Conta um pouco Sobre vocĂŞ e suas ReferĂŞncias?
Fotografo há mais ou menos uns 9 anos, mas comecei a levar a sĂ©rio faz uns 5 anos. Uma das minhas maiores inspirações como artista Ă© a Sally Mann, fotĂłgrafa do sul dos EUA. O memoir dela foi um dos fatores mais importantes para minha formação como fotĂłgrafo. Mas para ser sincero, a minha maior inspiração Ă© o fato que "tirar fotos" te força a ter experiĂŞncias novas, a viver. O maior trabalho do fotĂłgrafo, na minha opiniĂŁo, Ă© ter uma vida interessante e ver o máximo possĂvel. É incalculável a quantidade de experiĂŞncias que sĂł vivi porque fui atrás da "foto". Este projeto, por exemplo, se eu tirasse o fator “fotografar”, teria somente ido a alguns shows “vira e mexe” ter ficado por isso mesmo, mas como eu "preciso" ir para fotografar, isto me força a viver, explorar, ser curioso e nĂŁo ficar preso a uma rotina. No final, Ă© por isso que eu fotografo e sempre será minha maior inspiração. No quesito "outros fotĂłgrafos" que admiro, gosto muito do trabalho do Joel-Peter Witkin, Koudelka, Robert Frank, Dorothea Lange, Nick Knight, etc e os clássicos, mas nada muito fora da caixa (hahah).
Como Surgiu o Projeto?
O projeto começou de uma forma muito orgânica. No inĂcio sĂł ia aos shows mais para socializar e conhecer uma galera diferente. Sempre com a minha câmera porque, bom, sempre a levo para qualquer lugar que vou. Comecei sĂł fotografando as bandas, e mandando os arquivos para eles depois. O projeto sĂł começou a tomar forma no verĂŁo do ano passado quando fui a um show DIY punk, embaixo de uma ponte. Foi neste momento, que saĂ da cena de shows pequenos, em bares para a cena DIY (que na minha opiniĂŁo Ă© muito mais interessante).
Como foi o processo para o projeto, Alguma Inspiração?
Em termos de inspiração, para ser sincero não houve muita, só deixei acontecer. Fui no máximo de shows que consegui e olhei todas as fotos um milhão de vezes até achar o fio do projeto. Claro, Dennis Morris e Charles Peterson são fotógrafos que sempre admirei, mas admito que nunca realmente usei o trabalho deles como base ou inspiração. Meus projetos passados sempre foram muito cheios de ideias e conceitos, então meu objetivo com este era fazer algo muito mais solto e ir com o flow.
Entrevista por: Dylan Smith
Quais a suas Dificuldades como fotĂłgrafo?
Minha maior dificuldade: eu mesmo. A maior parte do projeto, estava passando por uma situação bem complicada e estava extremamente depressivo. Muitas vezes precisava me forçar a ir ao show, quando somente queria ficar em casa, “de boa” tentando lutar contra minha ansiedade. Em termos de outras dificuldades, realmente não passei quase nenhuma. A galera da cena me acolheu de braços abertos e a grande maioria que parece ser "durão", com seu jeito de se vestir, etc, mas são todos uns amores.
Fale um pouco sobre a Cena do rolĂŞ.
A cena que eu foco é a DIY, então é tudo guerrilha, os lugares de shows são casas residenciais, de baixo de pontes, em lugares abandonados etc. A maioria são casas que moram uma galera e eles fazem uma "marca", então há várias casas de shows não oficiais que fazem eventos uma vez por mês. Animal House, The nook, Evil House são algumas que fazem esse tipo de evento. A organização inteira é feita pela galera mesmo, tudo em torno de 18 até 25 pessoas, na média. Pode até parecer que é feito nas “coxas”, mas a produção de som, luz, segurança é levado bem a sério.
Como tambĂ©m levam bem a sĂ©rio a redução de danos com drogas, sempre tem NARCAN (usado em caso de overdose), testes para testar a substância. Mas dito isso, a galera Ă© bem tranquila neste quesito e Ă© bem raro de encontrar drogas pesadas (mas tambĂ©m nĂŁo vou atrás), de resto Ă© maconha, ácido, cogumelos, as chamadas party drugs. Em termos de mĂşsica, a cena que frequento Ă© mais art punk, um som bem experimental e descompromissado, alto e sempre rápido. Mas acho difĂcil colocar um gĂŞnero de som que está rolando por aqui, vai desde o punk raiz, power chord, 2 minutos de mĂşsica atĂ© um som com gravações de filmes antigos com distorção e palavra falada.
Luciano Ratto took us to an experience through his portraits on Seattle DIY and the underground music scene This turned into a project called "taste the floor"
All Photos Courtesy by Luciano Ratto












