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Cúmplices do Silêncio
Cobriram a ferida com panos rendados,
trancaram o monstro no quarto do fundo.
Sorrindo pra sala, de braços cruzados,
fingiram que tudo é um bom e em paz mundo.
O "menino perfeito" não pode errar,
a culpa é do vento, da saia, do olhar.
E a mãe, que traçou o mesmo destino,
prefere o cativeiro a ver o menino
pagar pelo estrago que fez ao passar.
Querem empurrar o mesmo café,
falar sobre como ele cresceu tanto,
como se o tempo apagasse a fumaça,
como se a dor fosse só um quebranto.
Mas não há ponte onde houve navalha.
Não tragam notÃcias, nomes ou rastros.
Quem passa a mão na cabeça do agressor
carrega a mesma mancha sob os astros.
O limite é muralha, não é convite.
O silêncio não é perdão nem esquecimento.
É a recusa absoluta e definitiva
de alimentar o seu fingimento.
— Moura.
O Reencontro
Reencontrar teu olhar é encontro de almas, certeza bonita que o tempo não desfaz. Não há vento que apague, não é passageiro; no avesso do peito, sempre foi você.
Ao te ver chegar, o corpo inteiro acelera, cada fibra de mim vira pressa e calor. Teu beijo queima mais do que o fogo, incendiando a pressa desse nosso amor.
Quero ler cada detalhe do teu rosto, saber de cor os teus traços, mais e mais. Sabor de mistério, provar do teu gosto, nos teus braços, encontrar minhas pazes.
E no espaço que a tua pele delimita, onde o toque se expande e o silêncio grita, com você, minha paixão personifica.
— Moura
Suas linhas estão tatuadas
na minha mente.
Cada milÃmetro do meu pensamento,
você já invadiu por completo.
Eu te querer
já é o ar que me consome.
Eu não sei que feitiço você tem,
mas quando você chega,
eu quero te sorver até o fim.
Já nem me importa o tempo que falta,
a distância...
Me arruÃno e me restauro sempre cada vez mais.
Vejo no seu reflexo
o que me devora.
Mais um pouco eu queimo esse drama,
deixo minha vida inteira na tua casa.
Eu não sei
O que você tem…
— Moura
Sou o segredo que cansei de guardar, Um afeto restrito ao close friends, Uma "amiga" qualquer para quem vê de fora. Cansei de ver meu nome moldado em mentiras, Servindo de desculpa em histórias que nem sei.
Fui manipulada pelo peso de um bom coração, Por essa miopia que não enxerga a maldade alheia. Cansei de ceder às minhas próprias fraquezas, De me curvar diante do jogo do outro.
Fui o cais compreensivo para quem eu amava, Mas na minha vez, só encontrei o silêncio. Cansei de abrir espaço para vozes intrusas, Para opiniões que nunca pedi. Cansei de deixar que o labirinto da mente me domine, Me confunda e me fira por dentro.
Esbarrei no limite de ser boa o tempo todo.
A partir de hoje, ergo minha própria voz. Vou me permitir o direito do "não", Assumir meus tropeços, mas resgatar meu espaço. Pensar mais em mim, dar nome às minhas dores, Ser minha própria força e me entregar ao mundo por inteiro.
Não aceito mais nenhuma migalha daqui para frente: Exijo que me assumam à luz do dia, Que me aceitem, que me escutem, E que me deem o direito de, finalmente, me sentir segura.
— Moura

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Sou nós de marinheiro em linha fina,
um desapego que, no fundo, trava.
Protejo o peito que tanto ansiava,
na fortaleza que o medo domina.
Cresci moldando o silêncio na mesa,
cedendo o espaço pra evitar a dor,
achando que a distância era defesa
e que no escudo estaria o valor.
Não é maldade, não é indiferença,
é só o susto de se ver exposta,
de desarmar a antiga autodefensa
e descobrir que o amor é a resposta.
Estou mudando a rota do passado,
curando os passos que dei por engano.
Quero o abraço que cura o cansado,
o cais seguro em meio ao oceano.
Para que eu mude a minha própria herança
e deixe o peito, enfim, escancarado.
Não mais a fuga que a alma cansa,
mas terra firme pra quem for amado.
O Peso do Teu Eco
Eu quis fincar raÃzes no teu solo instável,
Fazer de nós o plano, a linha e o cais.
Busquei a firmeza do amor durável,
Onde o chão cedia um pouco mais.
Mas nossos passados sentaram-se à mesa,
Trouxeram fantasmas, feridas, temores.
O trauma antigo cobrou sua certeza,
E desbotou a vivacidade das nossas cores.
E abrimos frestas, janelas, portões...
Deixamos que o mundo pisasse no ninho.
Vozes alheias ditaram razões,
E o que era nosso perdeu o caminho.
Agora o silêncio é um eco que gela,
E o tempo conspira para não te apagar.
Qualquer outro toque é uma cópia vaga,
Nenhum outro riso consegue curar.
Comparo os abraços, procuro teu traço,
Em faces distintas que tentam ficar.
Mas fico rendida, presa a esse laço,
Sem conseguir ninguém mais amar.
O mundo continua, mas a alma congela,
Nessa corrente que o fim não desfez.
Ah, como eu quero, como eu quero ela...
Com todos os erros, mais uma vez.
—moura
O Espaço Entre Nós
Ainda não vi a linha do teu rosto,
nem toquei a curva da tua mão,
não sei se o teu cheiro tem o gosto
da pressa ou da calmaria do verão.
Meus olhos ainda guardam a moldura
de uma tela fria, pequena, iluminada,
mas através dessa moldura pura,
sinto tua presença atravessar a estrada.
O mundo corre lá fora, acelerado,
deixo metades e mensagens pelo caminho,
o tempo parece sempre ocupado,
mas para ti, dobro o tempo com carinho.
Não sei explicar a quem me vê de fora
essa pressa em te dar o meu segundo;
mesmo na agitação de cada hora,
teu norte é o que organiza o meu mundo.
A poucas horas de distância do teu abraço,
o desejo já cumpre o que o destino quis:
antes mesmo de ocupar o teu espaço,
você já mora em tudo o que eu sou e fiz.
—moura