VocĂȘ Ă© como uma ideia persecutĂłria que me assombra a todo momento. Posso contar nos dedos quantos dias nos Ășltimos meses nĂŁo pensei em vocĂȘ e, apesar disso, nem me lembro mais qual foi a Ășltima vez que nos falamos.
Eu queria ter coragem pra poder gritar e fazer todo esse sentimento ecoar pelas ruas e pela cidade e por todas as grandes metrĂłpoles e paĂses e atravessar continentes atĂ© perder a força e sumir de vez. Eu queria ter coragem pra discar seu nĂșmero e falar. Dizer que te odeio. E que tĂŽ com saudade.
Queria conseguir esclarecer toda a nossa histĂłria pra enfim seguir em frente sem nenhum fio embolado que ainda me ligue Ă vocĂȘ, mas talvez a nossa conexĂŁo seja metafĂsica e nada, nem um incĂȘndio ou um maremoto ou uma viagem no tempo seja capaz de desfazer. E isso Ă© o que mais me dĂłi.
Me dĂłi saber que a sua vida Ă© completamente diferente daquilo que planejamos juntos e que, indiscutivelmente, nĂŁo hĂĄ arrependimento algum (da tua parte) de ter mudado o caminho. Me dĂłi saber que por mais que eu tente de todas as maneiras e por mais que eu queria experimentar outros amores e talvez atĂ© outras dores proporcionadas por esses amores, nada preenche esse buraco existencial que vocĂȘ deixou.
Me dĂłi demais, dia apĂłs dia, saber que nĂŁo nos encontraremos em nenhuma esquina, em nenhuma festa, em nenhum museu, ponte aĂ©rea ou aeroporto, me dĂłi saber que mesmo atravessando o paĂs e quiçå o mundo, nada do que eu fale farĂĄ efeito algum sob tudo aquilo que jĂĄ foi desfeito. Nada do que eu fale farĂĄ efeito sob vocĂȘ.
Me dĂłi saber, principalmente, que em relação a vocĂȘ, essa dor nĂŁo Ă© a Ășnica coisa que sinto.