Let her go - A SwanQueen Tribute
Uma vez eu li que, nem sempre a pessoa que quer que vocĂȘ fique, vai te pedir para ficar e isso, ao mesmo tempo em que me machucou, tambĂ©m me abriu os olhos. Regina Mills diz pra Emma Swan, em silĂȘncio, que "se vocĂȘ escolheu ir Ă© porque eu nunca te pedi pra ficar". Pare e pense sobre isso, sobre o fato dela nunca ter pedido a Emma para que ficasse, para que lutasse um pouco mais e para que continuasse insistindo. Regina sempre tentou se livrar da Emma, sempre a mandou ir embora, mesmo sabendo que ela sempre correria atrĂĄs dela. No episĂłdio piloto, Regina deixa claro qual a opiniĂŁo dela sobre Emma e, apĂłs esse episĂłdio, ela pede a Emma - o que soa mais como uma ordem - para que ela entre no carro e volta para sua cidade, nesse caso, Boston. E a partir daĂ, temos inĂșmeras cenas, para nĂŁo dizer incontĂĄveis, onde a prefeita pede para que Emma a deixe, para que saia, para que pare de segui-la, para que ela vĂĄ embora. PorĂ©m, vocĂȘ por acaso se lembra de alguma cena, qualquer uma, onde ela a pede para ficar?
Acontece que, chega uma hora em que nĂłs estamos tĂŁo machucados, que nĂłs mesmos vamos embora, aceitamos os fatos e Ă© isso, Regina se acostumou tanto com a Emma indo atrĂĄs, que ela nunca pediu pra Emma ficar. E ela foi embora, afinal, uma hora nĂłs nos cansamos, uma hora deixamos de lutar por algo sozinhas, sendo que era, claramente, uma guerra para duas pessoas. Quando Regina percebeu o que tinha feito, jĂĄ era tarde demais para voltar atrĂĄs, para pedir que ela ficasse e que nĂŁo mudasse tudo o que tinham construĂdo. Era mais doloroso, claro, mas ela nĂŁo tinha mais nenhuma escolha e lhe direi o porquĂȘ disso tambĂ©m. Mal sabia ela que Emma havia desistido porque machucava mais a falta de reciprocidade do que a ausĂȘncia da pessoa.Â
Lembre-se: nem sempre quem quer que vocĂȘ fique, vai te pedir para ficar. Porque amar Ă© isso: aprender a deixar ir, aprender a se desprender, a aceitar a felicidade do outro mesmo que vocĂȘ nĂŁo faça parte dela. Em todas as temporadas a Regina manda a Emma ir embora, apenas na sexta temporada que nĂŁo, afinal a Emma jĂĄ tinha ido embora e ela percebeu tarde demais.
Costumamos muito a olhar apenas as dores da rainha, da prefeita, da mĂŁe do Henry e nunca olhamos para as dores da salvadora, da princesa, da xerife e da, tambĂ©m, mĂŁe do Henry. Pensa vocĂȘ correr atrĂĄs da pessoa por anos, pedindo internamente apenas para que ela peça para vocĂȘ ficar e ela nunca pede. VocĂȘ enfrenta tudo o que acredita, coloca seu coração no jogo, mesmo sabendo que no final vocĂȘ perde, vocĂȘ morre, entretanto valeria a pena, certo. Emma foi uma menina ĂłrfĂŁ que viveu de abusos, de fugas, de rejeiçÔes. Ela cresceu sozinha e pensando que ninguĂ©m jamais iria aceitĂĄ-la inteiramente e que isso a acompanharia para o resto da vida. Emma conheceu um homem, muito mais velho do que ela e que foi seu primeiro amor, sua primeira relação sexual e primeira aventura da vida. E entĂŁo ele a deixou para cumprir uma pena que nĂŁo era dela, para ficar em uma prisĂŁo e ainda por cima, ela estava grĂĄvida.
NĂŁo estou aqui para entrar no mĂ©rito do porque Neal fez ou nĂŁo aquilo. Todos sabemos que ele, assim como Emma, foi uma criança que cresceu num lar desestruturado, com um pai amedrontador, com uma mĂŁe que nĂŁo o quis e que depois ele mesmo teve que aprender a viver sem. A questĂŁo aqui nĂŁo Ă© essa. Emma tinha apenas dezoito anos quando se descobriu presa e grĂĄvida, com dezoito anos ela estava junto com outras presidiĂĄrias mais velhas, mais experientes, num lugar assustador e, com apenas dezoito anos, ela teve que desistir do seu primeiro filho e entregĂĄ-lo para a adoção. Ah, mas ela desistiu porque quis. VocĂȘ jĂĄ parou para pensar em como ela criaria uma criança em um presĂdio? Parou para pensar e se perguntar se ela poderia manter uma criança com ela? Ela era apenas uma menina, sozinha e assustada, que nĂŁo tinha condiçÔes fĂsicas e muito menos psicolĂłgicas para criar uma criança.
