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Bom filho à casa torna: Noite Malfeito #17 | Foto-Reportagem
Regressamos a uma boa casa, regressamos ao Café Avenida em Fafe, para mais uma noite Malfeita: a #17.
De um lado os Acid Tongue uma banda banda norte-americana saída da garagem com forte influências pelo soul, folk e o rock psicadélico. A banda é composta pelo Guy Kelter na voz e pelo baterista Ian Cunningham. A banda já é a segunda vez que passa por esta casa, regressando assim após uma noite épica no ano de 2017.
Do outro lado estavam os portugueses Summer of Hate (S º H), um projecto pop experimental conceptualizado por João Martins (aka Father Jon Misery), activo desde 2016 como banda ao vivo e, temporariamente, com membros rotativos, alguns oriundos de Espinho, outros do Porto.
Pode-se considerar o projecto Summer of Hate como “outsider music”, “emo psicadélico” em tom de brincadeira e, até, uma banda de shoegazing mas com uma abordagem muito mais folk e artesanal.
Outro regresso de um “filho da casa”, foi o do baixista Michel, ex. integrante dos El Senõr. Pedro Adelino (guitarra modular), Margarida Peixoto (guitarra ritmo) Pedro Lopes (bateria), Vasco Oliveira (sintetizador, mellotron) e Laura Calado na voz são os outros integrantes da super banda.
Vejam toda a foto-reportagem pelo Jorge Nicolau: aqui
Voltamos a ser duros no 2º aniversário da Malfeito | Reportagem
O lema “temos de ser duros” teve uma nova versão destinada ao editor do bonito cartaz deste 2º aniversário da Malfeito. Ficam aqui os nossos parabéns para o autor do design. “Temos de ser duros no Corel” (passe a publicidade) pois o line-up da festividade teve de ser atualizado por 2 vezes dadas os cancelamentos de Vaiapraia e dos Beez. Por fim foram os Grand Sun a ocuparem a vaga, última contratação e que justificou plenamente a chamada à “convocatória”. Mais à frente justificaremos…
Este 2º aniversário foi celebrado nas passadas noites de sexta-feira (dia 5 de abril) e sábado (dia 6 de abril) no sítio do costume: o acolhedor Café Avenida situado na bela e pacata cidade de Fafe.
Para a primeira noite chegamos cedo. Aproveitamos para tomar um cafezinho e para “dois dedos de conversa”. Mais adiante na noite “mergulharmos” na sala dos fundos (literalmente) e presenciamos as performances da noite.
Logo na sala principal do Café Avenida deparamo-nos com uma instalação fotográfica por parte da Malfeito nos quais estavam recordações de várias noites realizadas por aquela entidade cultural. Desde logo um bonito cartão-de-visita. Ao fundo da sala principal e na zona dos bilhares a sala foi decorada com vários posters de eventos já realizados naquele café e que vão além de eventos Malfeito.
Na sala intermédia e destinada aos DJ Sets fomos igualmente presenteados com cartazes alternativos da festividade e, diga-se em abono da verdade, muito bem conseguidos. Além disso, as típicas caixas recortadas e iluminadas com os nomes das bandas que já passaram por Fafe a encargo da Malfeito. Estava criado um ambiente ainda mais acolhedor perante tal decoração atenciosa do espaço.
À medida que o local ia ficando mais frequentado ficamos mais próximos do início dos concertos, algo que aconteceu perto das 23:40 horas, tendo os brasileiros Bike tido a honra de abertura das “hostilidades”. “Vi a montanha mais perto do céu” (letra do tema “A Montanha Sagrada”) cantavam estes brasileiros. Assim começamos a sentir-nos ouvindo o seu rock psicadélico extremamente exótico. Adicionado o reverb as vozes ficam com um tom particularmente hipnótico o que ajuda imenso a esse sentimento de exotismo e a ligeiro transe. Gostamos especialmente de como desconstroem as canções para logo em seguida as voltarem a fazer crescer. Apreciamos novamente (depois do concerto em Guimarães) a experiência Bike.
