˖ ࣪ ʿ ao contrário do que maxime queria passar, o medo era algo constante nos últimos dias. desde o seu primeiro e incomum pesadelo, o semideus estava inseguro. o acontecimento não foi esperado, a poção deveria lhe deixar desacordado mas não permitir que fosse para o mundo dos sonhos; sua maldição não lhe permitia dormir, não lhe permitia sonhar… a não ser que fosse com a morte de tabatha. o luto pela amiga que faleceu há quase três anos estava mais presente do que nunca, naquela época do ano sempre era mais difícil. tentado a descobrir se foi um evento único, maxime dirigiu-se novamente para o punho de zeus onde podia se esconder na entrada desativada e lacrada do labirinto. o frasco frio em suas mãos trêmulas parecia mais pesado do que nunca, estava de noite e o semideus seguia com o manto de selene lhe ocultando das harpias. a escuridão e a solidão eram suas únicas companheiras naquele momento pois o acampamento todo já estava desacordado tendo passado o toque de recolher; bebeu então a poção com um suspiro de resignação, deitando-se no chão, esperando o alívio que o descanso induzido prometia.
mas a paz não veio.
em vez disso, maxime foi arrastado para um cenário ainda mais perturbador do que a realidade. estava de volta ao acampamento, mas o ambiente estava envolto em uma escuridão mais opressora quase sufocante. a casa grande estava em chamas, as labaredas dançando como demônios enfurecidos e famintos, era o que iluminava a noite com aquele brilho sinistro. o calor agoniante e o som crepitante das chamas era a única coisa que quebrava o silêncio mortal.
onde estava todo mundo? haviam evacuado o local? ou estavam todos mortos?
então ele viu novamente… a figura encapuzada. desta vez a aura da magia que cercava a figura era branco e dourado, emanava uma energia ameaçadora pois se misturava com as chamas. a figura estava imóvel, observando a destruição com uma calma que fez o sangue de maxime gelar. ela apontava para a casa grande, mas permanecia imóvel.
maxime tentou gritar para procurar os amigos, mas sua voz foi engolida. novamente, era como se estivesse grudado no chão, como se não pudesse evitar a situação que ocorria, sentia-se preso e impotente. seu corpo estava paralisado e não sabia se era preso pelo terror ou pela magia da criatura. os olhos da figura agora eram azuis para sua surpresa, mas sua face estava oculta ainda sob o capuz; o olhar gelado parecia perfurar sua alma, vendo através de suas defesas e examinando seu medo, buscando seu maior medo. o filho de afrodite sentia o desespero crescendo dentro de si, uma onda de pânico que ameaçava afogá-lo. e como se isso já não estivesse ruim, a figura encapuzada começou a se mover, lenta e deliberadamente, aproximando-se de maxime.
no meio do caminho, a figura de se transformava em tabatha, a filha de hipnos. “você me deixou para trás, elói, você me deixou morrer.” a voz que há tanto tempo não ouvia, soava triste, magoada. “eles vão te deixar também. todos eles. nenhum ficará para trás com você, todos irão embora.” apesar de ser a voz da amiga, aquelas palavras nunca sairiam da bonda de tabatha, a garota sabia de suas inseguranças e nunca usaria isso contra si.
ou usaria?
“cale a boca. cale a boca. isso é um pesadelo. você está morta!” acusou. a voz parecia ter sido encontrada pois conseguia falar, conseguia repreender a figura da falsa amiga.
a semideusa sorria fracamente de maneira melancólica, assentindo positivamente então com a cabeça. “eu estou. e logo todos eles também estarão. você verá cada um deles morrer. todos eles te deixarão e então… você estará sozinho. não terá que escolher ninguém para salvar, elói.” a magia dourada e branca pulsava com uma intensidade assustadora parecendo cobras deslizando para cima de si, subindo por suas pernas, seu peito, até se instalar em seu pescoço. o filho de afrodite sentia-se como uma presa prestes a ser devorada. a sensação de desconexão e impotência o esmagava. ele estava à mercê do pesadelo, incapaz de lutar, incapaz de escapar.
