Patriarchy foram uma deliciosa surpresa em noite hipnotizada pelos Molchat Doma – Dia 3 do Sonic Blast Fest 2025 | Reportagem Completa
Actually Huizenga dos Patriarchy | mais fotos clicar aqui Neste presente ano de 2025 estou a dar prioridade à estreia em alguns eventos. Há poucas semanas estive no Rock no Rio Febras em Briteiros (concelho de Guimarães) e agora, finalmente foi a tão esperada ocasião de presenciar o Sonic Blast Fest. Já há alguns anos que tenho vindo a tentar marcar presença neste festival e só agora este ano consegui este almejado objetivo. Várias pessoas foram-me falando, ao longo dos anos, tão bem deste festival, reforçando o quão diferenciado e incrível em termos do ambiente e do power das atuação. Fui ficando com o “bichinho” durante bastante tempo…
A Praia da Duna do Caldeirão é um local prazeroso e muito bonito, um cenário completamente e atípico para um festival de shopping do rock. Efetivamente é um “caldeirão” agregador dos mais dispares estilos rockeiros, há rock psicadélico, progressivo, hard, punk, garage… Há ainda stoner e doom, por exemplo. Com bandas mais ou menos específicas de cada género ou outras que misturam um pouco de tudo. O destino predileto de muitos fãs por ser uma espécie de Rockaíso dos Rockeiros, diga-se assim deste modo.
A permanente boa disposição do público | mais fotos clicar aqui Celebrou-se a 13ª edição do Sonic Blast Fest ocorrida entre os dias 6 e 9 de agosto, entre a última quarta-feira e sábado. Com 3 palcos tudo foi pensado para a inexistência de sobreposição e menor tempo de espera entre concertos.
Devido a restrições pessoais e profissionais, tanto minhas como do meu parceiro fotógrafo, não foi-nos possível vivenciar de forma mais alargada o festival contudo conseguimos praticamente ver todas as bandas que tínhamos pré-definido e que mais queríamos ver. Por isso esta reportagem foca-se sobretudo nelas.
Dia 3 - sábado, 9 de agosto
Ao terceiro dia, o primeiro em que se sente um calorzinho picante no recinto do festival que fica situado bem juntinho à Praia da Duna do Caldeirão.
Sean McVay (vocalista/guitarrista/teclista), Dan Reynolds (baixista) e Scott Donaldson (baterista) são o trio que dá-se a conhecer ao mundo como King Buffalo. São outro caso de habituais frequentadores do circuito português de concertos muito por culpa da Garboyl Lives, a organizadora do Sonic Blast Fest.
Em palco os King Buffalo | mais fotos clicar aqui O pessoal, usando um dedo para cima, pediu para haver mais voz no sistema sonoro. Uma mesagem visual que McVay interpretou na perfeição. Realmente não dava para perceber bem os vocais nos primeiros minutos.
“Mercury” foi a primeira música tocada numa setlist aonde ainda coube “Grifter”, “Loam” e “Balrog” só para citar algumas de maior impacto da atuação que teve aproximadamente 1 hora de duração.
O público aderiu com “yeahs” e palmas amiudes vezes. O headbanging foi constante. Esta atuação iniciou-se às 17:35h e a adesão de público era já em números expressivos. Apesar do clima apetecível para a praia, a música foi um chamariz de intensidade mais poderoso.
O seu rock psicadélico, com ramificações no stoner, facultou aos fãs riffs hipnotizantes, um groove bem excitante e uma passada de batidas precisas no devido tempo. Um mix bem embalado num produto sonoro bem cativante e caiu bem nesta tarde calorosa.
Sean McVay dos King Buffalo | mais fotos clicar aqui Dead Ghosts apresentaram-se em formato sexteto no Sonic Blast Fest, a última data da tournée que os trouxe este verão ao velho continente.
Banda originária de Vancouver no Canadá com o seu garage rock de intensas ramificações no country e rockabilly. Estas brisas são provocadas pela presença de teclado e saxofone, o que confere ao seu som uma brisa bastante refrescante.
