@ottcs pediu por um starter !
* ♡ / clarissa sempre detestou o termo vício, e sempre detestou o quanto as pessoas proferia essa palavrinha com um signo de estigma e negativo, embora parte de si soubesse que era. gostava do efeito em seu corpo e do modo que sua personalidade abrandava — marlee até dissera, uma vez, que ela era menos bitchy sob efeito do álcool —, mas sabia que haviam implicações desfavoráveis na quantidade de substâncias ingeridas por noite. estava perambulando pela casa, subitamente arrependida de ter escolhido um vestido curto e justo demais, procurando por um rosto específico dentre a aglomeração de estudantes alcoolizados espalhados pela sua casa. não sabia, exatamente, o motivo de fazer tanta questão em achá-lo, mas estava ciente que ficaria frustrada caso passasse a noite sem o usual encontro dos dois; algumas horas em um canto reservado, usando todos os tipos de entorpecentes na companhia um do outro. clara, não obstante não fosse uma pessoa que dava uma abertura desse porte para alguém que não fosse de extrema confiança, gostava de passar seu tempo na companhia de otto. deveria ter imaginado que não o encontraria no meio da multidão, mas, sim, do lado externo da mansão, fumando um cigarro. recostando a lateral do corpo na parede branca, com o corpo virado para ele, não o fitou de imediato. a verdade é que não sabia como agir perto dele, não mais, uma vez que ambos tiveram uma perda supostamente significativa há menos de seis meses — mas, ainda assim, estavam ali, perto um do outro. “não acredito que você está fumando e nem teve a decência de me chamar, bonheur.” chamou pelo sobrenome, algo que não fazia com frequência, e sacou, do próprio decote, um maço de cigarros. sentiu a boca salivar em expectativa, estava desesperada por um cigarro desde o início do memorial para conseguir digerir a hipocrisia toda. guardou o maço onde estava, sem preocupar-se se a visão era muito sugestiva. não era uma tática de sedução, embora não reclamaria se funcionasse, e se ele perguntasse, diria que era apenas pela praticidade. “ajuda?” perguntou, retoricamente, ao colocar o cigarro entre os lábios e fazer menção ao isqueiro nas mãos masculinas. “você não está esperando alguém, está? porque consegui roubar uns licores da cozinha para começar a noite.” o encarou em expectativa, torcendo para que dissesse que não estava esperando ninguém; mas não pelos motivos certos. “e pensei em você. em chamar você.” corrigiu-se rapidamente, num ato falho, com um mero sorriso no canto dos lábios. francamente, clarissa, pensou, você está fazendo jus à sua fama.











