Os 43 cavaleiros sobreviventes da grande batalha de Betellfour, liderados por Pehrin, o gentil, cavalgam calmamente onde antes era um lindo e plano campo de relva baixa, agora, um mar de corpos mutilados, expostos aos animais carniceiros. De longe se avista um pequeno menino sujo de terra e sangue, correndo em direção aos cavaleiros, pulando e tropeçando em corpos e membros arrancados, alguns tão desfigurados por cortes e pisoteio que chegam a ser irreconhecíveis em meio a toda lama. Esse menino é o filho mais novo de Pehrin, Apôg, com 8 anos de idade está sempre nas batalhas com seu pai, ele adora o cheiro de lama, sangue e bosta misturados, que só uma batalha recém terminada pode proporcionar. Chegando aos cavaleiros, Apôg fica ao lado do cavalo de seu pai, um cavalo pardo assustadoramente grande, ainda imponente, mesmo com o corpo expondo as marcas do confronto que acontecera instantes antes. Apôg, menor que as pernas do cavalo, olha pra cima com um olhar alegre e pede a espada de seu pai. Com um sorriso quase imperceptível, Pehrin, com dores em todo seu corpo, segura firmemente no cabo de sua espada e a ergue devagar, revelando calmamente uma lâmina agora praticamente sem fio, partes amassadas e totalmente encardida de restos de quem foi atravessado, dividido ou apenas surrado com ela. No momento em que a ponta da lâmina sai da bainha, Pehrin solta a espada, que craveja no pouco espaço de terra entre o pé direito de Apôg e um corpo com a metade do rosto esmagada por uma pedra. A espada tem o tamanho de Apôg, mas ainda feliz e com muita energia, ele agarra o cabo da espada com suas duas mãos e começa a arrasta-la com uma certa dificuldade. A sensação do arraste da lâmina da espada nos corpos jogados, o rasgar de peles, sentir o poder que um pedaço pesado de aço tem em suas mãos, é o que Apôg mais aprecia nos momentos com seu pai.