Saudade de gente viva é a coisa mais ridÃcula que existe e ainda assim a gente se submete
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Saudade de gente viva é a coisa mais ridÃcula que existe e ainda assim a gente se submete

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Eu acho que fui apenas uma linha na tua história, enquanto eu te dei um capÃtulo inteiro da minha.
O tempo e seu amigo e seu inimigo. Viva o hoje e tenha paciência quanto ao futuro. Você está fazendo o que está ao seu alcance. E você fez o seu melhor antes.
Não é fácil ser quem si é. Lidar com o desconfortável, com os defeitos e se tolerar nos dias em que o humor não agrada. Em que, tenta-se organizar o que de forma inata, é desorganizado.
Não é fácil mas tem que ser tolerável. Até que as cores voltem, o bom humor chegue e finalmente, seja possÃvel, nem que seja de forma gradaditiva, colocar em prática o que se almeja.
Sempre preparada para quando tudo der errado
Diante do contexto cultural e econômico que cresci, honestamente, seria surpresa se eu não tivesse desenvolvido uma capa protetora contra decepções. Se eu não já esperasse o pior ou que tudo fosse dar errado em algum momento. As decepções e quebra de expectativa foram tantas. Não tinha inspiração sobre minha vida nas televisões ou nos livros. Mas o mais próximo de identificação, eu abraçava em uma busca incessante de esperança.
Não tinha muitas perspectivas. O desemprego, a dificuldade comprar itens básicos, a falta de um tênis e de dinheiro para sair com colegas e amigos. Os assaltos foram traumatizantes. Era minha vida em risco e era itens que com tanto suor para serem comprados sendo retirados de mim a força.Â
Uma vez um amigo me falou que ele sentia que à s vezes eu tinha medo da vida. E eu tinha. Eu tenho. Naquela época eu não tinha consciência disso até esse momento. Eu realmente sou uma p*** medrosa. E todos os dias, estudando, trabalhando e sonhando com uma vida melhor, eu me deparo com esse medo e essa crença de que tudo pode dá errado.Â
E talvez isso não suma. E eu sei, que o que não posso deixar é isso dominar minha vida, quem eu sou por completo, meus planos e sonhos. E se tudo der errado, ainda assim terei alternativa. Ainda assim, posso buscar formas de lidar com novos desafios.Â
É assustador quando tudo dá certo. Porque é incrÃvel ver os resultados do seu trabalho duro. É gratificante. Talvez meu medo não é somente das coisas darem errado e tudo desandar. Mas sim, de deixa-lo me dominar. De perder o rumo.Â

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Cada um está sobrevivendo do que jeito que pode e consegue. Dentro uma cultura, de uma sociedade e a maioria, em solo firme. Não há superioridade no fim das contas. Você tem escolhas e existem coisas, que você não pôde escolher. Você simplesmente lida da forma que dá. Mas quanto ao que pode escolher, o que tem feito ? Como tem investido suas possibilidades e potencialidades ? O que tem feito para mudar, o que não pôde escolher ?
Eu sinto que já perdi. Perdi o valor que tinha. Perdi a noção de tempo e conforto. Perdi a companhia e a valorização dos momentos. Há coisas melhores. Há coisas tão boas quanto. Por que continuar junto ? Qual o sentido ? Ainda mais havendo complicação. Perder desse jeito gera um puto desconforto. Ao mesmo tempo que gera ansiedade e o seu corpo demonstra sinais de você precisa fazer algo, ele também fica disforico. Todas as emoções desconfortáveis ficam mais intensas.
Na realidade, o que realmente perdi ? Será que não foi meu equilÃbrio ? Será que não foi o que estava investindo em mim mesma ? Será que isso não se trata mais do outro do que de mim ?
Cheguei em casa.
Estou ainda maquiada, mas as olheiras já se sobressaem por debaixo das diversas camadas.
As rugas precoces começam aparecer: na testa, onde levanto a sobrancelha, exatamente como minha vó fazia; no canto dos olhos, marcando meus muitos risos e prantos.
A marca da bolsa que carreguei do trabalho até em casa se destaca no ombro.
Marcas de dermatite estão espalhadas pelo peito devido ao estresse.
Cara de mau humor porque a TPM insiste em se fazer notar.
As clavÃculas mais sobressalentes que o normal porque perdi peso nos últimos meses.
As veias que aparecem sob a pele translúcida, depois de um inverno rigoroso.
As muitas pintinhas: minha própria constelação.
Vida real.
- Isadora de Siqueira