A cada hora descubro um choro diferente. Uma lágrima mais longa, um aperto maior no peito, os soluços começaram a se repetir mais vezes. Uma pausa. E agora mais tristeza, mais um tempo sem ar e mais um  grito que escapa da garganta mas que permanece na boca. Os dentes estĂŁo fechados pra tentar abafar o volume e a dor de dentro. Tento sentir sĂł a dor de fora. Mordidas. Arranhões. Beliscões. Hoje fui te ver, guardei as marcas sobre a manga da blusa, queria te esconder o que acontecia toda vez que brigávamos. NĂŁo queria que pensasse que eu estava louca. EntĂŁo pensei que se visse o quĂŁo doloroso sĂŁo nossos desentendimentos, talvez a palavra ”amor” voltaria a sair de sua boca quando me chamasse. Ou quem sabe, vocĂŞ diria um “eu te amo” e eu te abraçaria e esqueceria toda a dor. Queria que soubesse o quanto cada palavra que diz me machuca, me rompe, me afoga num mar de tristeza, que sem conseguir sair de lá, me faz gritar. Grito em busca de ajuda, grito em busca de paz. Meu coração grita em busca de vocĂŞ. “Me salve” ele diz, “me ame”. Â