Em seguida apresentaram-se os 10000 Russos, trio oriundo do Porto. O último álbum ‘Distress Distress’ foi o “menu principal” da banda desde o início de 2018. Têm um som que não é fácil de assimilar é certo e que chega a ser algo monótono a certos momentos. A sua performance iniciou-se já depois da 1 da manhã e aconteceu perante uma sala bem composta e com gente bastante atenta às suas canções. “Europa Kaput” foi a canção de maior destaque cujo refrão é facilmente interiorizado e que nos fez lembrar as confusões europeias, especialmente pela imagem de Teresa May e do Brexit. Coisas bizarras a horas já meio impróprias…
Ao fim de 1 hora de concerto foi o momento para as meninas da Malfeito com o seu alter-ego de DJs como Chicas Mal Hechas abrirem a pista de dança.
Mais fotos da primeira noite por Jorge Nicolau: clicar aqui
No sábado voltamos à estrada e a percorrer novamente a bem conhecida “Variante de Fafe”. Os caminhos levaram-nos para a segunda parte do evento. Desta vez a noite iria ser preenchida por três bandas, uma mais que no dia anterior. Desde bem cedo notamos que esta noite de fim-de-semana seria a mais movimentada das duas. O Café Avenida registou uma bonita casa cheia.
Para início das “hostilidades” entraram ao “serviço” Ditch Days. A banda lisboeta apresentou-se em formato quinteto na qual contou o auxílio de Pedro Castilho (tem o seu projecto a solo como Castilho Castilho) na guitarra. Durante 45 minutos apresentaram o seu álbum de 2016 ‘Liquid Springs’ com canções como “Back in the City” uma das que mais gostamos. As novas canções, lançadas nos últimos meses, não foram obviamente esquecidas. Também apreciamos bastante ouvir ao vivo estas novas “malhas”: “Even If You Know”, “Seth Rogen” e “Downtown” soaram-nos muito bem, melhor até no que no registo de edição discográfico. Voltaram a casa a saber que em Fafe ninguém fanfe!
Muita cerveja a rolar, ambiente bem animado e espirito punk a despontar. Estavam as “coordenadas certas” para a recepção aos Grand Sun caminhávamos já para a 1 hora da manhã. A última banda a ser confirmada não deixou os seus créditos por mãos alheias. E que festa foi! Confessamos que não tínhamos grande conhecimento deste colectivo de Oeiras. Agora que ficamos impressionados positivamente com a sua performance, isso ficamos. Especialmente pela energia do seu teclista. Aconselhamos a que escutem as canções “Little Mouse” e “Go Home”. O seu som é claramente inspirado no pop dos anos 60 com um forte travo psicadélico no qual o som das teclas dá aquele toquezinho indelével.
Durante este concerto dos Grand Sun o mosh animou as hostes: os ténis ficaram sujos, as testas suadas e as cervejas voaram para fora dos copos… Faz tudo parte de uma grande noite com selo Malfeito. Começa a ser uma tradição daquelas de manter por muitos e bons anos.
Antes do concerto seguinte foi a altura perfeita para cantarmos os merecidos parabéns à Malfeito e provar um bocadinho do delicioso bolo com que presentearam toda a gente.
A honra de encerramento dos concertos coube aos Cave Story. O quarteto das Caldas da Rainha anda a tocar pelas salas do país ‘Punk Academics’, considerado pelo HeadLiner um dos melhores do ano passado. Até por isso a expectativa de os ouvir ao vivo era maior. Apesar da hora mais adiantada e da sala estar um bocadinho menos preenchida do que no concerto anterior, a vibe continuava em alta. Esse álbum ‘Punk Academics’ foi devidamente explorado logo no início com “Motioned” e “Nickel Sports”. O seu som, como os próprios o afirmam, não tem um rótulo simples. Passa pelo Garage Rock e o Punk mas vai mais além. Isso mesmo é facilmente percetível ao vivo. Antes do encore, os Cave Story foram a única banda a conceder ao público esse pedido, tocaram mais canções desse mais recente registo como “Hill So White” ou “Offered Forms of Espace”. O álbum ‘West’ de 2016 não foi esquecido e foi igualmente explorado. A banda de maior estatuto esteve à altura do acontecimento não desapontando alguns fãs que estavam na audiência.