a figura então se transformava novamente, desta vez em lucian. o olhar acusador em seus olhos o fazia parecer desapontado consigo. “não posso continuar aqui, preciso ir embora. dessa vez eu não irei voltar, percebi que a vida aqui não vale a pena.” a voz dele era um eco gélido na noite, as palavras uma lâmina que cortava seu interior. diante de si, lucian virava cinzas porque o fogo o alcançava. maxime gritou, as lágrimas caindo de seus olhos; as cinzas do amigo logo voltavam a se juntar, formando mais uma imagem distorcida de outro campista. beatrice. era a vez de beatrice lhe olhar com a feição abatida, a angústia clara em sua face. “esse lugar vai me destruir, eu não vou ficar aqui e esperar isso acontecer. adeus.” o soluço da semideusa era perdido no ar quando mais uma vez o fogo tomava conta e a transformava em cinzas. em seguida vinha iam figura dupla, se prestasse atenção, veria que a imagem se dividia em dois pelo quadril; como se a magia não se desse ao trabalho de construir dois copos completos. yasemin e joseph. “nunca estivemos realmente com você. era só uma questão de tempo até percebermos a verdade.” os olhos deles estavam vazios, sem qualquer traço de compaixão ou amizade que sempre enxergava quando olhas para ambos.
as cinzas ficaram mais escuras quando o fogo tornou-se mais quente. algo estava errado, tremendamente errado. veronica e christie apareciam juntos também, mas diferente dos outros, estavam sem cor alguma, pareciam estar mortos. as veias vermelhas nas faces eram o único ponto colorido nos semideuses. “todos te deixarão, maxime. não há lugar para alguém como você.” o rosto do irmão era uma máscara de desprezo, as palavras saindo como veneno. christie se desfez, deixando para trás apenas veronica. a semideusa lhe encarava da pior forma possível: sem emoções aparentes. “você me escolheu, mas eu nunca escolheria você.”
seus pés finalmente se desgrudaram do chão, a liberação abrupta lhe fez tombar um pouquinho para frente antes que começasse a correr na direção oposta às cinzas. não teve sorte para escapar, porém, pois na sua frente lhe forçando a parar, aparecia bishop. “você acha que pode escapar? que pode se esconder? todos sabem a verdade sobre você, maxime. você será sempre o culpado.” a imagem de bishop se dissolvia com rapidez mas as palavras lhe perfuraram tão profundamente que max não conseguia mais andar mesmo que estivesse livre para correr. não tinha matado tabatha. não tinha.
por último, a magia se transformou em hektor, fazendo-lhe ofegar surpreso. ah não. deu um passo para trás, as lágrimas caindo silenciosamente por suas bochechas. “eu nunca poderia amar alguém como você. você não é digno. nunca será. suas mãos estão sujas.” as palavras eram como um golpe final e maxime sentiu seu coração se despedaçar. o falso hektor se virou, caminhando para longe, se transformando em cinzas enquanto o fogo o engolia.
maxime sentia-se completamente sozinho, um peso esmagador sobre sua alma. as palavras de todos eles ecoavam em sua mente, um lembrete constante de seus medos mais profundos. todos os seus amigos lhe deixaram um a um, a solidão era um abismo sem fim e maxime estava à beira de ser consumido por ele, sem nenhuma esperança de resgate.
quando a dor começou a parecer demais, o semideus acordou com um sobressalto. um grito rouco escapou de sua garganta, os soluços eram altos e carregavam toda a agonia do pesadelo. com as mãos plantadas no chão, o choro saía livremente. dos olhos escorriam lágrimas e das narinas, duas linhas de sangue pingavam. o corpo tremia como uma folha exposta a um vendaval, o coração acelerado parecia querer sair correndo em disparado. a consciência escapou de si novamente, dessa vez não por causa da poção, apenas o mal estar que lhe acometia e lhe fazia desmaiar.
ao contrário da primeira vez, maxime não sonhou com nada.
havia apenas o vazio.
ao acordar, já não estaria mais no punho de zeus e sim na enfermaria, novamente sob a notícia de que o acampamento tinha sido atacado durante a madrugada. dessa vez percebia que algo pior do que ter tido pesadelos mesmo tomando a poção tinha acontecido; seu medo de que um dia tomaria a poção, ficaria inconsciente e quando seus irmãos e amigos precisassem, ele não estaria disponível para ajudar… aconteceu.
