Io col rossetto mi sono sentita maleducata.
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A Louva-a-Deus e o ativismo trans
(Com muitos spoilers)
A Louva-a-Deus, série francesa de thriller policial, conseguiu mimetizar o que acontece no ativismo trans com uma maestria impecável.
Jeanne Ă© uma serial killer que, como a grande maioria das rarĂssimas seriais killers mulheres da vida real, foi abusada na infância e vida adulta e mata homens abusadores ou agressores de mulheres. Ao longo da sĂ©rie Ă© possĂvel construir sua narrativa desde a infância e o roteiro a desconstrĂłi enquanto monstro e reconstrĂłi enquanto vĂtima, fechando de forma extremamente coerente sua personalidade. Isso somado Ă atuação impecável da atriz já torna a sĂ©rie uma delĂcia de ver.
A sĂ©rie gira em torno de seu filho e de um copycat, que reproduz seus crimes com perfeição mas com uma diferença de extrema importância: os homens que ele mata nĂŁo sĂŁo abusadores. Em uma das comunicações entre Jeanne e seu copycat ele diz que “as aparĂŞncias enganam”, dando a entender que na verdade suas vĂtimas seriam homens tĂŁo ruins quanto os que Jeanne matou. No inĂcio, pensei que poderiam ser secretamente pedĂłfilos ou algo assim, fora da superfĂcie. Mas ao longo da sĂ©rie ficam evidentes indĂcios de que nĂŁo Ă© bem assim. E aĂ vem o plot, e esse Ă© meu Ăşltimo aviso de spoiler, porque aĂ vai:
O assassino Ă© um homem que “se identifica” como mulher trans, filho de uma das vĂtimas de Jeanne, que era abusado fisicamente pelo pai. A criança presenciou o assassinato do pai sem Jeanne perceber, e a venera por isso, considerando-a uma salvadora, infiltrando-se na vida do filho dela e “cuidando” dele de uma forma obsessiva e doentia. Quando cresce, o assassino tem seus pedidos por cirurgias genitais negados por conta de avaliações psicolĂłgicas (toda cirurgia plástica tem risco de danos psicolĂłgicos, mas a cirurgia de mutilação genital tem riscos altĂssimos) que indicam sua instabilidade emocional. Por isso, acaba indo a um mĂ©dico nĂŁo licenciado e fica com cicatrizes e o genital deformado. Mas a hormonização desde criança e outras cirurgias o fazem passar completamente por mulher na sociedade.
Assim, o assassino se aproxima de homens sem contar a verdade, e quando eles o rejeitam, ele os mata. Esse é o grande crime desses homens: rejeição. Ele os mata do jeito que Jeanne fez, pois ela é o seu grande referencial. E quando ela o rejeita, e óbvio que o rejeita porque o que ele faz é completamente difernete do que ela faz, ele se volta contra ela também. O paralelo irônico que ficou claro quando terminei a série foi de que os homens identificados trans tentam fazer isso o tempo todo: pegam “feitos” de mulheres e aplicam a sua realidade, distorcendo as coisas de forma egocêntrica e mimada. Eles vestem as roupas ditas femininas, passam batom e discorrem sobre como a opressão mais nociva que sofrem é não serem amados por lésbicas.
Jeanne matou porque foi estuprada pelo pai inĂşmeras vezes, porque viu o pai assassinar a mĂŁe, porque apanhava do marido, porque sua vida foi um conjunto de tragĂ©dias e ela criou uma resposta a isso que eu nunca julgaria. O assassino, pelo contrário, reproduziu seus feitos baseado em quem nĂŁo queria transar com ele. Mulheres reagem com o feminismo a estupro, exploração, feminicĂdio, lesbofobia... Homens se dizem mulheres e gritam que vĂŁo morrer por causa das pessoas que sabem que isso nĂŁo Ă© verdade ou que nĂŁo se atraem pelos seus corpos masculinos.
As acusações da série de transfobia já começaram, é claro. É um desserviço ao transativismo retratar homens que se autoidentificam como trans como assassinos, porque evidencia o fato de que existem muitos deles na vida real, sim, coisa que o transativismo é tão bom em ignorar.
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Annoiarsi su corpi sempre diversi.
L'amore insensato che provo per lui rimane per me un insondabile mistero. Come se lo amassi per sempre e niente di nuovo potesse succedere a questo amore. - Marguerite Duras #margueriteduras #lamante #romanzo #amorepersempre https://www.instagram.com/p/CpaODuLNc6z/?igshid=NGJjMDIxMWI=