Dessa vez prestando atenção, eu senti vontade de chorar. Não era algo que estivesse em meus planos, eu só senti, e senti, e senti, e senti. Aquilo que sentia eu não sabia explicar, mas lembro-me disso de outras duas vezes.
Era como se meus pontos de razão, meus raios dançantes de luz e meu silêncio estivessem sendo revividos novamente. Eu estava sozinha enquanto prestava bastante atenção ao que ouvia, as lembranças vindo em minha mente, nelas era muito claro de enxergar-me quando criança, cantando essa mesma música e dançando feliz. Era fácil ver as piruetas presentes. Então era isso? Talvez meus sonhos fossem maiores do que eu conseguisse compreender, acho que as emoções de um sonho jamais serão como as sensações de uma pirueta. Cada qual com suas singularidades. O que eu sentia, queria ao mesmo tempo que todos experimentassem disso, mas não era algo que quisesse dividir, era meu. Minhas piruetas. Meus sonhos.
Eu chorava, em meu momento, porque era meu, sozinha no silêncio de suas palavras, eu chorava, mas eu estava feliz, aquilo não cabia em mim de tanta felicidade.
Eu não importava-me de estar sozinha aqui, mesmo que estivesse escuro, eu nunca estaria realmente na escuridão com meus pontos de razão sempre presentes acima de mim. Eu abraçava a unica coisa que ali havia ficado, eu mesma. Deitei-me ao gramado, onde fiquei até que a neve caísse, e foi então que aquilo se tornou ainda mais único pra mim. Minha neve, minha preciosa neve. Levantei-me rapidamente, e por ela corri e dancei. Era como se tudo que um dia eu pensei estivesse se tornando real e mágico ao mesmo tempo.
Aquele seria o meu eterno segredo, assim que o Sol nascesse eu fingiria que nada tinha acontecido, as lembranças estariam comigo pelo resto da vida como as outras sempre estiveram, era algo que nem o vento sopraria de minha mente, nem nada ou ninguém.