Tenho fome de você, da forma mais carnal possível.
Fomo da sua voz atravessando os meus silêncios, da sua risada encontrando abrigo dentro do meu peito, do seu toque, da forma como o seu corpo fica quente perto do meu e do sono imensurável que sempre repousa sobre minhas pálpebras quando estamos lado a lado.
É uma fome antiga, dessas que nem o tempo aprende a alimentar, porque quanto mais de você me é dado, mais a ausência do que ainda não vivi ao seu lado me devora.
Tenho fome da nossa conexão inexplicável. Quando estamos juntas, sinto como se o mundo recolhesse seus ruídos para ouvir apenas o encontro de nossas almas. É como atavessar um rio e descobrir que a outra margem nunca existiu, era você o destino o tempo inteiro.
Há dias em que penso que meu coração é uma casa abandonada, e você é a única luz que ainda insiste em atravessar as janelas quebradas. Talvez por isso que eu ame tanto o que existe entre nós, porque por alguns insistantes, você transforma o inverno que carrego em um lugar onde ainda é possível florescer.
