O fim da noite teve um DJ Set pel’ O Cão da Garagem representado por Carlos de Jesus membro da banda portuense Sunflowers.
Aproveitamos o fecho desta reportagem para desejar à equipa da Malfeito os parabéns e esperar que possam-nos brindar com estes excelentes eventos por muitos e bons anos!
Mais fotos da segunda noite por Jorge Nicolau: clicar aqui
“Temos de ser duros” foi o lema no aniversário do ano passado e de certa forma a ideia renova-se perante o, muito apelativo, cartaz novamente apresentado este ano.
Desde o primeiro aniversário, festejado em março de 2018, foram muitos os bons concertos e a animação levada ao Café Avenida e à extinta sala de ensaios “Sala Touro” transformada também em sala de concertos. Foi mais um ano a “todo o vapor” mantendo o nível e a força dos primeiros meses.
Devemos (re)lembrar que a cargo da Malfeito, desde então, a cidade de Fafe já teve oportunidade de ver ao vivo bandas lusitanas como os Fugly, Gator The Alligator ou os 800 Gondomar e ainda outras boas valias estrangeiras como os italianos Bee Bee Sea (na foto da capa deste artigo) ou os espanhóis Yawners. Um ninho de descoberta musical mesmo à mão de semear para melómanos.
As bandas de rock alternativo em expansão têm passado pelo centro fafense rodeadas de um ambiente sempre bem animado, festivo e acolhedor. Sempre ao próprio jeito minhoto. Certamente essa boa vibe, a qual já sentimos e presenciamos várias vezes, irá repetir-se e até provavelmente ainda com mais energia. Nomeadamente já na próxima sexta-feira e sábado (dias 5 e 6 de abril), altura para celebrarmos mais um ano de vida da Malfeito. A partir das 22 horas bem no centro da cidade de Fafe no Café Avenida.
O trabalho meritório da Malfeito fez com que o Notícias de Fafe reconhecesse esta promotora cultural na Gala Ardina d'Ouro com um prémio na área do associativismo. A gala promovida por aquele jornal tem o objectivo de reconhecer e premiar o mérito dos fafenses. A Mafeito tem-se destacado a dinamizar a cultura em Fafe, nomeadamente, em termos musicais
Está quase a chegar a festa do 2º aniversário e como não poderia deixar de ser, estamos associados como Media Partner. Damos-vos agora a conhecer as bandas que estarão presentes. Algumas das quais já vimos ao vivo pelo que podemos, com muito à vontade, dizer que este mini festival valerá bem a pena.
--- Sexta-feira, dia 5 de abril ---
» 10 000 Russos
A banda oriunda do Porto “viaja entre o psicadelismo, o industrial psych/post-punk e o krautrock” e vão apresentar sobretudo o último LP ‘Distress Distress’ lançado em 2017.
Em fevereiro do ano passado vimos o concerto deste trio no gnration em Braga, nessa ocasião fizeram a 1ª parte dos norte-americanos Moon Duo. Esta nossa reportagem pode ser lida aqui.
» Bike
Os brasileiros Bike navegam dentro das mesmas ondas musicais dos seus compatriotas Boogarins nomeadamente pelas marés do rock psicadélico.
‘Their Shamanic Majesties’ Third Request’ é seu álbum mais recente cuja edição discográfica ocorreu em 2018 e será, com toda a certeza, o foco principal do seu concerto.