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˖ ࣪ ʿ estava escuro quando a batida soou na porta e a voz de quíron anunciando que tinha algo para o semideus se fez ouvir. ainda não tinha se alimentado naquele dia por uma falta de apetite que lhe acometia, mas não sentia-se mal ainda. o diretor entrou no pequeno quarto empoeirado com uma caixa e um prato com jantar descansando em cima desta. o olhar confuso de maxime foi levado embora apenas quando a explicação veio: você usará esses artefatos e amanhã iremos até circe. a instrução era clara mas não fazia sentido, eles iriam lhe entregar para a feiticeira? seu suposto crime sequer seria avaliado? não estava em condições de questionar algo, não quando começava a duvidar de sua própria inocência. depois de tanto ouvir os xingamentos e desabafos das pessoas machucadas por seus atos, já não sabia se era tão inocente quanto achava antes. talvez não fosse mesmo, considerando que as pessoas que chamava de amigos foram tão rápidos em acreditar em sua culpa. talvez… eles tivessem visto em si algo que max não conseguia enxergar. como natalia disse, havia os sonhos. eu sonhei com você. então não era de se espantar que fossem tão rápidos com isso, tinham lhe visto nos sonhos, ao que parecia.
de qualquer forma, colocou as pulseiras nos pulsos sem hesitar; aquele era seu destino agora, fazer as coisas que o diretor mandava sem ter direito a perguntas. as pulseiras de fecharam automaticamente em seus pulsos assim que o semideus as colocou. elas brilharam levemente enquanto as runas entalhadas no metal divino se mexiam girando ao longo do material até que parasse em uma posição que circulava todo seu pulso. de início, não aconteceu nada, maxime não teria como retirar as pulseiras então quíron se afastou e o deixou com o jantar ao qual o rapaz beliscou a comida com pouco entusiasmo mesmo que aquela fosse sua primeira refeição do dia. com o estômago começando a embrulhar, desistiu de comer, deixando o prato em cima de uma mesinha que havia perto de sua cama. no segundo que fez isso, sentiu uma dor na mão direita. sua respiração falhou com a dor aguda, um olhar para a mão e via a marca de hécate brilhando dourada. brilhava forte.
e a dor aumentava.
não conseguiu segurar o grito de dor, estava doendo tanto que sentia a visão borrar com lágrimas e as bordas da vista começarem a exibir pontos brancos.
oh, céus, iria desmaiar?
num segundo estava dentro daquele quarto imundo da casa grande, no outro… na floresta. no bosque. de frente para fenda, sentia os joelhos encostando no chão cheio de folhas e galhos mesmo que o tecido de sua calça impedisse o contato direto com o chão. se inclinou para a frente com ambas as mãos indo também de encontro ao chão, sentia-se tonto, descontado com seu corpo, como se a mente estivesse longe demais para registrar o que acontecia. estava frio, muito frio, parecia que seu rosto ia congelar. soltou um suspiro baixo, a cabeça doía tanto que se desmaiasse seria melhor, maxime não conseguia formar um pensamento coerente e isso lhe assustava. havia alguém ao seu lado, podia sentir uma presença firme perto de si mas quando olhou para tentar enxergar algo, apenas viu uma sombra escura em uma posição semelhante à sua prostrada ao chão. os pontos brilhantes em sua vista aumentaram de repente e uma voz baixa, feminina, soou em seus ouvidos. “por que você está resistindo, criança? é inútil e pior para você. já estou terminando, fique quieto ou irá se machucar mais.” aquele voz soava gélida, fazia seu corpo ficar tenso pois… não soava de maneira correta. parecia dentro de sua mente.
