“Well, this is awkward…”
2. Yelling at an inanimate object for not functioning properly
Que atirasse a primeira pedra quem nunca se viu frustrado com algo a ponto de perder a cabeça. Quem nunca desejou quebrar algo ou gritar por se sentir impotente? Bem, Lyra certamente desejava atirar seu celular problemático no chão no momento. A imagem do objeto se espatifando no piso polido de Silver Blood era tentadora após as… Quantas tentativas foram? 20? 30 chamadas falhas? Havia perdido as contas junto com a paciência. Poderia guardar o aparelho e tornar a ligar mais tarde, certo? Infelizmente, não. O assunto era urgente e, com certeza, não pediria emprestado o aparelho de ninguém ou arriscaria que alguém a escutasse. De fato, essa era a exata razão para estar no corredor mais deserto do instituto, aproveitando o horário de aula para obter um pouco de privacidade.
“ Coisinha estúpida! Vai me deixar na mão logo quando mais preciso? Top de linha, certo… Tecnologia barata, isso sim que você é! ”, resmungou para o aparelho, tentando mais uma vez encontrar uma conexão estável… Um toque e uma centelha de esperança surgiu no peito da Haven, apenas para ser apagada pela mensagem automática “ não posso atender no momento, deixe seu recado ”.
“ Filho da puta. ”
Era insensato, irracional e exagerado, mas Lyra não mediu sua atitude seguinte. O pensamento mal tinha se formado e o barulho do objeto escuro atingindo o chão alcançou seus ouvidos. Então, foi seu salto que fez contato com a peça escura. Repetidamente. “ Maldito celular, não serve pra nada. Nada serve pra nada nesse lugar! Foda-se. ”
Os xingamentos acompanhavam cada golpe dado no aparelho, o cabelo e as roupas outrora perfeitamente ordenados de Lyra, agora apresentavam desalinho como resultado da falta de controle incomum para a prateada. Episódios como aquele eram raros e repudiados pela Haven, mas nada naquela situação a incomodou tanto quanto o fato de ter sido flagrada.
Focada demais no celular além da reparação sob seus pés, notou tardiamente que em algum momento havia deixado de estar sozinha. Foi só quando jogou o longo cabelo para trás ao escutar “ Well, this is awkward… ”*, que percebeu os olhos bicolores sobre si. A expressão de Lyra esfriou tal qual seu interior, vergonha e surpresa entremeando suas veias como fios de gelo. Virando-se lentamente na direção de Viktor — nada melhor que um Samos como testemunha do seu destempero —, fitou-o como se nada tivesse acontecido ali, muito embora fizesse um esforço tremendo para manter aquela fachada. “ I don’t think so ”** retrucou, chutando o que restava do aparelho para longe. “ Estou voltando para minha aula, você deveria fazer o mesmo, Samos ”, declarou com indiferença ao girar nos calcanhares, dirigindo-se ao caminho contrário do anunciado. Precisava arrumar outra forma de contatar o pai e, principalmente, esquecer o constrangimento passado. Dificilmente conseguiria qualquer uma dessas coisas dentro de uma sala repleta de prateados curiosos.










