A menina do portão cinza
Em um lugar pobre, havia uma menina que morava atrás de um portão cinza que escondia sua casa e seu rosto. Todos os dias ela optava por não sair de casa, nenhum de seus vizinhos a conhecia e sua família não a reconhecia. Todos os dias ela ficava em seu quarto, as vezes olhando para parede de cimento atrás de sua janela cinza, às vezes escutava suas músicas, e outras vezes estava com seus diários e canetas. Mas não que ela gostava de ficar em seu quarto, às vezes era sufocante, o cheiro às vezes dava enjôo, e muitas vezes dava falta de ar. Seus olhos cor de mel esverdeados não costumavam ver os rostos de desconhecidos, nem mesmo via o céu, nem quando estava azul, nem quando estava nublado, porque tanto fez tanto faz, todos os seus dias eram cinza. Ela não tinha amigos, não tinha vida social, era muito fechada e tímida, então os poucos que a via achavam estranha. Em seus cabelos cacheados de cor castanho que estavam cobertos de cor laranja, sempre havia nó, eles a faziam lembrar que mais tarde teria que desfazer os nó que estavam em sua mente também. Ela procurava por controle, ter o controle do que comia era o que era mais queria. Quando chegava a noite e todos iam dormir, ela ia para cama e evitava o escuro deixando um pouco de luz em algum canto do quarto, ela encarava o seu teto cinza e só adormecia quando o sol acordava. E quando estava sonhando era o melhor momento que tinha, quando acordava lavava seu rosto na pia do banheiro e olhava para o espelho, e as primeiras palavras que vinham em sua cabeça era “olá realidade”. Ela se forçava a esquecer sua utopia dando 3 passos para fora do banheiro, e andava como um zumbi pela casa até a cozinha, abria a geladeira e mais uma vez se descontrolava e voltava pro seu quarto. E mais um dia começava e todo o nada do seu dia se repetia. Ela se desesperou ao ver o tempo passando e ela ficando… Ficando presa por si mesma… Até que ela não aguentou mais viver em seu mundo cinza até o dia de seus cabelos ficarem grisalhos, porque ninguém sabia mas cinza era a cor que ela mais odiava.