embora não pudesse explicar, parecia estar sendo puxado para longe de novo. não sabia se ia desmaiar ou… ou estava preso. não fazia sentido. tentou gritar mas o som não saía, não conseguia se mexer, não tinha controle de seu corpo e sua própria mente se perdia em um mar de escuridão que de repente lhe consumia. quando piscou… estava na enfermaria, sentado em uma maca. demorou a compreender o que acontecia, não sabia como chegou ali e muito menos o que aconteceu. hyacinth apareceu para lhe ajudar e lhe examinar, fez algumas perguntas e se esquivou de lhe dar respostas concretas até que contasse o que não dava para ser escondido: o baile foi destruído, havia semideuses machucado para todos os lados e uma pessoa morreu. os aprendizes da magia tinham desmaiado e embora não soubessem como ele chegou ali, talvez devesse ter sido como todos os outros, não? alguém o viu desmaiado no pavilhão e o levou para ser cuidado. sua liberação veio ainda de madrugada e ao chegar no chalé de afrodite, a começar a se preparar para deitar, percebeu os pés sujos de lama com folhas grudadas em sua sola. como? se todo o caminho do pavilhão para a enfermaria e da enfermaria para o chalé não tinha lama ou folhas? algo estava errado, tremendamente errado. tinha estado no bosque? como foi parar lá? o pânico ameaçou tomá-lo e no segundo que pensou em seguir até quíron, a vertigem voltou. mais uma vez a vista escurecia e aquele medo retornava. “vou dar um jeito em você, jovem criança. você não vai estragar meus planos, não me importo de matá-lo também.” a voz soava novamente, dessa vez tão clara dentro de sua mente que max podia jurar sentir realmente o vento frio da respiração em sua nuca conforme ela falava.
com a mente presa no meio da escuridão, seu corpo foi guiado para a estufa onde passou a mexer nos vidros das poções. a as mãos de maneira robótica pegaram os frascos das poções que coletava com filhos de hécate, morfeu e hipnos para fazer sua poção potente de bloqueio onírico; aquele corpo agora sob o controle da força maior foi usado para adulterar a poção do chalé de hécate antes de misturar todas. a adulteração de uma poção era já o suficiente para tornar todas as outras ineficazes. com o vidro no bolso, retornou ao chalé. sentado de volta na cama, maxime ofegou. os primeiros sons que ouviu foi os choros dos irmãos, conversas lá fora indicavam que as pessoas ainda estavam acordadas, estavam de luto. sentia um desejo de tomar a poção do sono para lutar contra sua maldição e apenas dormir, não iria aguentar ficar a noite inteira acordado ouvindo aqueles lamentos. colocando de volta os sapatos, caminhou para o punho de zeus. em momento algum se questionou o desejo inconsciente de tomar a poção, não se questionou porque já a tinha no bolso, apenas sabia que precisava tomar a poção para descansar. e foi o que o fez. a partir disso tudo pareceu dar errado.
acorde, maxime.
voltava a si com um grito agonizante. estava deitado com as costas grudadas no chão, seu rosto molhado de lágrimas e aquele frio maldito continuava. quíron e dionísio estavam no quarto lhe encarando com espanto e tentando lhe trazer de volta a razão; no canto da parede mesclado com o escuro, argos continuava impassível como sempre. mas na beira de sua cama uma figura nova se encontrava.
com cabelos ruivos bagunçados, com os olhos verdes saindo uma fumaça constante, estava rachel elizabeth dare.
enquanto suas visões, ou melhor, suas lembranças retornavam pela magia de circe, em algum momento rachel tinha aparecido ali e se instalado no colchão duro. não dava sinais de reagir a cena, mas estava ali. quando aqueles olhos se fixaram em sua direção, mais uma vez a dor veio. e ia de novo mergulhando nas lembranças roubadas.
tudo estava escuro.
