O dia que vocĂȘ partiu foi o dia que eu mais morri na minha vida. Aquele dia tambĂ©m deveria ter sido o dia do meu velĂłrio.
O luto Ă© o velĂłrio contĂnuo das pessoas que ficaram.
@sraangustia 31.01.2026 đ€

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O dia que vocĂȘ partiu foi o dia que eu mais morri na minha vida. Aquele dia tambĂ©m deveria ter sido o dia do meu velĂłrio.
O luto Ă© o velĂłrio contĂnuo das pessoas que ficaram.
@sraangustia 31.01.2026 đ€

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MĂE Ă QUEM FICA
Tem tia
que aprende a ser colo
antes mesmo de ser chamada.
E vira mĂŁe dos sobrinhos
nas tardes difĂceis,
nos remédios dados na hora certa,
nas broncas cheias de amor.
Tem irmĂŁ
que troca a prĂłpria infĂąncia
para ninar os irmĂŁos menores,
que cresce cedo demais
porque alguém precisava ser abrigo.
Tem avĂł
que volta a ser mĂŁe
quando a vida cansa seus filhos,
e acolhe os netos
com mĂŁos jĂĄ marcadas pelo tempo
e ainda assim cheias de força.
Tem pai
que penteia cabelos,
seca lĂĄgrimas escondidas,
aprende receitas, medos e febres,
e descobre que maternidade
também mora no peito de um homem.
Tem mĂŁe
que Ă© pai,
que enfrenta o mundo sozinha,
carregando no olhar
o peso e a coragem
de quem nunca pĂŽde desistir.
Tem mãe do coração,
dessas que o sangue nĂŁo explica,
porque amor verdadeiro
nĂŁo nasce apenas do ventre, pois
nasce da escolha diĂĄria
de permanecer.
No fim,
mĂŁe Ă© quem fica.
Quem segura a mĂŁo no escuro.
Quem ama mesmo cansada.
Quem transforma cuidado em lar.
Porque ser mĂŁe
nĂŁo Ă© sĂł gerar uma vida.
Ăs vezes,
Ă© dar a prĂłpria vida
para que outra floresça.
Com carinho a vocĂȘs, MAMĂES!!!
@meus-excessos âïž
A dose de fofura do dia <3

