Give me peace on earth || @Saphes
James era uma pessoa deverás mais perturbada do que parecia. E não apenas pela pretensão que enganava tão perfeitamente bem combinando-se com uma transparência embuçada. Nem pelo sarcasmo que, cá entre nós, já não lhe era um hábito tão dissimulado quanto deveria ser. E sim, por uma paranoia, uma paranoia que há muito também deixara de ser um conflito interno para importunar desinibida e frequentemente os sonos do pobre hacker. E provavelmente a insônia seria o único motivo no mundo, além da força dos deuses e homens, que tiraria o inglês da cama antes das sete e meia. E para o seu azar, a maldita havia lhe atacado naquela noite, obrigara-o a abrir os olhos desde que acordara de um sonho no meio da noite, um sonho inútil e estúpido, repetia em memória já que não era fã de pesadelos, e sem significados.
Quando finalmente cansou-se de esperar pelo amado sono que não viria, decidiu que seria mais útil - o que já era em quantia muito escassa - se simplesmente conformasse-se e levantasse uma hora mais cedo do que lhe era saudável. Fora das paredes do quarto os zumbidos da manhã já podiam ser ouvidos, ainda que muito mais baixos do que os que viriam a ser ouvidos alguns minutos mais tarde. Não demorara a se aprontar, e fora à marchinhas abafadas que saíra do quarto expressando toda a alegria que tinha por ter despertado tão cedo em plena quinta-feira: resumida a nada ou a menos que nada.
Seus pés o encaminhavam para fora do prédio já que devido a sonolência obrigava-se a prestar atenção em apenas uma coisa de cada vez e as coisas que prestava atenção no momento se resumiam aos rostos que encontrava pelo caminho. A maioria dos estudantes que surgiam em seu campo visual pareciam sempre, ou muito alegres, ou muito desanimados e se resumiam àqueles que prezavam por acordar cedo: que em sua grande maioria eram os antissociais exclusivamente focados em seus estudos ou em suas superfluidades, e os que dotavam de uma disciplina dura às suas próprias pressões. Não era com pouco pesar que James admitia nutrir uma admiração notória por todos aqueles sujeitos que, em sua opinião, na selvageria escolar eram os mais distintos. A parte menos pessimista de seu cerne vivia para lhe apontar os motivos pelos quais devia se inspirar naquele tipo, e a parte consciente vivia para lhe apontar que a porta para fora do colégio se abria a sua frente.
Já há algum tempo James não via a zona exterior com a beleza que apresentava no momento - ou talvez ainda estivesse demasiado sonolento. À sua direita o moreno notara não sem algum pesar que algum aluno anônimo mexia em seu computador ignorando completamente a beleza do dia - não que esse fosse o pesar de James -, e mais ao fundo percebia um leque de tons de vermelho se destacando contra a imagem da flora tão verde. Devia ser, era Saphira. E só havia de sê-la, que outra ruiva naquele internato meditaria no meio da pequena praça em plenas seis da manhã de uma quinta-feira? Recordando vagamente de algumas de suas conversas, James lembrava dos conselhos de Saphira e do seu blá blá blá dos astros que, talvez por ser exclusivo daquele indivíduo ruivo, lhe parecera tão fascinante. Então a oportunidade de furdunço lhe surgiu tomando o espaço que antes era do sono, e sentando-se também no chão, James prostrou-se ao lado dela. Ele imitou sua posição da melhor forma que conseguia e ainda não sendo notado soltou um som gutural
-- OMMM... -- Era o tal som típico das meditações que talvez fosse "típico" somente a leigos como ele, não se importou, se fizera notar. E completando a quebra do cenário, emoldurou um meio-sorriso.