O estandarte pendurado no teclado, de tons azuis e vermelhos, não deixava margem para dúvidas sobre o nome da banda.
A sonoridade deste projeto, mais suave em comparação com a maioria do cartaz, resultou numa ocasião para uma vibe de pose relaxada.
Em palco os Dead Ghosts | mais fotos clicar aqui Os Monolord fundados em 2013, desde o início, contam com Thomas Jager na dupla missão de vocalista e guitarrista, Esben Willems como baterista e Mika Häkki encarregue do baixo. Contaram nesta atuação de Vila Praia de Âncora com um quarto elemento numa guitarra extra. “Rust” e “Empress Rising” foram das que não faltaram no alinhamento.
Duo dos Monolord | mais fotos clicar aqui Oriundos da Suécia demarcaram-se dos restantes na maneira como abordam o doom metal. Reuniram à sua frente uma multidão num final de tarde esplendoroso, com alguns fãs a envergarem t-shirts alusivas à banda.
A última música que tocaram foi a pedido do público, terminaram com "The Last Leaf". Alguns fãs tiveram uns mimos fornecidos pelos músicos como, por exemplo, baquetas enviadas de cima do palco. Uma atuação muito aguardada e que não defraudou minimamente as expetativas nesta que foi a terceira aparição no Sonic Blast Fest.
Em palco os Monolord | mais fotos clicar aqui Actually Huizenga é uma das artistas responsáveis pelo projeto Patriarchy, o seu outro parceiro é Andrew Means. Huizenga ficou encarregue dos vocais e da guitarra enquanto Means esteve com percussão (incluído batidas eletrónicas).
Darkwave, synthpop e goth pop fazem parte do cardápio musical deste duo norte-americano originário de Los Angeles bastante teatral. A primeira "He Took it Out", seguiram-se músicas como "Hell Was Full" ou "New Way", uma das mais recentes.
Actually Huizenga dos Patriarchy | mais fotos clicar aqui Actually confessou que perdeu a voz durante o dia, pese embora essa situação, teve uma performance esforçada no qual procurou sempre dar o seu máximo. Foi amparada, em diversas ocasiões, pelos efeitos reverberados.
Ambos tiraram as vestimentas de cima ao mesmo tempo. Ele em tronco-nu, ela ficou com a roupa interior, pois claro.
A performance do duo Patriarchy durou cerca de 50 minutos. Revelou-se extramente cativante e refrescante numa noite de verão incrível. Uma das maiores revelações da edição de 2025 do Sonic Blast Fest.
Andrew Means dos Patriarchy | mais fotos clicar aqui A Califórnia viu nascer os Circle Jerks em 1979 tendo uma relevância bem significativa no hardcore punk norte-americano. Keith Morris (vocalista) e Greg Hetson (guitarrista) continuam de pedra e cal. No decurso dos longos anos a formação foi tendo diversas mutações. Atualmente contam ainda com um elemento na bateria e outro no baixo.
Keith Morris esteve incrivelmente comunicativo, mesmo antes do debute oficial do concerto. Durante deixou elogios ao festival português e basicamente auto convidou-se para os próximos anos.
Revelou também desagrado com a atual situação dos EUA.
Keith Morris dos Patriarchy | mais fotos clicar aqui Morris revelou logo bem cedo que iam tocar 29 temas. "When the Shit Hits the Fan" e "Wild in the Streets" foram dois deles.
Uma atuação bastante vultosa no contexto geral da edição deste ano do Sonic Blast Fest apreciada por muitos dos milhares que tiveram presentes defronte do Main Stage 1.
Greg Hetson dos Patriarchy | mais fotos clicar aqui A new wave e synth-pop esteve muito bem representada pelos Molchat Doma, uma das sensações dos últimos anos.
Um regresso a Portugal depois da passagem por Lisboa e Porto no ano passado. Já tocaram também no Vodafone Paredes de Coura em 2022.
