Os solados dos meus coturnos estão desgastados, você sabe. E meus ombros estão cansados de carregar os sapatos que insistem em machucar os meus pés. Eu ando e vejo rostos vazios, olhares cansados e pessoas em pé. Não sei quantos livros já li pelas metades, sentada ao lado de leitores perdidos em seus próprios mundo imaginários. E não sei também quantos sorrisos roubados já me peguei, por impulso, distribuindo por aà ao ver um cenário exotérico, para mim, habituada tão somente à cenas comuns de uma cidade pequena. Sinto, porém, a alma leve ao saber que, por mais que eu passe tantas e tantas vezes pelos mesmos lugares, eles nunca serão os mesmos. E que, por mais que os locais continuem a se repetir, pessoas diferentes os preencherão, com auras e energias diferentes. Uma coisa me falta, contudo. Seu abraço, sua mão na minha, minha cabeça debruçada pelos seus longos ombros e a continuidade das suas palavras que me preenchem os ouvidos oa me deitar após um longo dia de trabalho. Nada vem fácil, compreendo, e os desafios serão inúmeros. Mas você, meu bem, a vida fará sempre eu sentir pesar de deixar.