Enquanto leio as letras pequeninas do meu livrinho novo de poesia, penso em ti. Ali me bate uma saudade gostosa, aquela saudadezinha que sentimos mas sabemos que em algum momento vamos supri-la. Num lapso, lembro-me quando lhe expliquei a diferença do "sentir falta" e da "saudade", uma teoria tirada de um dos meus livros favoritos, e que em nada surpreendeu você ao dizer-te que era sobre uma princesa. Com um sorriso bonito no rosto e olhando-me com seus olhos azuis disse: "não consigo imaginar você lendo nada diferente do que coisas de princesas" e eu ri, por um instante senti-me uma criança e minhas bochechas devem ter rosado. Teve dias que dormira no meu colo enquanto lhe fazia cafuné e te contava algo, quando acordava, me pegava chateada por não ter me escutado, pedia-me desculpa e ainda dizia que a culpa era minha, por usar uma voz melodiosa e mãos tão macias. Separo uma poesia para ler para ti no fim de semana quando estivermos juntos novamente, sei que vai apreciar o momento, você diz gostar de como conto as coisas com tanta empolgação, e mais ainda quando as descrevo calmamente sem tirar os olhos dos teus em um tom baixo e claro da voz mais doce que tenho a lhe entregar.