Não será a primeira vez que estão por Portugal, sendo que, em setembro do ano passado tocaram em Guimarães. Esta passagem pela Cidade-Berço foi organizada pela Capivara Azul, na qual marcamos presença. A reportagem desse concerto pode ser lida aqui
A animação recreativa no resto da noite estará a cargo de Ripas e de Chicas Mal Hechas
--- Sábado, dia 6 de abril ---
» Cave Story
‘Punk Academics’ é o título do 2º longa duração dos Cave Story, banda oriunda das Caldas da Rainha. Um álbum que mereceu rasgados elogios e foi destacado sobretudo pela imprensa especializada como um dos melhores de 2018. O ponto de partida do som da banda rodeia o Garage Rock e o Punk mas vai mais além de um simples rótulo, ou mais que um.
Em fevereiro deste ano tocaram em Barcelos num dos eventos Triciclo e nós estivemos lá. Esta nossa reportagem pode ser lida aqui.
» Grand Sun
São de Oeiras os Grand Sun e vão apresentar-se em Fafe para tocarem o seu EP de estreia, ‘The Plastic People of The Universe’, uma viagem contemplativa aos 60’s dos Zombies, dos Velvet Undergound e de Syd Barrett.
» Ditch Days
Mais uma banda lisboeta cujo som tem várias inspirações indo do dream-pop, ao rock alternativo dos anos 90 e ao indie. O seu primeiro álbum 'Liquid Springs' data de 2016 e será apresentado neste concerto. Com certeza também não vão faltar as novas malhas lançadas recentemente Falamos concretamente de "Downtown” e “Seth Rogen” bem como do mais recente single “Even If You Know”.
A animação recreativa no resto da noite estará a cargo de O Cão da Garagem.
Eis o cartaz oficial da festa cuja presença é, sem dúvida, obrigatória!
Fafe: essa bonita, pequena e acolhedora cidade minhota tem sido destino recorrente para as nossas reportagens no decorrer deste super intenso ano de 2018. Mais uma vez, na passada sexta-feira 18 de novembro, dirigimo-nos até lá para mais uma noite produzida pela Malfeito. Esta foi a noite de encerramento da actividade cultural desta promotora fafense e que contou com os portugueses Gator, The Alligator e com os italianos Bee Bee Sea. Mais à frente voltaremos para contar um pouco de como foi esta noite…
No decorrer deste ano o HeadLiner tem sido Media Partner dos eventos da Malfeito e cabe-nos agora dar uma palavra de louvor a esta promotora cultural. Durante este ano, como observadores atentos do seu trabalho, temos de dar-lhes os parabéns por dinamizarem a oferta cultural em Fafe. Foi, estamos certos de que continuará a ser, uma mais-valia para aquela cidade.
No decurso de 2018 entre o palco privilegiado que foi o Café Avenida, mesmo no centro e a Sala Touro (a sala de ensaios dos El Señor) muitos foram os que tocaram ao vivo. Nomes mais conhecidos e outros emergentes na cena musical nacional e internacional como Fugly, Kings of the Beach, The Sunflowers, Vaiapraia e as Rainhas do Baile, Bad Pelicans, 800 Gondomar só para citar algumas das bandas presentes e que contribuíram para o enriquecimento musical de quem optou por estar presente e vivenciar a experiência Malfeito.
Puxando “a cassete atrás” vamos agora falar um bocadinho desta última noite de concertos deste ano. Quando tocam duas bandas é costume dizer-se que a banda de abertura é a que faz a primeira parte logo a menos relevante. Tal não se aplica a esta noite de duplo concerto e não de concerto com primeira parte.
Oriundos de outra cidade minhota, mais propriamente Barcelos, eis que os Gator, The Alligator tiveram a honra de abrirem a noite e tocarem as suas “malhas”. Eles são o Eduardo da Floresta (guitarra) o Ricardo Tomé (baixo), o Filipe Ferreira (bateria) e o Tiago Martins (guitarra e voz). Certo é que sons dos primeiros acordes foram um chamariz para o pessoal ir entrando até à “sala dos fundos” do Café Avenida. O espaço foi-se compondo com o decorrer do concerto.