Oriundos do “Bloco de Leste”, mais especificamente da Bielorrússia é com extrema naturalidade as influências russas no seu som.
Um trio formado pelo vocalista Egor Shkutko, canta num tom monótono profundo. Por Roman Komogortsev na guitarra, sintetizador e bateria eletrónica. Já Pavel Kozlov fica encarregue do baixo e sintetizador. Ficaram alinhados em palco na horizontal com o Egor ao centro.
Egor Shkutko dos Molchat Doma | mais fotos clicar aqui Primeiro tema foi "Kolesom". Outros apresentados foram, por exemplo, "III", "Obrechen", "Chernye tsvety", "Son" ou "Люди Надоели" (traduzindo pelo Google dá algo como “as pessoas estão fartas”)
Sonoridades introspetivas e dançantes quase em modo hipnótico de terapia. Tratou-se de uma das atuações mais esperadas do dia e gerou algum buzz. Teve bastante gente focada.
Pavel Kozlov dos Molchat Doma | mais fotos clicar aqui
Notas finais
Esta foi a minha primeira incursão no universo do Sonic Blast Fest e revelou-se uma experiência deveras curiosa, imersiva e de enorme impacto pessoal. De há uns anos a esta parte que vinha a acumular o desejo de ter a experiência de presenciar este evento. Em anos anteriores tentei ir, por ou outro motivo, entre razões pessoas e profissionais não tinha sido possível. Liguei o modo determinado no seu expoente máximo e mesmo com umas condicionantes, de nível profissional, avancei para esta aventura. Na hora e no momento certo. Tudo o que me vinham contando, nos últimos anos, revelou-se acertado.
O Sonic Blast Fest é um festival diferenciado sobretudo pelo contingente de fiéis que vai reunindo de ano para ano. Atualmente é mais diversificado nas suas escolhas musicais, abrange mais géneros musicais, vai do stoner até ao doom metal passando pelo synth-pop e isso aconteceu sem que a mítica e a identidade deste festival alternativo se tenha perdido.
A animação durante Circle Jerks | mais fotos clicar aqui Outro pormenor invulgar é são os dois principais palcos lado a lado. Na maior parte dos casos as atuações iam deambulando de um para o outro, os intervalos entre os concertos era reduzido.
Este Sonic Blast Fest teve lotação esgotada, cerca de 5500 pessoas diárias. Pese embora essa situação, a fluência não era demasiado apertada e podia-se circular bem no recinto: ir ao WC e à zona da restauração não foram tarefas difíceis nem demoradas.
A parte menos positiva deste festival, situado no parque de estacionamento junto do campo de futebol do Âncora Praia Futebol Clube, tem um piso bastante irregular. Tal é bastante desconfortável, para alguém como eu, com problemas médicos nos pés. Aguentei bem, mesmo com calçado apropriado, só que de facto um ponto incómodo.
O som não esteve a 100% em algumas ocasiões e isso é algo que a empresa contratada para o efeito tem de melhorar, fica à atenção dos responsáveis e técnicos.
A animação durante Circle Jerks | mais fotos clicar aqui Nota bem positiva para o público, para o seu vínculo com o festival e com o civismo demonstrado na relação com as restantes pessoas e no usufruto dos diversos serviços. Outra questão revelante é o cuidado de muita gente em utilizar protetores auditivos, algo que registei com bastante agrado.
Excelentes concertos com os artistas a corresponderem ao apelo de um festival alternativo já reconhecido por todo o planeta. As bandas fazem questão de passar a mensagem sobre o modo como são bem tratadas por cá bem como os bons momentos que passam no Alto Minho.
A 13ª edição do festival Sonic Blast Fest foi um êxito e estou certo que os fãs, alguns ainda nem terão abandonado o campismo, já começaram a suspirar pela próxima edição.
Reportagem Fotográfica completa: Clicar Aqui
Visão do público durante a tarde | mais fotos clicar aqui Texto: Edgar Silva Fotografia: Nuno Coelho @ nunomscoelho (Instagram)











