.I say a little prayer for you.
Verdade seja dita: Sam nunca gostou de aeroportos. O desgostar não atingia extremos como acontecia com Dean, cujo pavor de aviões fora convertido num desejo invariável de rodar quilômetros e quilômetros de estrada, mas ele também não era nenhum desses aficionados por voar. Apreciava sim uma ou outra viagem, quando necessário. Só que a questão ali não era o voo per si, eram os aeroportos. Costumava achar tais locais tristes e solitários. Sentar numa das cadeirinhas de espera de um desses lugares costuma ser uma lição de vida. Por ali passam todos os tipos de pessoas, todas as horas, dos mais tristes aos mais felizes, dos mais inocentes aos mais perigosos. Seus pensamentos seguiam por essa linha enquanto esperava pela única mala que ainda não havia aparecido na esteira de bagagens. Já começava a imaginar se a mesma havia se perdido quando ela apareceu, solitária e silenciosa, quase como se estivesse descansando. Todos os outros passageiros já tagarelavam animados enquanto se encaminhavam para a saída do desembarque, onde se encontrariam com familiares, amigos ou até mesmo alguns, mais ousados, seguiriam sozinhos seus caminhos. Sendo mais alto que a média geral, era fácil observar todas as cabecinha, umas mais perto das outras, perdidas em abraços e beijos de saudades. Para ele nenhuma daquelas importava. Seu olhar perscrutou o cenário à procura dos cabelos loiros de Dean que aparentemente não estavam em nenhum lugar. No fim das contas, não foi o irmão mais velho que veio recebê-lo.
- Gabriel? – Se a voz do Winchester soou desgostosa, não era culpa dele. E que Gabriel não se sentisse ofendido. A surpresa foi um pouco maior do que esperava. Afinal, aquele loiro não deveria estar ali. Da ultima vez que se falaram, Gabe estava em... Onde estava mesmo? Bom, em algum lugar que não era aquela cidade. Que não seja mal julgado. Não era como se Sam não gostasse dele. Pelo contrário. Nos dias que se passaram costumavam ser quase melhores amigos. Uma amizade estranha, é verdade, mas ainda assim, uma amizade. Afinal, um sempre foi expansivo demais, enquanto Sam preferia a introspecção de seus livros. Não fosse por Gabe, Dean e Castiel nunca teriam se juntado. Certo, talvez ainda não estivessem juntos no sentido máximo da palavra, mas todo mundo sabia que havia alguma coisa muito estranha entre os dois. Gabriel foi o responsável por apresentar o irmão caçula ao mais velho dos Winchesters e, como não poderia deixar de ser, Sam acabou no meio da confusão. Entre segurar vela para os dois, preferia a companhia exagerada de Gabe. Companhia esta que se verteu em coleguismo para logo depois se transformar em sincera amizade. Foi assim por mais de três anos. Até que Sam decidiu ir estudar em Stamford.
Amizades à distância duram, porém há empecilhos. De início, sempre se falavam. Depois tudo foi se tornando mais distante e complicado e, durante o último ano, quase perderam o contato. Soube através de Dean que o irmão de Castiel havia viajado para algum lugar, sabe-se lá onde. Três anos atrás, sabia exatamente quais eram os doces favoritos dele. Sabia também o que gostava e odiava fazer nos dias de chuva. Conheciam um ao outro, da maneira mais estranha possível. Até mesmo Cas ousava dizer que eram um par estranho de melhores amigos, ao que Sam apenas balançava a cabeça. Contudo, para que Castiel abrisse a boca para um comentário daquele, por mais simples que fosse, era porque tinha razão. E só parou depois de receber uma cotovelada de um Winchester resmungão.
Foi por essas e outras que acabou surpreso ao vê-lo parado ali. Por outra pessoa não estava esperando. Foi quando Sam se lembrou que seria bom voltar a andar, uma vez que estava parado no meio do caminho. Aproximou-se do loiro com um ar cansado, porém animado por vê-lo ali. – Eu realmente não estava esperando por isso. O que aconteceu com meu irmão?