a dor na cabeça se fazia constante, o coração doía como se estivesse sendo arrancado de seu peito. na mente não havia nada a não ser dor, medo, angústia. sufocava naqueles sentimentos ruins, tudo lhe consumia como se estivesse em um mar onde ao invés de água lhe puxando para baixo para que se afogasse, fosse aqueles sentimentos pressionando seu peito e entrando em seus pulmões, lhe matando. é assim que eu vou morrer? o medo era imenso, estava aterrorizado. nunca sentiu tanta dor em sua vida, precisava lutar, precisava resistir. mas resistir ao quê? o que estava acontecendo? como poderia lutar pela própria vida se não estava consciente? ou estava? a confusão se espalhava e o pânico aumentava. talvez tenha sido esse o gatilho para que de repente estivesse vendo o que acontecia à sua frente. gritos não humanos vinham do bosque e bem diante de si, semideuses ajoelhados no chão com os rostos em agonia. olhou para os braços e viu o sobretudo preto, olhou para as mãos e viu a magia vermelha, branca e dourada se misturando ali. o grimório de hécate flutuava ao seu alcance.
era ele. ele estava fazendo aquilo.
machucava os colegas e podia ver e flashs os terrores que assolavam a mente de cada um. antes que pudesse bater no grimório para o derrubar no chão, sentiu uma dor aguda na cabeça e então a escuridão voltava. “como você acordou, garoto? está me dando mais trabalho do que eu achei que daria. sendo assim, irá enfrentar do mesmo veneno que você produziu.” e o que quer que aquelas palavras quisessem dizer, maxime logo iria descobrir. se viu puxado para a própria visão do se defeito fatal misturado com o maior medo. caía na armadilha que aquela força maior tinha armado. mas a visão não iria apagar da mente dele a dor e a agonia que sentiu, aquela criança ter despertado justo no momento em que estava sendo usado como instrumento foi uma tortura que a força maior não previu. as lembranças daquele momento se dissiparam por tamanha dor, a força sequer precisou fazer alguma coisa contra as lembranças pois a própria mente do semideus se protegia. bloqueava a visão dos colegas presos na tortura do veneno, bloqueava o fato de que estava sendo controlado para agir contra eles. a mente bloqueava o trauma e apesar disso fazer a dor se tornar presente de maneira mais forte, foi o reflexo que encontrou de se proteger.
esse garoto vai morrer? circe queria se vingar do traidor?
a voz frenética de dionísio soava irregular quando maxime soluçou de volta à casa grande, as figuras borradas em sua visão mal eram reconhecíveis. já não estava no chão mas sim na cama, em seu tornozelo havia um toque reconfortante da mão de rachel. o oráculo repetia as palavras “vítima. tortura. inocente. hécate. o silêncio.” em um mantra constante e incessante. há quanto tempo ela dizia aquilo? há quanto tempo estavam ali?
assim como dionísio disse, o filho de afrodite também achava que iria morrer. mas tão abrupta quanto aquela dor começou, ela se foi.
o vazio era o que restava.
seus olhos azuis viraram confusos para tentar registrar se estava mesmo de volta à casa grande longe daquelas visões da tortura que passou sob o controle daquele força maior. esquadrinhou todo o quarto e… havia algo lá. uma quinta figura. era alta demais, pálida demais quase cinza, no canto da parede com roupas pretas. a face desfigurada, não parecia humano. o medo voltou com tudo, o pânico lhe sufocou e quando abriu a boca para gritar e olhou para quíron… tudo passou. estava com medo de algo? de quê? confuso, olhou de novo para o local e… não havia nada. não havia nada no quarto exceto rachel que agora estava quieta, os dois diretores e argos. pela janela gradeada, a claridade indicava que já era dia. o barulho de um portal sendo aberto ali dentro do quarto foi o que todos precisavam para saber que havia chegado a hora de ver circe. suas lembranças embaralhadas não faziam sentido, nada fazia sentido.
mais tarde naquela mesma manhã, seria declarado inocente, vítima das artimanhas de hécate; seus cargos restauros, seu nome limpo. mas ainda sentia que estava sendo observado, as pulseiras em seus pulsos não expulsaram completamente a marca de hécate, mas ocultavam da vista de todos.
a mente estava quieta embora o medo e aquela sensação estranha de ter olhos lhe seguindo por todos os lados não tivessem lhe abandonado.
no fim, o silêncio era o que parecia vencer. sempre.
colegas mencionados: @magicwithaxes e @solarpcwer
momento sobre o DEFEITO FATAL.
