Se vocĂȘ ainda nĂŁo sabe, eu sou evangĂ©lica e hoje o pastor disse sobre nĂŁo termos vidas duplas. AĂ eu parei, no meio da oração, e comecei a refletir ~como sempre~ na minha vida.
Eu levo uma vida dupla: durante os Ășltimos tempos eu acreditava que a minha parte que vem pra minha cidade de final de semana nĂŁo era a mesma do restante da semana (esqueci de falar, nĂ©? Moro na cidade da minha faculdade durante a semana, que fica 1h de distĂąncia da cidade dos meus pais e volto aos finais de semana). Pensava nĂŁo ser a mesma MC... e, sabem, cheguei Ă conclusĂŁo que lĂĄ eu sou eu! Simplesmente, eu! Sem preocupaçÔes de esconder minha sexualidade, sem preocupaçÔes com o que falar, sou somente eu! E isso Ă© maravilhoso!
Durante tanto tempo essa vida dupla me massacrou! Me sentia como a pior filha do mundo por esconder isso dos meus pais. Hoje eu entendi que essa "vida dupla" que eu levo é para preservå-los... eles não entenderiam minhas escolhas (exatamente isso, não entenderiam, pq eu jå refleti sobre isso também). Então, sim, essa "vida dupla" é necessåria pra mim e também para aqueles que eu mais amo...
Ăs vezes me vem um sentimento de tristeza por nĂŁo poder 100% eu em todos os momentos, mas logo penso que a parte da MC que eles conhecem tambĂ©m faz o que sou, nĂŁo Ă© uma farsa... todas essas partes fragmentadas formam o que eu sou. Chego Ă uma das conclusĂ”es que: nĂłs Ă© que nos conhecemos melhor e nem eu mesma me conheço 100%, entĂŁo nĂŁo tenho porque me preocupar em ser esse 100% para minha famĂlia e tĂĄ tudo bem nisso.