Tudo estava desanimado após a separação dosm eu pais. Papai voltou a beber, e mamãe foi morar com o novo namorado na Alemanha. Minha irmã começou a faculdade e então pouco nos víamos. Eu estava sozinha e isolada do mundo. Tudo o que eu tinha era uma tartaruga de estimação, velha porém sábia. O silêncio dela valia mais do que mil discursos de qualquer um. Ozzy é um bom companheiro. Estávamos de mudança, meu pai havia comprado uma casa numa cidade próxima de onde eu morava.
- Chegamos - disse meu pai, apontando para uma casa velha. - Acho que precisa de umas reformas, mas dá para o gasto.
- É.. Bonita a casa.. - sorri para agradá-lo.
- Você vai adorar mais ainda quando conhecer Amber e sua filha, são uns anjos! - Ele sorria até ver minha cara de desaprovação.
- Prefiro você bêbado. - Sai do carro, pegando Ozzy e batendo a porta.
Meu pai abriu a casa e enquanto ele abria as janelas, corri para meu futuro quarto, que estava empoeirado e abafado. Comecei a tossir até que abri a janela. O quarto era inteiramente rosa. "Valeu papai, acertou de novo." pensei com tal ironia. O quarto era bonito, fora o detalhe de ser rosa. Tinha uma sacada grande e um banheiro vintage.
- Essa casa deve estar fechada há uns 20 anos.. - Disse uma voz feminina vinda da porta.
Era Amber, a nova namorada do papai.
- O cheiro me agrada. - Respondi
- O de funeral? - Ela riu
- É, me lembra de alguns momentos que vivenciei. - Tirei uma mecha violeta do rosto.
- Oh, pobrezinha, deve ser difícil perder a mãe.. - Ela acariciou meu rosto.
- Não sua tolinha, estou falando de minhas vítimas. - Sorri para não soltar uma gargalhada.
Neste momento ela me olhou com uma cara de espanto e saiu correndo do quarto. Desci e peguei uma vassoura e fiz uma faxina completa no quarto, levei o aquário do Ozzy e fiquei desabafando com ele até os móveis chegarem.
- Meu quarto é lá em cima, pode colocar essas coisas lá. Para achá-lo procure por um aquário e uma tartaruga. - Dei as instruções para o cara.
De repente chegou um carro de gente muito rica na porta da garagem e era um conversível incrível, haviam duas garotas e três meninos. A garota loira me acenava como se fossemos best fucking friends forever. Eu a ignorei. Amber saiu correndo de casa como criança atrás de sorveteiro e foi aumentar o ego da sua querida nojenta filha. Eles pareciam aquele pessoal feliz de propaganda. Dei uns passos para trás, perdi o equilíbrio e cai. Que merda, o povo "bonito" estava rindo de mim. Cai numa caixa cheia de papéis do papai. Nem tentei levantar, fiquei lá, jogada nos papéis.
- Quer uma ajudinha aí? - Um garoto lindo surgiu em cima de mim, inclinado sobre a caixa, onde só se via meus pés. Ele era pálido de cabelos pretos, olhos azuis
- Não está vendo que estou me afogando nas mágoas escritas do meu pai? - Falei pegando alguns papéis.
Ele riu e ficamos nos encarando por alguns segundos.
- Você é muito bonita para se afogar em contas. - Ele falou me olhando com os olhos azuis.
Ele me ajudou a levantar, e me analisou de cima a baixo.
- Você parecia ser mais alta dentro da caixa.
- Normal, - eu ri - sempre pareço ser algo, mas no final, não sou nada.
- Matt, já terminou de levar as caixas? - Um homem vinha se aproximando.
- Já sim pai - ele respondeu. - Então, a gente se fala? - Ele me perguntou.
- Claro! - respondi colocando meu cabelo de lado.