Eu não queria ter sido moldada pela minha dor, pelos meus traumas. Não queria minhas decepções fazendo parte da minha personalidade. Com certeza eu brilhava mais quando era menos endurecida, mais ingênua, inocente. Mas a vida me deu calos, após inúmeras quedas, inúmeras noites de sono perdidas, inúmeras vezes que tive que me desprender de algo que não cabia a mim segurar. Eu perdi, eu ganhei, eu sorri, eu chorei. Cada alto e baixo escreveu a minha história, o que sou hoje é fruto de uma série de escolhas, uma série de erros, alguns acertos, alguns remendos. Não fique frustrado por constatar que eu mudei, não dá pra ser mesma depois de tudo o que eu passei. Minha versão inicial era tão inocente, talvez mais feliz, mas não sei como voltar a ser ela e nem quero. Descobri que esse mundo caça faíscas de luz para apagá-las, ou você se endurece ou é esmagado. O tempo vai te atropelar se você não pegar o embalo, a vida vai passar diante dos seus olhos. Então junte sua bagagem, apresente suas cicatrizes, adquira suas experiências, repasse o que aprendeu, use aquilo que têm, já caímos algumas vezes no passado, vamos cair no futuro também. Porque a vida não para, não tem pena, não está preocupada com o que sentimos. A vida é dura, é disciplinadora, é uma professora, daquelas que nunca abrem mão de seus alunos. E a nós só nos resta aprender as lições, passar pelos testes, enfrentar a troca de estações, enquanto buscamos nossos próprios objetivos. Apesar da pressão, não tenha pressa. Tempo e vida passam, mas não são a mesma coisa. O tempo você vai usar com sabedoria, pra fazer valer a sua vida. Eles não se imitam em significado, se completam. Então vai lá, mostra pra vida o que o tempo lhe deu e não perca as esperanças