"i really don't need this right now."
“precisar de quê, exatamente?” o tom saiu baixo, indagatório apenas na superfície, porque ela sabia muito bem o que estava fazendo e o que cada palavra carregava por baixo da entonação. não iria, em hipótese alguma, assumir que sentira sua falta, e ainda assim havia um propósito claro em ter se desviado de compromissos, rotas e prioridades para aparecer naquele canto específico da itália pouco depois de saber que ele estaria ali. poderia chamar de questões natalinas próprias, poderia chamar de tédio, de impulso, de uma vontade mal explicada de consumir e destruir o que ainda parecia inteiro demais... poucos saberiam afirmar com precisão, e talvez nem ela mesma tivesse interesse real em destrinchar. o fato concreto era que, conforme se insinuava para dentro do espaço, deslizando e passando para trás dele como quem não pede licença porque nunca aprendeu a fazê-lo, algo já estava sendo arquitetado em sua mente. “non essere scortese… voglio parlarti.” a voz carregava uma suavidade ímpar, enquanto se aproximava o suficiente para que a presença fosse impossível de ignorar. “e somos… velhos amigos.” a palavra amizade ali era elástica, esticada ao limite do aceitável, mas ela a usava mesmo assim, porque sempre fora essa a justificativa escolhida quando decidia voltar a se infiltrar na vida de alguém com quem errara. “não gosto da maneira como as coisas acabaram.” e isso, ao menos, era verdade, ainda que incompleta, porque aspen nunca gostava de finais que não tivesse escrito com as próprias mãos. mas ele não era, ao menos não exatamente, qualquer pessoa em sua vida, e havia nisso um desconforto específico, uma diferença sutil que tornava aquele retorno menos trivial do que ela jamais admitiria em voz alta.
itália, em dezembro, com @michchapman.