POV feito a partir das informações recebidas pela central e do pronunciamento de Circe.
ㅤㅤㅤㅤㅤ— última parte do prompt do traidor da magia. FECHANDO A FENDA.
⭒ ㅤㅤㅤㅤㅤpisar de volta no acampamento e agora livre, foi um alívio. maxime temeu que a ilha de circe viesse com uma sentença de expulsão onde não poderia retornar para seu lar e ganharia um futuro incerto. as pulseiras da feiticeira lhe deram uma noite pior do que o que normalmente já conseguia, mas isso foi há três dias. todas as lembranças recuperadas, as poucas, no caso, agora não passavam disso: lembranças.
agora tinha a missão de ajudar os colegas a proteger o acampamento de qualquer defesa que a fenda pudesse ter quando os filhos da magia começassem a fechar aquela desgraçada. sendo da equipe de patrulha, se pôs na minha de frente junto com seus colegas para que, juntos, lutassem contra a ameaça desconhecida. podiam não saber o que vinha por aí, mas sabiam bem que algo era inevitável. a arma ganha foi escolhida com facilidade e era ideal para seu estilo de luta; fugia de confrontos desde a morte de thabata, mas quase era preciso, podiam contar com ele.
a batalha então iniciou-se com ferocidade. os gritos de campe assombrariam sua mente pelos próximos dias; seu esforço para lutar contra o monstro e tentar tirar os semideuses do caminho de repente… parecia em vão. uma desesperança lhe acometeu e maxime parou no meio da luta, a corrente caindo no chão e automaticamente retornando a seu braço como um bracelete dourado. a cabeça doía e o coração acelerava.
“não adianta lutar contra mim, criança. será mais rápido se você relaxar.” a voz feminina soou em sua mente, parecia carregada de malícia e satisfação enquanto ele próprio entrava em baixo. vai começar de novo.
e de fato começou.
foi puxado para um canto escuro de sua mente, sentia aqueles tentáculos invisíveis lhe envolver e lhe tirar de cena. o medo estava de volta, aquele desespero que lhe sufocava, a escuridão que lhe cercava… tudo doía. não conseguia respirar. a última vez que esteve assim, seus amigos tinham sofrido com a magia de hécate. não podia permitir isso de novo, precisava lutar contra aquela força mesmo que fosse tão superior a si. a urgência em ajudar os amigos, contudo, fez seus olhos clarearem. a dor aguda em sua cabeça arrancou de maxime um grito. não sabia quanto tempo tinha ficado inconsciente com hécate lhe controlando mas não usava as pulseiras de circe, tinha um sobretudo preto cobrindo seu corpo e uma névoa branca, dourada e vermelha lhe envolvendo. teve um vislumbre dos amigos lutando contra uma hidra, flechas prateadas aparecendo, a dor na cabeça piorava e parecia que aquela parte de seu corpo iria explodir.
você não vai machucar meus amigos. não vai me usar para isso.
maxime repetia aquilo como um mantra, inundava sua mente com as faces dos amigos e dos momentos felizes que passou ali dentro. havia yasemin e beatrice com sorrisos brincalhões, bishop com o olhar protetor lançado para si, stevie com aquele brilho travesso e desafiador, veronica revirando os olhos de alguma palhaçada que ele tinha feito; a face sorridente de natalia na estufa, melis tropeçando, joseph com seu olhar de cumplicidade e kaito sempre parecendo disposto a lhe acompanhar em suas loucuras. a reunião do chalé de afrodite com christie, zev, anastasia e davin contando histórias de terror em plena madrugada, todos eles fortaleciam sua mente e criavam uma barreira contra aquela força que lhe tomava.
os olhos castanhos surgiram de repente junto com um golpe mais firme naquela barreira. podia sentir a consciência de hécate fraquejando quando a risada de héktor ressoava em sua mente, as imagens do semideus sorrindo, a sensação dos toques suaves de seus lábios, a confissão de amor dita em um momento de desespero que aquela maldita força invisível causou semanas atrás… não ia deixá-lo se machucar. não ia deixar nenhum deles ser machucado.