‘Life is Boring’ é o primeiro álbum desta recentíssima banda barcelense composta por quatro elementos e que foi o alvo natural da sua apresentação. Estes seus temas têm sido comparados aos dos King Gizzard & The Lizard Wizard pelas inúmeras mudanças de velocidade sempre com as suas guitarras a cavalgar antecedidas de gritos de revolta puxando pela distorção e pelo suor.
Já mais perto da 1 hora da manhã surgiu o trio italiano Bee Bee Sea composto por Damiano Negrisoli (guitarra e voz), Giacomo Parisio (baixo e voz) e Andrea Onofrio (bateria e voz). Estiveram sempre de modo completamente descontraído e animado.
Tiveram uma atitude punk sempre alimentada a três vozes. Durante a sua performance tivemos a oportunidade de ver algo que não se vê em todos os concertos… O vocalista Damiano Negrisoli durante a actuação trocou uma corda da sua guitarra. A melhor descrição que podemos fazer do seu som é que são uma banda cheia de fuzz e vontade de fazer surfar os mais ousados. Este foi o nosso primeiro contacto com um concerto deles e ficamos bem impressionados.
Seria uma infidelidade terminar a noite sem uma “mochada” pelo que o pessoal fafense não se fez rogado e terminou mesmo em beleza. Mais uma vez o Café Avenida registou uma noite animada e concorrida.
Como nota de rodapé resta dizer que os eventos Malfeito são uma festa!
A seguir podem visualizar uma galeria completa de fotos desta noite:
Link disponível: clicar aqui
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Temos de ser duros: 1 ano de Malfeito | Reportagem
Trata-se de um nome “sui generis” e que acaba por realçar de forma positiva o projecto. Entremos então no universo da Malfeito, uma “promotora de divulgação e agitação artística e cultural sediada em Fafe” pegando nas palavras da própria associação. De facto, esta entidade tem dinamizado nos últimos meses a noite fafense de forma muito particular levando aquela cidade minhota algumas das melhores bandas no universo rock alternativo, tendo inclusive já trazido colectivos internacionais.
São exemplos disso mesmo como os espanhóis Kings of The Beach e os holandeses Mooon. Já de território nacional já passaram por Fafe os Stone Dead, os Cave Story, os 800 Gondomar ou os 10 000 Russos. Só para citar alguns. O mais incrível é que todos os concertos aconteceram no último ano entre sessões de matiné na Sala Touro ou os épicos concertos no Café Avenida.
A ocasião do 1º aniversário da Malfeito foi aproveitada para uma união com o HeadLiner, a partir de agora iremos fazer um acompanhamento mais de perto de todos os concertos relevantes levados a cabo por aquela promotora.
Esta festa de comemoração dos primeiros 12 meses de existência aconteceu nas passadas noites de 9 e 10 de março, sexta-feira e sábado respectivamente. O cartaz era, literalmente, apelativo e composto por Psychtrus + Sunflowers com DJ set da Pointlist na sexta-feira e no sábado com Kings Of The Beach + Fugly com DJ set de Paulinho + Nuno Dedos Biónicos.
O HeadLiner esteve em força nas duas noites e testemunhou noites de grande festa, interação, gente simpática e um forte convívio num local com as suas particularidades…
O Café Avenida foi o local eleito para o festejo e em modo de situação devemos dizer que o Café Avenida não é um nome fancy para um café- concerto como há por este país fora. Trata-se mesmo de um típico café à moda portuguesa em pleno centro de Fafe. Na parte traseira existem duas salas dos “fundos” que foram reaproveitadas pela Malfeito para os seus eventos. A maior serve para os concertos e uma intermédia mais pequena e acolhedora para os DJ sets. Locais ao estilo de garagem. Diremos nós, uma garagem rock com paragem obrigatória.
