A ponte entre o eu e o outro É de fronteira traçada por linhas imaginárias Cujas margens, perigosas Livres de beiradas Carregam o risco de cair - em fusão O eu ameaçado Sofre em queda livre O luto da desilusão da separação Enquanto se recompõe Recolhendo em si Partes do outro que lhe faltavam E nasce - como tudo que morre renasce Maior, mais potente, mais abrangente De força equivalente a carregar O peso de outra vida em si Quanto mais vidas se fundem Maior é a força - e o fardo Maior é o ser - e o caminho árduo A alma - que se pensava livre Flutuando em terras Tão distantes quanto as estrelas Encarnou-se em matéria viva Gritou em nascer Resistiu em fincar Mas aterrou pela urgência De fecundar a própria vida Que se perdia céu adentro Como terra fértil Fecunda - de dentro para fora Que nutre incontáveis raÃzes É preciso aprender A ter e ser casa - de si e do outro Os brotos gritam por nutrição E não há mais como fugir de habitar-se
Loading...