a barreira em sua mente se fortaleceu ao ponto de lançar uma explosão de claridade em sua mente, o fôlego voltou abruptamente em seus pulmões.
estava de volta.
só teve tempo de dar uma olhada para checar o que acontecia mas não compreendeu o que se passava, a mente mergulhava de novo na escuridão mas dessa vez… estava sozinho em sua cabeça.
a prova de que finalmente se encontrava livre era a imagem da face de thabata surgindo. a floresta mais uma vez era o cenário do pesadelo e a amiga tinha a cabeça esmagada por uma pedra bem em sua frente. ao contrário da realidade, dessa vez maxime enxergava a morte da filha de hipnos enquanto o grito assustado e angustiado de veronica lhe fazia abrir os olhos e despertar.
estava na enfermaria e teve um pesadelo por ficar inconsciente. sim, as coisas estavam de volta ao normal.
˖ ࣪ ʿ a morte é alívio? o fim para um sofrimento que todo ser humano encontra em vida? semideuses carregavam fardos pesados, tinham vidas tempestuosas, perigosas, a morte era um peso constante sobre o ombro de todos. parecia irônico que um filho de afrodite, a deusa do amor, levasse consigo a sombra de uma morte triste, uma morte que trouxe para si uma maldição.
o cansaço se instalava em seus ossos, a exaustão mental e física o fazia se arrastar durante as horas após o momento caótico no pavilhão. num segundo estava se sentindo mal, com uma tontura leve lhe deixando sem graça, o estômago incomodado pela quantidade de besteiras que comeu no waterland e no próprio baile. no outro, encontrava-se sentado em uma maca na enfermaria. quem lhe trouxe até ali? os curandeiros não souberam dizer. pelo o que ouvia, os filhos da magia junto com os aprendizes tinham desmaiado antes de todo caos começar, logo quando as... estrelas caíram. mas isso de fato aconteceu então? era por isso que sequer lembrava de ter se levantado da cadeira que estava ocupando fora da pista de dança? odiava desmaiar, sempre ficava confuso.
o chalé estava silencioso exceto por alguns soluços ocasionais, alguns irmãos se encontravam abalados com o recém acontecimento, o local envolto em uma escuridão parecia refletir o estado de espírito de maxime. o cabelo voltava a ficar preto mas agora o semideus já sabia que tinha a ver com suas emoções. o humor pesado, o luto e a dor da perda apesar de sequer conhecer o homem morto vinha mais pela empatia com os que tinham perdido um ente querido, um amigo. nisso, max bem conhecia a dor. as lembranças de tabatha se faziam mais fortes hoje, assombravam seus pensamentos, aquele rosto sorridente apenas sendo uma memória dolorosa de momentos que nunca poderiam ser recuperados. sentia-se preso em um ciclo de tristeza, incapaz de escapar da dor que o consumia. precisava acabar com isso.
sair do chalé com o manto de selene cobrindo sua cabeça e o ocultando na noite era algo fácil, o artefato lhe tornava invisível na escuridão e ele pôde seguir até a entrada desativada do labirinto no punho de zeus, local onde sempre conseguia ficar sozinho para tomar bebidas alcoólicas ou então beber sua poção em paz. a poção era perigosa nesses últimos seis meses, a ideia de tomar e ficar inconsciente por oito horas sem que ninguém conseguisse lhe acordar? aterrorizante. em seis meses, tomou apenas uma vez, essa seria a segunda. iria apagar em um descanso mental sem sonhos. a poção traria uma paz momentânea para sua mente. com um suspiro pesado, ele bebeu a poção, sentindo o líquido frio deslizar por sua garganta. a sonolência o envolveu rapidamente, max deitou-se no chão, fechando os olhos com a esperança de finalmente encontrar um pouco de tranquilidade.
