No momento, graças à mudança em andamento, a minha casa não tem muitos móveis. Quando ando pelo apartamento, posso ouvir meus passos fazendo eco. Um quarto está todinho vazio e a sala seria um excelente salão de festas, não fosse pelas muitas caixas empilhadas pelos cantos. Não tenho sofá, não tenho mesa, não tenho armários de cozinha. Não tenho nem uma pia de cozinha, na verdade. E sinto menos a falta dessas coisas do achei que iria.
Dois colchões fazem as vezes de sofá. Quase toda a minha louça já está encaixotada - e, sejamos francos, toda a minha louça pode ser descrita como um jogo de pratos e meia dúzia de copos. A pia, que me parecia mais absolutamente essencial, está sendo substituída pelo tanque e por um engenhoso improviso do meu pai, envolvendo uma bacia.
Mas o caso é: se te pedissem para apontar o que mais te faria falta em utensílios domésticos, qual seria a sua resposta? A geladeira provavelmente figura o top 3 de muitos, o micro-ondas não deve ser excluído do top 10. Poucos se lembrarão da torradeira, o mais nobre dos eletrodomésticos.
Desde que a primeira torradeira cruzou o meu caminho, pães nunca mais foram a mesma coisa. E se os pães não são mais a mesma coisa, a vida, meu amigo, tampouco o é.
São as torradeiras que fazem as memórias do pão caseiro recém saído do forno com manteiga derretida serem um pouco menos dolorosas. Que tornam o mais sem graça dos pães de forma em algo agradável. Que ilumina o seu café da manhã. Que permite até, veja bem, que você pegue no ar uma fatia quentinha.
A torradeira é o utensílio mais simpático da cozinha. Se a torradeira fosse uma cor, seria o azul. Se fosse uma rede social, seria o twitter. No mundo dos doces, seria o chocolate. Se ela fosse escalada para jogar na Copa pela Seleção, vestiria a camisa 4.