Livro 4 - Shakespeare, Tragédia
Wow. Rei Lear é um tragédia. Disso eu já sábia. O que eu não tinha previsto é o quão sanguinolento essa obra seria. Não que Shakespeare não seja conhecido por matar seus personagens de formas muito... criativas... mas a loucura que toma conta de alguns personagens, mais a completa crueldade e indiferença de outros faz dessa obra uma coisa intensa, pesada e emocionante.
Goneril e Regana são absurdamente cruéis e falsas. Do tipo de pessoa que só de ouvir falar a gente já quer ficar o mais longe possÃvel, porque sabe que, só de ficar perto alguma coisa terrÃvel vai acontecer.
Os maridos, Condes da Albânia e da Cornualha, respectivamente, parecem seguirem esse mesmo caminho, mas no fim, aparentemente, o Conde da Albânia não é tão ruim quanto os outro três...
Cordélia, a filha exilada pelo pai por supostamente não amá-lo tanto quanto as irmãs, é a única que está realmente do lado dele, leal até o fim. Leal ao ponto de convencer o rei da França a se intrometer na politica britânica. O que infelizmente não é o suficiente.
Edgar e Edmundo são pares opostos. Filhos do mesmo pai, um é leal e o outro um traidor. Mesmo que no fim, o traidor tente se redimir.
Enfim... é uma obra cheia de traições, traições duplas, traições triplas... mortes, olhos arrancados, exÃlio para quem não deveria ser exilado - e que de uma forma ou de outra ainda consegue exercer o papel que lhes era cabido de proteger aquele que os exilou - e uma loucura sem fim. Do tipo que só a morte cura.
Uma obra muito a cara das tragédias de Shakespeare, onde quem sobrevive à matança se vê num mundo completamente mudado depois da violência  que inundou a vida deles por algum tempo.Â
Shakespeare exacerba os vÃcios humanos mais perigosos, o ciúmes, a luxúria e o orgulho, e faz deles uma combinação mortal. Literalmente.
