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MĂŁe, Ă Sobre VocĂȘ
Nunca escrevi isso para vocĂȘ, e talvez seja por isso que as palavras me escapam, como se eu nĂŁo soubesse como organizar tudo o que se amontoa dentro de mim. Como se eu estivesse perdida nas memĂłrias, nas perguntas que nunca tive coragem de fazer. Como se fosse difĂcil, mas necessĂĄrio, escrever para vocĂȘ de uma forma que eu nunca consegui.
Sempre me pergunto se, em algum momento da sua vida, vocĂȘ foi verdadeiramente feliz. Se existiram brechas, pequenas fendas onde vocĂȘ se sentiu inteira, leve, sem carregar o peso do mundo nas costas. Eu queria saber quem vocĂȘ foi antes de ser mĂŁe, antes de ser esposa, antes de ser a mulher que carregou o sofrimento do outro sem nunca pedir permissĂŁo para si mesma. Queria entender as escolhas que vocĂȘ fez, os silĂȘncios que vocĂȘ aceitou, as batalhas que travou sozinha e as que nunca venceu, mesmo quando podia.
VocĂȘ jĂĄ teve seus prĂłprios sonhos, mĂŁe? Eu nunca soube. SerĂĄ que vocĂȘ conseguiu viver alguma coisa que fosse sĂł sua, sem ter que ser a mulher que suportava tudo, sem ser a que estava ali, quieta, esperando pela prĂłxima briga ou o prĂłximo golpe? Porque eu vi vocĂȘ se esvaindo, mĂŁe. Vi vocĂȘ se perder, se entregar a um homem que te machucava, que te fazia tĂŁo pequena, que te quebrava e te reconstituĂa, como se vocĂȘ fosse feita de algo mais forte do que o amor que ele dizia ter por vocĂȘ. Eu nunca entendi isso. Eu nunca entendi como vocĂȘ podia voltar, sempre voltar para ele, mesmo quando o mundo te oferecia outras opçÔes, mesmo quando sua alma clamava por liberdade. Eu vi vocĂȘ escolher a dor dele, e isso me corroĂa de dentro para fora.
E o pior Ă© que, enquanto isso, eu estava ali, vendo tudo de perto, sem saber como te salvar, sem saber como pedir para que vocĂȘ se amasse um pouco mais. Porque, mĂŁe, eu sentia que vocĂȘ nĂŁo se amava. Eu via a falta de cuidado com vocĂȘ mesma, o vazio que te tomava depois de cada grito, de cada tapa. E eu nĂŁo sabia como ajudar. Eu nĂŁo sabia como te tirar dali. E essa impotĂȘncia, essa sensação de que eu nĂŁo poderia salvar vocĂȘ de sua prĂłpria escolha, me dilacerava.
VocĂȘ me dizia que eu precisava vencer, que eu precisava ser mais do que vocĂȘ tinha sido, mais do que vocĂȘ podia ser. E eu acreditava em vocĂȘ. Acreditei que sua dor nĂŁo fosse em vĂŁo. Mas, no fundo, eu sempre soube que vocĂȘ estava me pedindo para fazer por nĂłs duas, como se suas escolhas nĂŁo tivessem sido feitas de forma definitiva, como se houvesse uma chance de reescrever a histĂłria, de mudar o destino. Mas, mĂŁe, o que vocĂȘ nĂŁo sabia era que eu estava sendo consumida pelo medo de que sua dor fosse a minha tambĂ©m. O medo de que o sofrimento de uma geração se passasse para a prĂłxima.
Eu me pergunto, mĂŁe, se vocĂȘ teve alguma vez o direito de ser feliz antes de mim. Se vocĂȘ foi capaz de ser quem vocĂȘ realmente queria ser, sem as correntes de um relacionamento abusivo que te mantinha presa, sem os gritos e as promessas quebradas que eram a Ășnica coisa que vocĂȘ conhecia. VocĂȘ sentiu prazer em algo que nĂŁo fosse a satisfação de agradar os outros? Eu sei que vocĂȘ amava me ver sorrir, mas o que fazia seu prĂłprio sorriso surgir? O que te fazia brilhar, mesmo que por um segundo? Eu queria que vocĂȘ tivesse tido algo sĂł seu, algo que fosse seu e de mais ninguĂ©m.
E hoje, ao olhar para vocĂȘ, ainda me pergunto por que vocĂȘ nunca desistiu. Por que nunca largou aquele homem, mesmo quando tinha todas as razĂ”es para ir embora. Eu me corroĂ com essa dĂșvida, mĂŁe. Eu nĂŁo entendo. E isso me dilacera de maneiras que eu mal consigo explicar.
Eu queria poder ter sido mais para vocĂȘ, mĂŁe. Queria ser a amiga, a filha que te sustentaria quando o mundo desabasse. Queria poder estar ali, com vocĂȘ, nos momentos em que vocĂȘ sentia que nĂŁo aguentava mais, que jĂĄ nĂŁo sabia quem era, que se sentia invisĂvel para o mundo. Eu queria que vocĂȘ tivesse podido ser inteira, sem essa parte quebrada que vocĂȘ nĂŁo conseguia consertar. Eu queria que vocĂȘ tivesse sido capaz de se olhar no espelho e ver a mulher que vocĂȘ realmente era, sem a culpa de carregar todos os outros.
Hoje, olho para vocĂȘ e vejo a dor acumulada. A saudade daquilo que poderia ter sido, do que vocĂȘ poderia ter se tornado, mas nĂŁo teve a chance de ser. Eu vejo a mulher que nĂŁo se permitiu ser amada por si mesma, e eu te amo, mĂŁe, mas o que sinto por vocĂȘ Ă© complexo demais para ser sĂł amor. Tem raiva tambĂ©m, tem uma revolta guardada, porque eu nĂŁo sei como isso tudo poderia ter sido diferente, mas ao mesmo tempo eu entendo que vocĂȘ fez o melhor que pĂŽde, com as ferramentas que tinha. Eu queria que fosse diferente. Queria que o amor que vocĂȘ deu tivesse sido suficiente para te libertar. Queria que vocĂȘ tivesse saĂdo, que tivesse se reconstruĂdo, que tivesse me mostrado uma outra forma de viver. Queria que vocĂȘ fosse feliz, mĂŁe. Eu queria que vocĂȘ tivesse sido feliz para vocĂȘ, para nĂłs duas. Eu te amo, mas vocĂȘ me deixou com tantas perguntas sem resposta, tantas dores que vocĂȘ nĂŁo compartilhou, tantas feridas que ainda sangram em mim. E eu nĂŁo sei o que fazer com tudo isso.
Eu te amo, mĂŁe, mas eu ainda tenho tanto a entender sobre nĂłs.
For you foreigners, the reaction from that lady â whoâs probably around my age â might seem a little weird. And honestly, I wouldnât be surprised if sheâs been following the Transformers franchise since the â80s. An original Transformers figure, especially a new one here in Brazil, is expensive as hell. Hasbro does make those cheap-ass knockoff-looking budget versions too, all plastic and flimsy, kinda like those âParapedro-styleâ toys â super cheap little figures youâd find at random street markets or tiny sewing shops back in the day. So yeah, thatâs why the mom got so happy. Iâd react the exact same way if someone gave me one too...
MĂŁe
No dia que vocĂȘ morreu,
taças se ergueram,
sinos tocaram.
Ninguém viu seu corpo
desfilando no caminho do prĂłprio sangue.
Mas no dia que vocĂȘ morreu,
vocĂȘ estava feliz.
Dançou sua mĂșsica favorita
como se nĂŁo houvesse amanhĂŁ.
Devia ser precognição.
No dia que vocĂȘ morreu,
cordeiro puro
atrĂĄs de grande cercado,
ninguém foi seu pastor.
Por mais que no dia que vocĂȘ morreu
sua mĂŁe tenha chorado,
sua avó também.
Assim como vocĂȘ,
foram veladas antes da perda.
No dia que vocĂȘ morreu,
tiraram seu nome,
seus pertences,
sua famĂlia,
sua roupa,
vocĂȘ.
Pois no dia que vocĂȘ morreu,
num caixĂŁo acolchoado,
junto ao corpo amado,
sangue no véu,
corpo seco,
nada mais havia lĂĄ.
No dia que vocĂȘ morreu,
vocĂȘ me concebeu.