ESPECIAL: NA ROTA DO MOTOCAFĂ
Fotos: Ricardo Fonseca / Arquivo Motocafé.
SĂO LUĂS: Um grupo de jovens senhores amantes das duas rodas frequentavam outro grupo de motociclistas na capital maranhense, quando se reuniam uma vez por semana para tomar cafĂ© em padarias ou conveniĂȘncias, conversavam sobre todos os assuntos e depois davam um ârolĂȘâ pela cidade. Depois de um certo tempo, esse grupo cresceu tanto que se ramificou, dando origem ao MotocafĂ©.Â
NASCE UMA CONFRARIAÂ
âHĂĄ cerca de nove anos eu comecei a frequentar um clube de motociclismo: PĂĄssaros da Noite! Estava muito feliz por ter realizado um grande sonho: Minha primeira Harley Davidson! Helder, amigo particular, criou o clube e me convidou para fazer parte. ReunĂamos Ă s quintas Ă noite para um rolĂ© que se tornou uma agradĂĄvel rotina onde amigos nĂŁo sĂł se encontravam para passear sobre duas rodas, mas tĂŁo importante quanto o rolĂ© pela cidade era mesmo o papo entre amigos, alguns jĂĄ conhecidos e sempre havia gente nova aderindo. Era com muita alegria que nos encontrĂĄvamos num posto de combustĂvel ali na Avenida dos Holandeses, perto da AABB. Nada mais saudĂĄvel que aliviar as tensĂ”es da semana na vĂ©spera do conhecido jargĂŁo âsextou!â , conta o Professor e EmpresĂĄrio Cidinho Marques - presdente do grupo - num trecho do novo livro que serĂĄ lançado este ano. (O primeiro âMOTOCAFĂ - uma aventura HolosĂłficaâ, de SebastiĂŁo Saraiva, foi lançado em 2018). Â
â Passaram-se dois anos e minha paixĂŁo pela Harley sĂł aumentava. Era hora de trocar a Luci, (Ă© de praxe colocar um nome feminino nas motos) uma Heritage Custom de cor cinza por uma nova versĂŁo [...] Para cumprir a tradição ludovicense de batizar nossos novos veĂculos na igreja de SĂŁo JosĂ© de Ribamar, a Luci II ( Uma Harley Street Glide vermelha) jĂĄ aproveitaria o primeiro domingo para ser aspergida com a ĂĄgua benta e as oraçÔes do padre da parĂłquia ribamarense.Â
Para cumprir o ritual convidei alguns amigos dos PĂĄssaros da Noite para me acompanharem. Marcamos o local de saĂda na cafeteria Fribal da avenida dos Holandeses e lĂĄ, a partir das 9 hs da manhĂŁ, rolou um papo tĂŁo amigo e agradĂĄvel que virou rotina nos domingosâ, completou Cidinho (de colete Ă esquerda).Â
Os primeiros participantes deste grupo, Eu, Ruy Palhano, Silas e Beto nos deleitĂĄvamos com as conversas que, embora, informais, adentravam cada vez mais a seara das CiĂȘncias Humanas, notadamente a filosofia. Nascia ali, as sementes do que mais tarde viriam nomear o nosso grupo de CafĂ© FilosĂłfico, Ă exemplo de um programa da TV Cultura que ainda vai ao ar aos domingos Ă noite. Mesmo continuando a frequentar o agradĂĄvel clube dos PĂĄssaros da Noite, nosso CafĂ© FilosĂłfico sĂł crescia. E aos trĂȘs primeiros fundadores, somaram-se o LuĂs Paulo, Ronan, JĂșlio Marcante, Waldeck, Walber, Ednarg, Alexandre, Brito, MarcĂŁo, Saraiva, e vĂĄrios outros. Hoje o grupo conta com a participação de nada menos que 63 participantes que, mesmo sem presença assĂdua, fazem do grupo uma irmandade coesa, amiga e solidĂĄria. Finalizou o presidente do MotoCafĂ©.Â
Pedro Vasconcelos, 70, ex-deputado.Â
â Faço parte do grupo seleto MotocafĂ©, de pessoas amigas, sinceras, que se reune todos os domingos para passear pela cidade. Antes, fazia parte de outro grupo (PĂĄssaros da Noite) , mas comecei a frenquentar esse e me identifiquei. Fazendo parte com alegria, com emoção, um momento de grande prazer e felicidade pra todos nĂłsâ, disse Vasconcelos.Â
Alexandre Oliveira, 65, Engenheiro MecĂąnico.Â
â Eu tive um cĂąncer praticamente terminal e depois da cirurgia eu decidi viver a vida[...]a vibração, a adrenalina e o prĂłprio medo, me ajudou a restituir o movimento do braço[...] Eu gostei da estrutura, do pensamento do grupo, da conexĂ”es [...] nĂŁo existe quem manda, Ă© bem aberto e bem tranquiloâ, disse Oliveira.Â
O Grupo jĂĄ visitou duas vezes a famosa ROUTE 66 (a Rota 66), que vai do estado de Chicago (Centro-Oeste ) Ă Las Vegas (Deserto do Mojave - Nevada ), nos Estados Unidos e, jĂĄ planeja uma nova viagem em agosto desse ano, para Sturgis (Mississipi), para o maior evento de motocicletas do mundo - STUGIS MOTOCYCLE RALLY.Â
ROTA 66
Passa por Chicago, Missouri, Kansas, Oklahoma, Texas, Novo MĂ©xico, Arizona e CalifĂłrnia: esses sĂŁo os estados ligados pela Rota 66. A estrada começando em Illinois atĂ© Santa MĂŽnica, foi construĂda em 11 de novembro de 1926, em uma Ă©poca de efervescĂȘncia na indĂșstria automobilĂstica dos Estados Unidos.
