A noite seguiu exatamente como o planejado; nenhum drama exagerado, nenhuma intercorrência que não pudesse ser ignorada apenas ao olhar para longe. Exatamente como o instituto mais precisava naquele momento. Alunos felizes, significava menos perguntas, e que eles esqueceriam mais rápido da tragédia. Não era por isso que a universidade queria ser lembrada, e gastariam todos os seus recursos para sumir com essa reputação.
Ao menos, seguiu assim até os sinos da capela tocarem três vezes. Não era o programado, e a maioria dos alunos sequer ouviu por acima da música que inundava o salão, mas eles, não tiveram essa escolha. O som invadiu a mente de alguns. Apenas os marcados tinham tal sensibilidade, e ao fim do terceiro toque, eles já não respondiam por si mesmos. O olhar de cada um dos especiais ficou vidrado, sem brilho e foco, e sequer souberam o que os guiou noite adentro, abandonando o que faziam no meio, e incapazes de dar uma satisfação para quem os viu mudar de atitude abruptamente.
Um a um, os mesmos estudantes que se reuniram naquela outra noite, — a noite da primeira festa, a que os tornaram marcados, — marcharam em direção a onde tudo começou. Alaric Montague foi o primeiro a romper pelo corredor mal iluminado, seguido por Jolene Elderwood, alguns passos atrás. Eles não interagiram, mas foram os únicos a serem capturados pelas câmeras de segurança. Jolene ergueu o olhar para a lente, e foi seu rosto a última imagem gravada antes da tribulação que precedeu a falha técnica. A imagem só voltaria a ser registrada pela manhã.
Alaric pode ter aberto a porta, mas foi James Kirkham quem a fechou depois que todos já estavam reunidos. A câmera não o filmou, mas os olhos curiosos de uma caloura o seguiram até a imagem do homem sumir atrás da madeira escura. Poderia ter sido chamado de Déjà vu, se algum deles pudesse se lembrar. A questão principal era que, nenhum deles tinha a intenção de fazer nada disso. Ninguém planejou um encontro camuflado pela noite festiva, ou soprar segredos em uma sala vazia. Sequer notaram os próprios corpos agindo alheios a suas vontades, não havia consciência ou culpa. E sem consciência, também não sabiam quanto tempo se passou desde que suas mentes e corpos foram sequestrados, até que, em um estalo, o controle pareceu ser devolvido.
Mas o quão assustador é descobrir que não se tem controle sobre si mesmo?
Quando se deram conta, estavam em outro lugar, sem saber como chegaram ali. Reunidos na companhia das mesmas pessoas com quem compartilharam os riscos de um jogo que não compreendiam. Sobrou apenas a confusão verdadeira quando o transe se encerrou. Trocavam olhares perdidos, procurando nos rostos familiares alguma explicação que os ajudasse a entender o que aconteceu. E foi em meio aos sussurros hesitantes, que murmúrios de incômodo tomaram vez entre os outros. Lentamente notaram o cheiro metálico do ambiente, e a voz de Roswitha Delacroix que denunciou o sangue que escorria dos braços de Ruyan Hao, chamando atenção do grupo para ela. A preocupação se dividiu entre eles quando notaram que não era apenas Liberti quem tinha cortes irregulares espalhados pela pele, — alguns apenas arranhões avermelhados, e outros tão fundo que o sangue escorria em fio, pingando no carpete escuro. — Moon Seonghan também tinha os cortes, a fantasia agora manchada de vermelho vivo, e aos poucos, outros notavam também terem as mesmas marcas, embora bem menos agressiva que dos dois.
Não bastasse toda a estranheza da situação, a atenção temerosa os atrasava de notar todos os problemas que os cercavam de uma vez. Não era apenas um acidente, algo os queria ali, e nenhum deles sabia como ou por quê. A sala de convivência, normalmente tão confortável, agora se apresentava em ruínas. Os livros foram espalhados no chão, as imagens religiosas vandalizadas com riscos grosseiros e os três crucifixos pesados pendiam invertidos nas paredes. Almofadas estavam cortadas e espalhadas em uma bagunça de espuma e tecido rasgado, gavetas reviradas e seus conteúdos espalhados pelo espaço.
Gideon Harrowgate foi o primeiro a notar a mancha carmesim escapando pela borda de onde o papel de parede fora rasgado, o topo do papel estava preso por um dos crucifixos deixando o papel com uma aparência estufada e amassada. E foi sua observação que levou Korn Veerapol a puxar o revestimento de uma vez, revelando a mensagem escrita em tinta vermelha fresca. Tinta não, a mensagem foi escrita com o mesmo sangue que vertia dos cortes de alguns estudantes, e o cheiro não deixava dúvidas.
Eu esperei por tempo demais, e agora vou tomar o que é meu. Vocês me convidaram a entrar e eu não vou embora de novo.
O silêncio tomou o espaço depois que a mensagem foi lida, talvez se prestassem atenção poderiam ouvir os batimentos cardíaco acelerado um dos outros, mas o medo era mais urgente. A necessidade de se protegerem era o sentimento mais forte que compartilhavam. Nem mesmo a dor poderia os distrair disso, e assim ninguém pareceu notar Friedrich Schulz-Weber e Mùchén Wang escondendo as mãos sujas de sangue nos bolsos, tentando afastar as suspeitas do que quer que tivessem feito.
avisos ooc:
Com isso encerramos nossa festa, podem interagir fora do evento ou continuarem em flashback.
Ok galera, o que acontece é que antes do fim da festa, perto do amanhecer, eles foram levados novamente até a mesma sala onde tudo começou. Dessa vez, não houve convite, eles não sabem o que os reuniu, ou quanto tempo ficaram em transe. Quando retomaram a consciência, se viram no meio de uma sala destruída, com alguns colegas machucados, e uma ameaça pintada na parede.
Como eles saíram dali, ou com quem, é escolha de vocês, mas Jolene, Alaric e James foram chamados na reitoria para responder sobre o vandalismo na sala, já que os dois primeiros foram filmados na cena do crime, e o James foi visto por uma testemunha. Se eles entregaram alguém, é com vocês. E se quer que seu muse seja pego também, pode dizer que eles foram vistos na procissão até o ponto de encontro deles.
A reitoria está decidindo a punição que os envolvidos sofrerão, mas ainda quer investigar quem mais está envolvido no vandalismo.
Mesmo sem ser citado, podem fazer seu muse ter marcas ou outros sinais que os façam estar envolvidos com o que aconteceu. Se precisarem de ideias, falem com a gente.
E obrigada para todos que se ofereceram para o plot drop, ainda tem muitos outros para citar vocês, então não se preocupem se não entraram nesse.
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