Cuidado com o que você deseja.
Qual foi o momento exato em que isso tudo aconteceu? Quando o porto seguro foi destruído pelo mar em fúria? Quando me tornei um barco à deriva?
As vezes que teimo em olhar pra trás, procurar vestígios nas entrelinhas tenho que me perguntar; Real ou não real? Surpreendo-me em cada instante percebendo como tudo mudou, o Leão covarde não é mais covarde e sim triste, e um Leão triste não serve pra contar história alguma.
A maioria dos protagonistas do meu pequeno conto se foram ou estão no caminho, arrumando um modo de escapar, qualquer saída de emergência pra longe desse conto, dessa paródia. Inconscientemente e aos poucos todos se vão e eu não percebia até agora.
Quando cada centímetro do seu corpo é tomado por solidão, não há como escapar, só então se percebe que sua própria companhia não será suficiente, é necessário alguém pra te dar a mão, um afago, qualquer esperança. Pra quem sempre amou demais a solidão nunca será um refúgio.
Noites insones fazendo mil perguntas que meu Alter Ego não pode responder, pra tentar descobrir de quem era a culpa, se havia culpa, como mudar, qual era a saída se é que há alguma. Nunca em inúmeras noites perdidas houve uma conclusão.
Não é como se eu procurasse uma saída a cada instante, mas engasgar todos os sentimentos, todas as ausências se torna demasiadamente cansativo.
É só o desejo de que não haja mais partidas, de que tudo baste e seja suficiente. Um último desejo de voltar atrás ou de acelerar em meio às incertezas.
“Há de haver algum lugar; um confuso casarão. Onde os sonhos serão reais, e a vida não”
Luisa Severo












