Loriga: A Suíça que não nos cobra franco suíço
Caros compatriotas e turistas do sofá, preparem os vossos corações e, mais importante, os vossos cartões de cidadão. A ONU, essa entidade que passa a vida a contar refugiados e a emitir relatórios sobre o aquecimento global que ninguém lê, acaba de nos fazer a folha. A Suíça oficial, aquela dos relógios caros e dos chocolates com buracos, que se prepare. A verdadeira Suíça, a original, sempre esteve em Portugal. Em Loriga.
Sim, Loriga. No concelho de Seia. A 2h30 do Porto, se o GPS não tiver um colapso nervoso e se a autoestrada não estiver a ser reparada pela terceira vez este mês.
A notícia é gloriosa: não precisamos de voos, não precisamos de esvaziar a carteira para um fondue de 50 euros, não precisamos de aturar o sotaque germânico. Temos a "natureza pura" aqui mesmo, ao virar da esquina da A25. A ONU (bendita ONU, que desta vez acertou no totoloto do turismo) elegeu este cenário de cartão-postal como um dos melhores do mundo. Mundial, meus amigos!
Imaginem a cena: os delegados da ONU, fartos de jet lag e de reuniões sobre o preço do petróleo, aterram em Portugal. Alguém sugere: "Que tal irmos a um sítio que não seja o Algarve?". E lá vão eles, de carrinha alugada, até à Serra da Estrela. Chegam a Loriga, olham para a paisagem, e um deles, com um ar grave e solene, decreta: "Isto... isto parece a Suíça, mas com pastéis de nata mais baratos."
E assim nasceu a lenda da "Suíça Portuguesa".
A ironia, meus caros, é que a Suíça de verdade nem sequer é a Suíça de verdade. É apenas uma imitação pálida de Loriga. Os Alpes? Meras colinas glorificadas que tentam imitar a imponência da Serra da Estrela. O chocolate? Uma cópia açucarada do queijo da Serra.
A partir de agora, o turismo em Loriga vai mudar radicalmente. Preparem-se para as novas atracções:
O "Lago Genebra" de Loriga: Um charco glorioso onde se pode fazer stand-up paddle com bacias de zinco.
A Estância de Esqui "Zermatt-tuga": Uma encosta íngreme onde se desliza com sacos de plástico quando neva.
A Rota dos Bancos Secretos: Em vez de contas numeradas, temos as portas dos cafés onde os locais guardam os segredos da freguesia (e as chaves das hortas).
Adeus, intercâmbios Erasmus na Europa. Bem-vindos, estágios obrigatórios em Loriga para aprender a arte de fazer chouriça e a aclimatação a temperaturas que farão um suíço chorar de frio em agosto.
A notícia diz que a vila "está a chamar a atenção de turistas estrangeiros". Claro que está. Os suíços, provavelmente, já estão a reservar quartos para verem a versão premium do seu próprio país.
Portanto, quando virem um avião a levantar voo em direção a Zurique, limpem uma lágrima de pena. Eles não sabem o que perdem. Nós, os espertos, ficamos por cá. Com a carteira cheia (porque não a esvaziámos no aeroporto) e o coração a bater ao ritmo do turismo nacional.
Loriga, a Suíça portuguesa. O paraíso na Terra, a 2h30 do Porto. Levem um casaco, um farnel e, acima de tudo, o vosso mais profundo sentido de humor. Porque a natureza pura é linda, mas a sátira pura é ainda melhor.












