empunhando suas armas para por um fim naquela rivalidade que durava duas vidas. A batalha era feroz, as lùminas dançavam no ar, de um lado havia o treinamento tradicional e medieval passada de shadowhunter para shadowhunter, a pråtica de luta que era quase cerimonial de tão carregada de história ela tinha, criada para matar demÎnios, controlar os monstros e proteger os humanos, mas que estava sendo usada para o completo oposto. Do outro lado, Ichi Niten-Ryu, as duas espadas de Leonid que cortavam o ar, deixando somente o som para trås, råpido e feroz, criado para a guerra, mas para preservar a vida, aperfeiçoada por séculos por um certo warlock que ficou conhecido como o demÎnio dos campos de batalha, era o estilo que Leo usava e guerreava com o mesmo
-VOCà NOS USOU! - Gritava Leo quando eles colidiam num embate de forças - VOCà ME USOU, USOU OS NOSSOS AMIGOS, USOU A TODOS!
-EM NOME DE UM BEM MAIOR!Â
-UM BEM MAIOR!? VOCĂ PROVAVELMENTE CAUSOU UMA GUERRA, VOCĂ, VOCĂ SĂ CAUSOU MERDA POR TODO LUGAR QUE VOCĂ PASSOU!
-VOCĂ NUNCA VAI CONSEGUIR ME PARAR. VOU MATAR A TODOS SE EU PRECISAR. VOCĂ, NIKOLAJ, ANYA, VIOLETTA, E QUEM MAIS EU PRECI--
Orel era interrompido por um grito de fĂșria que Leo, que cobria qualquer coisa que ele pudesse falar, junto com uma força descomunal que ele puxava com todo o esforço. Primeiro, Leo quebrava a defesa do irmĂŁo, o fazendo levantar a LĂąmina, em seguida, lhe fazia um corte nas mĂŁos, o fazendo soltar a tal arma com um segundo movimento fluido e por fim, puxava as suas prĂłprias lĂąminas para trĂĄs, girava uma delas, para assim ter uma lĂąmina virada para cada lado e as avançava, fazendo o som de carne sendo cortada ecoar por todo o beco.
Tudo congelava por um momento, apesar de tudo que havia acontecido, aquele era o seu irmĂŁo mais velho, aquilo parecia matar Leo por dentro, nunca pensou que faria algo assim. O Shadowhunter puxava as lĂąminas de volta, as tirando do peito de seu irmĂŁo mais velho, que aia no chĂŁo, encarando o irmĂŁo mais novo
-Vo.. VocĂȘ.... Desgra...
Antes que ele pudesse cair no chão, Leonid se jogava, o segurando nos braços, como havia feito anteriormente com a criança. de joelho no chão, sentindo o sangue do irmão escorrer por baixo dele, junto de todos os outros que eles derramaram anteriormente, ele não podia fazer nada se não gritar, gritar de raiva, de dor, de tristeza, até ficar sem voz
Uma figura ensanguentada, carregando um corpo adentrava o instituto de moscou, atraindo os olhos de todos os Shadowhunters que ali estavam. Era impossĂvel aquela cena, nunca teriam sequer sonhado com algo como aquele acontecer. Leo parava no meio do saguĂŁo do instituto, o corpo de Orel nos braços, o ferimento ainda aberto, por mais que coagulado, ele estava imundo, com sangue por todo o corpo, sua expressĂŁo era completamente fechada e ele sequer buscava os amigos com o olhar, apenas bradava
-OREL ZHERDEV ESTĂ MORTO. ELE NOS TRAIU.