âFizemos duas vezes a Rota 66. A primeira do final, onde saĂmos em 08 casais de Los Angeles atĂ© Las Vegas e durou cerca de 10 dias, parando nos lugares. A segunda do inicio, de Chicago atĂ© Novas Orleans, passando por todas as famosas rotas musicais: A do Cowboy (Country Music) em Nashville, a rota do Rock And Roll (Memphis), na terra do Elvis Presley e a rota do Jazz em Nova Orleansâ, disse empolgado o professor Cidinho Marques.Â
Enedina, 56, Fisoterapeuta.Â
HĂĄ 6 anos pilotando motos por incentivo do marido, que tambĂ©m Ă© motociclista, ela Ă© uma das muitas integrantes do grupo. âO meu marido tinha uma Haley Davidson que ficou um tempo parada, conhecemos o grupo e, se ele poderia pilotar, por que eu tambĂ©m nĂŁo poderia? EntĂŁo fiz curso de pilotagem junto com ele e daĂ pra frente nĂŁo parei mais [...] a gente comprou a minha Haley Davidson 2017 (a dele Ă© 2009) e pilotamos juntos.â, disse a Fisioterapeuta. Â
Ruy Palhano, 72, Psiquiatra.
Um dos fundadores do MotocafĂ©, ele pratica o motociclismo hĂĄ 17 anos e hoje incentiva o filho que tambĂ©m integra o grupo. âAs pessoas que praticam o motociclismo, ficam mais calmas e mais serenas depois de um belo passeio, de uma bela viagem. Recentemento foi publicado um trabalho de NeurociĂȘncia, mostrando que a nossa ĂĄrea de arte e presença cerebral (que Ă© riquissima em dopamina), em duas rodas, Ă© mais estimulada, entĂŁo produz mais dopamina. A prĂĄtica de pilotar Ă© uma condição especial. A minha maior experiĂȘncia foi fazer a Rota 66.âł , finalizou Dr. Palhano.
LuĂs Paulo, 70, Aposentado.Â
Começou a pilotar motos com 17 anos. âEu vim do Rio pra cĂĄ hĂĄ 16 anos, frequentei outro grupo. e conheci o Cidinho. Depois que fundaram o MotocafĂ© eu resolvi integrar o grupo desde o inicio tambĂ©m. Eu gosto de vir atĂ© quando estĂĄ chovendo, Ă© uma fonte de lazer [...] VocĂȘ precisa começar a pilotar por escala, vai com uma de 350 cilidradas, depois uma de 500 e, vai subindo, pegando a sua prĂĄtica [...] Moto Ă© um pouco perigoso, pouco! Todo cuidado Ă© pouco, quem faz a moto ser perigosa Ă© o piloto.
Nagib Félix, 53, Empresårio.
âDepois da pandemia veio aquela angĂșstia, depressĂŁo, medo das coisas... procurei um profissional e ele disse pra eu procurar um hobby. EntĂŁo votei a andar de moto (comecei em 1986), tirei a minha carteira, comprei a primeira, a segunda, a terceira, a quarta e virou mesmo o meu hobby, para a minha integridade mental, de saĂșde e para relaxar.â, disse Nagib. Â
A Confraria MOTOCAFĂ Ă© mais do que um grupo de motociclistas que se reĂșne aos domingos para um cafĂ© literĂĄrio, seguido de rolĂȘs pela cidade. Ă a uniĂŁo de profissionais de todas as idades, com interesses na prĂĄtica saudĂĄvel do motociclismo, fortalecer as amizades  e tambĂ©m de promover atividades sociais, como nas entregas de cestas durante o Natal, as comunidades carentes da Grande Ilha.Â
âPara participar do MOTOCAFĂ , precisa ter uma moto, espĂrito de confraria e de reposnabilidade sobre duas rodas. Qualquer pessoa que queira fazer do motociclismo um momento de saĂșde mental, de oportunidade de espairecimento, de fortalecimento de amizades, Ă© bem vinda.â pontuou o presidente Cidinho Marques.Â
Para maiores informaçÔes sigam o MOTOCAFà no instagram: @motocafe_slz