Em ambas as noites o clima esteve tempestuoso no exterior contudo tal situação não foi impeditiva para uma adesão generosa de público nomeadamente de uma faixa etária mais nova. O Ano Malfeito esteve espelhado pelo Café Avenida. À entrada do lado direito, uma espécie de mural com fotos dos concertos: uma por cada evento. Na área para os DJ sets estava a passar em modo nonstop um video com imagens desse mesmo ano. Para decoração do espaço tiveram também caixas recortadas com os nomes das bandas sendo iluminadas por dentro dando um efeito visualmente giro.
Noite de Sexta-feira
Psychtrus: a banda de Santo Tirso foi a primeira a actuar apresentando-se em palco com 4 membros em palco: Gonçalo Teles e Gabriel Coelho nas vozes e nas guitarras, Diogo Faria na bateria e Miguel Figueiredo no baixo.
Com o seu rock derivado de várias influências, do indie ao psicadélico passando pelo surf rock vimos um quarteto a dar boa conta de si. Inclusive com uma balada pelo meio quase em passo dançante… Gostamos do som da banda e foi, sem dúvida, uma bela surpresa. Nada melhor do que usar uma expressão da banda para os caracterizar: “rock despenteado e despretensioso”.
Sunflowers: o duo é já uma espécie de “banda residente” para a equipa do HeadLiner e que dificilmente nos vai desiludir com o seu som punk psicadélico à moda portuense. O público esteve permanentemente entusiasta, algo que é consistente em todos os concertos que vimos da banda constituída por Carlos de Jesus (voz e guitarra) e Carolina Brandão (voz e bateria). ‘Castle Spell” foi um momento fortíssimo do seu set, talvez por ser o tema mais em voga e que pertence ao mais recente álbum com o mesmo nome. Com a alegria de um moche à antiga, foi o modo para povo celebrar e curtir o som “florido”.
Para fecho de noite o DJ set esteve a cargo da Pointlist.
Noite de Sábado
Kings of the Beach: directamente de Vigo vieram Adrián Rodríguez (Guitarra e voz), Yago Guirado (Baixo e voz) e Samuel Otero (Bateria). O trio galego voltou a terras fafenses depois de ter estado num evento anterior, igualmente pela mão da Malfeito. A banda espanhola está em ascensão na sua carreira, fruto disso foi a participação na edição deste ano do conceituado evento norte-americano SXSW (South by Southwest). Têm um som que é uma mistura de indie rock, garage, punk e surf que, no entanto, nos soaram a um indie (quase pop) rock na sua veia mais “comercial” sem que isto signifique uma apreciação desprimorosa.
Concerto vivido num ambiente descontraído e festivo com um toque claramente punk, certamente vindo na noite anterior, aqueceu bem as hostes para mais uma noite bem passada. “Puta Espanha, viva Fafe” palavras de ordem vociferadas pela banda serviram para transmitirem o apreço da banda pelo público português. Provavelmente para algo mais…
Foi uma atuação positiva, teve também momentos de slows. Na ponta final a banda não se recusou a fazer crowdsurf. Houve uma sinergia contagiante.
Fugly: mais uma banda portuense presente e que também é seguida com muito interesse pela equipa do HeadLiner. Esta noite de 10 de março em Fafe foi a última data portuguesa antes de a banda aventurar-se por essa Europa fora. Tratou-se, sem dúvida, de uma força extra que o público fafense deu-lhes. “Millenium Shit” é um dos melhores discos do ano passado e isso tem sido reconhecido igualmente pelo público geral. Com seu intensíssimo garage-punk rock encerraram a parte dos concertos de forma incrível. Foram bojardas curtas mas mesmo brutalmente intensas. O público esse não arrefeceu minimamente e esteve sempre “onfire”.
No encerramento na noite o DJ set esteve a cargo de Paulinho e Nuno Biónico.