Mas aĂ entĂŁo ela conhece alguĂ©m com dores semelhantes Ă s suas, para nĂŁo dizer idĂȘnticas. Regina cresceu sozinha, num lar onde, supostamente ela deveria ter tudo, ter amor, atenção, a melhor educação e pais que, aparentemente, a amavam o suficiente para fazĂȘ-la feliz. Engano seu, ou nosso. Regina era solitĂĄria, sua mĂŁe nĂŁo pensava em outra coisa a nĂŁo ser em poder, em tĂtulos e no futuro que ela garantiria para sua filha, nem que para isso ela precisasse matar alguĂ©m. Regina nĂŁo teve uma mĂŁe para lhe aconselhar e, quando ela tinha apenas dezoito anos, - sim, a mesma idade que Emma - ela teve que aceitar um casamento com um homem, sim, um homem que tinha idade para ser seu avĂŽ e ao qual ela nĂŁo tinha nenhum sentimento. VocĂȘ jĂĄ parou para pensar que ela poderia ser virgem? Porque sim, naquela Ă©poca, os costumes eram diferentes. JĂĄ parou para pensar na Regina chegando no seu quarto a noite, depois da cerimĂŽnia e encontrando um homem, muito mais velho que ela, despido e a esperando para âformalizarâ o casamento? Consegue pensar em vocĂȘ mesma nessa situação? Consegue imaginar um homem velho em cima de uma garota assustada? E muito alĂ©m disso, ela viu a prĂłpria mĂŁe arrancar o coração do homem da sua vida, na sua frente e nĂŁo pode fazer nada. VocĂȘ jĂĄ viu alguĂ©m que ama morrer na sua frente?
Bom, entĂŁo nĂłs pensamos, o pai dela a amava, certo? Me diga, com sinceridade, que pai em sĂŁ consciĂȘncia deixa uma esposa controladora e louca, entregar a prĂłpria filha para um homem que ele nem sequer conhecia, que poderia machucar a sua filha, que a assustaria e que podia fazer coisas inimaginĂĄveis? EntĂŁo nĂŁo, nĂŁo venha me dizer que o erro dele foi apenas permitir que ela lançasse a maldição, porque estĂĄ bem longe de ser apenas isso.
Pegando essas duas situaçÔes, Emma e Regina, duas garotas que perderam muito e duas mulheres com muitas feridas e cicatrizes. Elas se encontram, se barram e tentam excluir uma da vida da outra, mas em um momento, Emma abre os olhos de Regina para o que realmente ela pensa sobre a amizade delas, sobre como ela se sente ao lado da prefeita: âeu tenho meus pais e tenho Henry e eu os amos, mas eles nem sempre podem me entender. Eles nĂŁo sabem o que Ă© ser rejeitada e mal compreendida, nĂŁo do jeito que eu sei e nĂŁo do jeito que vocĂȘ sabe. Eu acho que isso nos faz Ășnicas ou atĂ© mesmo especiaisâ. Percebe? Emma tinha completa certeza de que Regina era a Ășnica que sempre entenderia suas dores.
Entretanto, porque entĂŁo Regina nunca pediu para que ela ficasse, porque nunca disse o que sentia ou atĂ© mesmo tentou mostrar isso de alguma forma? Simples. Na cabeça da Regina, ela nunca mereceu o amor da Emma, nunca mereceu amor verdadeiro, por isso ela nĂŁo teve medo ao se envolver com o Robin, porque no fundo ela sabia que ele nĂŁo era o amor verdadeiro dela e na cabeça dela, ela destrĂłi tudo o ama. Ela nĂŁo suportaria viver em um mundo onde ela fosse a causa da destruição da Emma. Ela jĂĄ havia destruĂdo a felicidade da salvadora uma vez, jĂĄ havia tirado tudo dela da mesma forma que tinham tirado tudo que ela mesma tinha.
Amar Ă© deixar, Ă© soltar, deixar livre, porque nem sempre quando vocĂȘ quer que alguĂ©m fique vocĂȘ vai demonstrar a ela o quanto vocĂȘ deseja que ela decida ficar. Amar tambĂ©m Ă© deixar ir embora.
Houve tambĂ©m uma falta de comunicação entre elas e nĂŁo digo sobre o sentimento de amar em si e sim sobre o que elas realmente queriam ouvir uma da outra. Sabe quando algo te incomoda, te chateia ou atĂ© mesmo te entristece, mas vocĂȘ nĂŁo diz nada para a pessoa que estĂĄ causando isso? Porque no fundo, vocĂȘ estĂĄ se culpando, mesmo sabendo que nĂŁo fez nada para merecer o que estĂĄ acontecendo, porque vocĂȘ estĂĄ se perguntando se isso nĂŁo Ă© drama ou fruto da sua imaginação e, enfim, porque vocĂȘ estĂĄ se perguntando se tudo nĂŁo estĂĄ ali, acontecendo, apenas para te mostrar que vocĂȘ jĂĄ nĂŁo Ă© mais importante e que, agora, vocĂȘ apenas incomoda.
