CapĂtulo 3
 Mel narrando: “ Eu tinha que esquecer desse detalhe, se nĂŁo bastasse eu saber que eles nĂŁo se falam, eu tinha que traze-la sem dizer que ele estava em casa, pior, todo machucado. Eu encarei o rosto de Chay e ele pensava a mesma coisa que eu, aposto. Esse meu irmĂŁo podia nĂŁo ter feito o que fez e hoje atĂ© seriamos uma famĂlia, quem sabe. Idiota!”
 Mel: Me desculpe Lu, eu me esqueci de avisar que ele está de férias. – Eu entreguei as coisas ao meu marido. – Foi mal.
Lua: Não tem nada, eu já superei. Vamos almoçar em paz, ok? – Eu assenti e fui até meu irmão e peguei minha filha no colo.
Chay: Vocês duas podem ir arrumando tudo, que eu vou bater um papo com o Arthur! – Meu marido entendeu que o clima estava tenso e tratou de arrumar uma desculpa.
Mel: Tudo bem, meu amor. – Eu entreguei minha filha nos braços da madrinha e nos fomos até a cozinha.
Lua: Mel, será que tem clima pra almoço? – Minha amiga perguntou e eu fiquei estática, eu havia criado uma situação constrangedora para a coitada.
Mel: Você não quer ficar? Desculpa Lu, eu sou uma tonta, eu sempre esqueço que vocês não se falam. – Eu falei um pouco triste e ela me olhou serena. – Podia ter sido tão diferente.
Lua: Você não tem culpa. Ele é o único culpado. E claro que quero ficar, eu adoro vocês, minha afilhada não tem culpa de nada disso. – Eu a olhei sorridente e ela retribuiu o sorriso.
Mel: Eu sei. EntĂŁo, ela cresceu tanto, nĂŁo acha? – Eu desconversei e comecei outro papo para distraĂ-la.  – Está enorme!
Lua: Muito! Desde a última vez que a peguei no colo, ela está mais pesada, né princesa? –Ela fez carinho na minha menina e Clarice sorriu. –Seu pai que faz você comer tanto, aposto.
Mel: Nem é, ela ainda mama bastante, tem vezes que se engasga com tanto leite. – Eu falei orgulhosa e ela sorriu fraco.
Lua: Eu não vejo a hora de poder ter a minha. – Percebi tristeza em sua voz e sorri fraco.
Mel: Você ainda o ama, não é? – Eu perguntei, tendo certeza do que ela iria responder.
Lua: Er...sim, eu ainda o amo, Ă© difĂcil ter que seguir com esse sentimento cada vez mais forte dentro de mim. – Eu esbocei um sorriso e ela me olhou triste. – Eu ainda amo esse idiota!
Mel: Sei o quanto está difĂcil, mas, posso te falar uma coisa? – Ela assentiu e eu continuei. – Meu irmĂŁo mudou, nĂŁo Ă© mais o mesmo, o esporte o ajudou bastante.
Lua: Pode até ter mudado, mas, não apaga o que ele me fez. Eu nunca sofri tanto, ele me traiu, isso eu não vou perdoar! – Ela falou convicta e eu abaixei a cabeça triste.
Mel: Tudo bem, eu não vou insistir. Mas, amiga, não deixe esse amor morrer, eu sei que ele ainda te ama, ele se arrepende disso todos os dias, algumas conversas que tive com ele, ele confessou que todo dia quando sai pra lutar, ele vai pra descontar a raiva que sente dele mesmo. Dê uma segunda chance a ele e a você. – Eu falei calma e ela assentiu.
Lua: Não te prometo nada, vou pensar no que você me disse. – Eu sorri fraco e assenti.
 Pedi ajuda com o almoço, ela colocou Clarice na cadeirinha e me ajudou a arrumar as coisas para almoçarmos. Quando terminamos, eu chamei Chay e Arthur no andar de cima e percebi que os dois estavam discutindo. Tratei de encerrar o assunto e eles desceram pra almoçar conosco. Enquanto Chay e Lua conversavam na mesa, eu encarava Arthur com cara de pena, pois ele observava Lua com uma cara de bobo. Fui a primeira a terminar, como eu ainda amamentava, me levantei da cadeira, peguei minha filha no colo e subi. Clarice mamou bastante e eu a coloquei para arrotar, ela dormiu em meus braços e eu a coloquei no berço. Desci as escadas e vi Lua conversando com Chay na sala e Arthur na mesa, encarando o prato, sem tocar na comida.
