Post-resposta referente Ă atividade da disciplina eletiva
Qual a melhor maneira de conscientizar as pessoas sobre os malefĂcios que o Cyberbullying causa?
Bom, o primeiro passo Ă© entender o que Ă© isso.
Cyberbullying Ă© um bullying virtual.
Desde uma reação de risada em uma foto para diminuir a autoestima de alguĂ©m atĂ© ameaças atravĂ©s de comentĂĄrios, publicaçÔes, pĂĄginas maldosas e chat particular, esse tipo de violĂȘncia estĂĄ presente em todo lugar e Ă© expresso de vĂĄrias maneiras diferentes.
Qual a diferença do cyberbullying para o bullying?
Resumidamente, a grande diferença é o lugar em que é praticado. Isso muda tudo.
O bullying Ă© praticado em ambientes especĂficos, como a escola, cursos, trabalho, enfim. Ao sair daquele ambiente a vitima se sente melhor, afinal, mesmo que a violĂȘncia a abale profundamente, fora dali isso "acaba" e ela pode se sentir segura em casa, por exemplo. No entanto, como dizem, a internet Ă© uma terra de ninguĂ©m.
A violĂȘncia cometida na internet persegue a vitima em todos os lugares e a expĂ”e para todas as pessoas.
As consequĂȘncias disso sĂŁo pessoas que se sentem violadas, inseguras e desprotegidas em todos os lugares, principalmente atualmente â e ainda mais na situação de quarentena que estamos vivendo â onde muitos passam mais parte do tempo no mundo virtual do que no real. O agressor estĂĄ ali, a acompanhando o tempo todo.
Apesar de denĂșncias existirem, dificilmente resultam em alguma providĂȘncia, principalmente nos meios digitais, onde as leis nĂŁo protegem o suficiente e as pessoas se escondem atravĂ©s de perfis fake e outros meios. Essa falta de medidas desprotege ainda mais a vĂtima, que sente nĂŁo ter para onde recorrer.
Ansiedade, depressĂŁo e sĂndrome do pĂąnico sĂŁo algumas das doenças que podem ser desenvolvidas em decorrĂȘncia disso. Isolamento, timidez ou atĂ© a prĂĄtica sobre outra pessoa sĂŁo comuns mecanismos de defesa observados.
A internet Ă© o palco, agressor e vĂtima viram os atores principais, mas se nĂŁo houvesse platĂ©ia, nĂŁo haveria show.
Em uma live sobre o tema, que participei quarta-feira (22) juntamente com a coordenadora de onde estudo e meu professor de filosofia que também é psicanalista, reforcei algumas ideias que eu jå havia observado em pesquisas e coisas assim.
O agressor se sente mal consigo e quer reduzir a vĂtima ao seu nĂvel, descontando suas frustraçÔes em terceiros;
Grande parte dos praticantes de bullying e cyberbullying jĂĄ foram vĂtimas do mal que causam.
O agressor quer chamar atenção!
Pode parecer sem sentido alguém que jå sofreu com isso e sabe a dificuldade fazer outra pessoa passar o mesmo, mas eles sentem que como ninguém se importou com o sofrimento deles, eles também não precisam se importar com outros.
Se vocĂȘ observar, na maioria dos casos a violĂȘncia Ă© cometida em pĂșblico, porque o ofensor quer chamar atenção. Isso da a ele uma certa sensação de poder, afinal, as pessoas estĂŁo rindo de algo que *ele* disse, ou estĂŁo ridicularizando algo que *ele* começou. *Ele* Ă© o lĂder daquilo.
A sua violĂȘncia sĂł faz sentido se tiver alguĂ©m para dar suporte, por isso, outra forma de combater Ă© deixar de ser platĂ©ia â Apoiar, rir ou mesmo se calar diante dessa situação te torna tĂŁo ruim quanto quem começou.
Os dois precisam de ajuda: agressor e vĂtima!
As pessoas nĂŁo ofendem outras sem nenhuma razĂŁo, por isso, entender o porquĂȘ do Ăłdio depositado sobre outro e ajudar a conscientizar o mal causado Ă© fundamental. Mas isso nĂŁo tira a culpa do bully.
A melhor maneira de conscientização dos malefĂcios Ă© a informação e disposição a ajudar!
Acredito que ao longo de todo o post eu tenha respondido a pergunta e até me estendi mais do que pretendia kkkk.
Entender o que Ă© o cyberbullying, o que ele pode causar, porquĂȘ acontece e a quem pedir ajuda sĂŁo as melhores maneiras de conscientizar.
Ver/ouvir relatos de vĂtimas e agressores, conversar com essas pessoas e conversar com quem trabalha com essas pessoas, como psicolĂłgos e psiquiatras, ver filmes, ler livros e artigos sobre, atĂ© mesmo abrir os comentĂĄrios de algum post em alguma rede e observar, estar aberto a entender todo o mal que pode ser ocasionado tambĂ©m.
Ou seja, falar sobre isso!
Enquanto nos calamos em meio a tantos casos prĂłximos a nĂłs â que nĂłs sabemos e vemos que existem â fazemos isso parecer normal. NĂŁo agir sobre isso faz parecer comum e nĂŁo-importante.
Precisamos falar sobre para que as vĂtimas nĂŁo tenham vergonha ou se sintam isoladas, que possam compartilhar experiĂȘncias e que a sensação de impunidade do agressor acabe. Para que a culpa e o peso na consciĂȘncia esteja do lado de quem pratica, e nĂŁo de quem foi atacado.
Para que as pessoas parem de normalizar isso e façam algo a respeito.