No fundo ambas sabiam que se amavam, mas a Emma sempre teve medo de perder tudo de novo e ficar sozinha. O maior medo da Emma era realmente ficar sozinha novamente. E a Regina tinha medo de estragar tudo como ela fez com o Daniel. Medo de tocar na Emma e ela se machucar. O medo da Regina nĂŁo era nem por ela, porque ela Ă© tĂŁo entregue quando ama, que coloca a outra pessoa acima das suas prioridades. O medo dela era por Emma e, tudo o que ela fez, foi garantir que a Emma ficasse com alguĂ©m que nĂŁo fosse destruĂ-la. Regina jamais se perdoaria se ela causasse a ruĂna de Emma, ela jamais conseguiria viver se Emma acabasse se machucando por sua causa. A Ășnica forma de matar Regina era a fazendo destruir Emma.
Por outro lado, Emma queria alguĂ©m que sobrevivesse, e o Hook sobreviveu. Todavia ela sabia que no meio disso tudo a Regina tambĂ©m havia sobrevivido. Regina sabia que a Emma queria alguĂ©m que lutasse com ela, que estivesse ali pra tudo e que nĂŁo a deixasse no final do dia. PorĂ©m, novamente, Regina sabia que podia ser a ruĂna da Emma,  o que ela nĂŁo sabia, era que Emma estava disposta a se queimar, a se reconstruir e atĂ© mesmo a ruir, apenas para viver o que sentia. Entretanto, ela nunca disse e Regina nunca perguntou.
Regina a amou tanto que preferiu ser sua prĂłpria ruĂna do que ser a ruĂna do seu verdadeiro amor. Ă o que ela disse, amor Ă© sacrifĂcio, desistir de tudo pela pessoa que vocĂȘ ama. Todos viram a Emma se sacrificar pela Regina na mina e depois se tornando a Dark One. Mas ninguĂ©m vĂȘ que, durante seis anos, a Regina morreu um pouco a cada dia apenas pra garantir que a Emma sobrevivesse.
Emma usou o Hook como uma barreira, ela sabia que ele, de certa forma, ficaria e se ela tivesse que perder alguém seria mais fåcil que não fosse a Regina. E a Regina não poderia perder a Emma, porque ela não suportaria como ela jå tinha feito vårias vezes. Ficar com o Hook era cÎmodo e não machucaria ela se caso ela estivesse com a Regina e a perdesse. Porque por mais que a Regina soubesse e tivesse medo de perder o amor verdadeiro, como ela jå havia perdido, a Emma também tinha esse medo. Porque todos a deixaram, todos a abandonaram, quem ela amou jå estava morto, Neal e Graham. Mas ela sabia que o Hook não iria embora porque para ele é cÎmodo se casar com uma princesa.
Mas caso ele quisesse ir, nĂŁo doeria tanto. Perder o Hook nĂŁo seria nada comparado a ter que perder a Regina e a Regina nĂŁo ia conseguir viver pensando que a Emma poderia ser sido mais feliz sem ela. Quando a Emma estava tecnicamente feliz, na primeira oportunidade que a Regina teve, ela foi embora para deixar a Emma viver o que ela sempre quis viver. NĂłs temos duas mulheres, duas pessoas que desistiram de sua prĂłpria felicidade, de seus prĂłprios sentimentos, simplesmente porque colocaram a outra como prioridade. E, em silĂȘncio, elas se amaram sem saber que a outra tambĂ©m amava. Sem saber que ambas estavam queimando na mesma fogueira.
Existe uma mĂșsica que diz muito sobre isso. Eis a letra:
âNĂŁo somos, nĂłs nĂŁo somos amigos, e nunca fomos. NĂłs sĂł tentamos manter esse segredo em uma mentira. E se eles descobrirem, serĂĄ que vai dar tudo errado? SĂł Deus sabe, ninguĂ©m quer que isso aconteça. Eu poderia escolher um caminho mais fĂĄcil, mas os seus olhos me guiam direto para casa e, se vocĂȘ me conhece como eu te conheço, vocĂȘ deveria me amar, deveria saber que amigos dormem em camas separadas e amigos nĂŁo me tratam como vocĂȘ me trata. Bem, eu sei que hĂĄ um limite para tudo, mas meus amigos nĂŁo me amam como vocĂȘ. NĂŁo, meus amigos nĂŁo me amam como vocĂȘ. Mas entĂŁo, nĂłs nĂŁo somos amigos⊠Pode ser que outra pessoa tambĂ©m te ame e aĂ entĂŁo, se nĂŁo somos amigos, nĂŁo hĂĄ nada que eu possa fazerâŠâ