 Mel: Que foi meu irmão, não gostou da comida?  - Eu perguntei cabisbaixa e ele me encarou com um sorriso triste os lábios.
Arthur: Não, está uma delicia. Eu que estou sem fome. – Ele respondeu cabisbaixo.
Mel: É ela, não é? – Ele assentiu. – Porque você não faz alguma coisa!
Arthur: Fazer o que Mel? Ela me odeia e tem motivos pra isso! – Ele disse nervoso e eu suspirei cansada.
Mel: VocĂŞ devia parar de se lamentar e fazer alguma coisa. Ela ainda te ama e vocĂŞ a ela. Sei que Ă© difĂcil pra ela esquecer aquela cena grotesca, sua e daquela vagabunda, mas, já passou muito tempo, está na hora de vocĂŞ fazer alguma coisa, ou vai perdĂŞ-la pra sempre! – Eu falei sĂ©ria e ele me olhou assustado. – Pode ser sua ultima chance.
Arthur: Você tem razão. Mas, não tenho ideia do que fazer. –Eu o encarei risonha e ele sorriu.
Mel: VocĂŞ a conhece tĂŁo bem, quanto eu querido. AmanhĂŁ, depois do mĂ©dico, vocĂŞ pode ir atĂ© a escola e conversar com ela. – Ele assentiu e levantou-se da cadeira com cuidado, pois seus machucados ainda doĂam bastante, passou por Lua e Chay e subiu rapidamente. Eu fui atĂ© os dois.
Chay: A pequena dormiu? – Meu marido se referiu a nossa filha e eu assenti.
Mel: Está no berço, dormindo serenamente. – Sorri orgulhosa de minha cria.
Lua: Poxa, queria dar um beijo nela antes de irmos. – Eu sorri abertamente.
Mel: Sobe, te esperamos aqui embaixo. – A pedi que subisse.
Lua: Então, tudo bem, vou num pulo! – Levantou-se do sofá e foi subindo ligeiramente e eu ri.
Chay: Do que está rindo, hein espertinha? – Chay me olhou com um sorriso maroto nos lábios e eu sorri beijando-o.
Mel: Ele está no quarto de Clarice! – Eu falei eufórica.
 Arthur narrando: “ Depois que conversei com Mel, subi e fui ver minha sobrinha, que dormia tranquila em seu berço, dei um beijo nela e fiquei admirando seu rostinho e sua serenidade. Ela era a cara da mãe, graças a Deus. Meu cunhado é gente boa, mas, minha sobrinha ficou melhor parecida com a mãe, eu ri de meus pensamentos e quando eu ia saindo do quarto dela, dei de cara com Lua, essa doeu.”
 Arthur: Ai, caramba! –Eu resmunguei de dor e nem olhei quem era.
Lua: Desculpe-me, eu não... Queria. – Ela desconversou e eu a encarei.
Arthur: Não foi nada. – Eu falei meio sem jeito.
Lua: Posso entrar? – Ela perguntou e eu assenti, dando espaço pra ela entrar no quarto.  -Ela é tão linda, né?
Arthur: Tanto quanto você. – Eu me dei conta do que disse e ela me encarou.
Lua: Arthur, não começa! – Ela desconversou e eu me aproximei dela.
Arthur: Mas é a mais pura verdade. – Eu falei sorridente.
Lua: Tarde demais pra achar isso! – Ela falou convicta eu a encarei com um sorriso malicioso nos lábios.
Arthur: Tem certeza disso? – Ela não teve reação, eu simplesmente a beijei sem dar chance de resposta.
 Seria tarde demais? Talvez. Nunca se sabe o que pode acontecer. Ele seria mesmo capaz de dar a vida por ela? Talvez essa fosse à prova que ela precisa pra entender que ele a ama. Não sei, deixa que o tempo vai, cicatrizar.
 Continua...