o filho de afrodite adormeceu quase instantaneamente, seu corpo cedendo ao cansaço acumulado e a poção fazendo seu trabalho em não lhe mandar para o mundo dos sonhos, mas sim apenas lhe manter desacordado. como uma névoa espessa, o descanso lhe envolvia… mas ao invés de levá-lo a um descanso tranquilo, max aos poucos foi arrastado para um cenário familiar.
estava de pé no meio do bosque do acampamento, cercado por árvores altas que balançavam suavemente com o vento noturno, a ausência da lua deixava claro que era um sonho atual. havia algo estranho, porém. apesar de ouvir estalos dos galhos e das folhas secas que ele próprio pisava enquanto andava sem rumo por entre as árvores, não escutava qualquer outro som. nenhum animal. não havia cigarras, grilos e nem roedores. corujas? nada. como se… todos os animais estivessem em silêncio. podia jurar que ao abrir os olhos ali, tinha ouvido os sons de pequenos animais mais distante… mas agora que se aproximava da cachoeira na trilha, não havia mais som algum.
seus passos foram então interrompidos. a respiração ficou presa e os olhos azuis foram arregalados quando percebeu que talvez aquele fosse o motivo dos animais estarem em silêncio. havia um perigo ali. à sua frente, bem mais perto da fenda, uma figura encapuzada estava imóvel, de costas para ele. a figura observava a fenda que cortava o acampamento bem no local onde era o início desta, a barreira mágica brilhava naquele escuro da noites um vermelho escuro que pulsava no meio daquela escuridão quase tangível. maxime sentiu um arrepio percorrer sua espinha.
tentou se mover lentamente para dar passos para trás, mas seus pés pareciam presos ao chão. a figura encapuzada emanava uma névoa tão vermelha quanto a magia que parecia mexer com a barreira da fenda, parecia uma presença ameaçadora que o paralisava. tentou gritar, mas sua voz não saía, como se a névoa do pesadelo o sufocasse.
de repente, a figura encapuzada começou a se virar lentamente. o capuz ocultava suas feições, mas a sensação de ser observado intensamente era inegável. maxime prendeu a respiração, esperando o pior. os olhos castanhos viravam em sua direção, as íris pareciam brilhar no escuro mas mesmo assim, a face não aparecia. aqueles olhos presos em si foram então acompanhados da mão esquerda apontando diretamente para ele. o gesto era quase casual, mas carregava um peso que fez sua garganta apertar. no entanto, ao contrário do que maxime esperava, a figura não parecia vê-lo. era como se ele estivesse invisível, uma sombra no canto da visão da figura. mesmo olhando para si, a figura desconhecida não lhe via.
o medo começou a se transformar em uma sensação de desconexão. max sentiu-se como um observador de seu próprio pesadelo, impotente para interagir ou mudar o curso dos eventos. ao menos estava protegido, não é? a figura encapuzada permanecia ali, apontando para ele, mas seus olhos estavam vazios, olhando através dele para algo além.
a magia pulsava mais intensamente, e um som baixo e gutural emanava de seu interior, um grunhido que crescia. maxime sentiu o chão tremer levemente, e as árvores ao seu redor começaram a inclinar-se em direção à fenda, como se atraídas por uma força que as puxava para dentro do buraco aberto por petrus meses atrás.
o som dos estalos das árvores quebrou a paralisia de max, ele conseguiu se virar abruptamente começando a correr. a sensação de sufocamento voltou, e ele sentiu-se sendo puxado para a fenda, a escuridão crescendo ao seu redor misturando-se com a luz avermelhada…
e então seus olhos se abriam.
estava de volta no corredor vazio e pequeno da entrada desativada do labirinto. para sua maior surpresa, não estava sozinho. yasemin lhe encarava e parecia ter sido ela a responsável por conseguir lhe acordar. já estava claro lá fora, não havia sol como sempre mas podia perceber que tinha amanhecido. suas oito horas de descanso dessa vez não tinham sido como estava acostumado.
pela primeira vez em dois anos após começar a tomar a poção por causa de sua maldição, maxime teve um sonho. pela primeira vez em dois anos, seu sonho não envolvia tabatha, a amiga que perdeu na missão.