Deitada, olho pro teto com as madeiras levemente encaixadas, porque se vocĂȘ for reparar meu bem, elas levemente se encostam.
Depois de longos minutos, percebo que nĂŁo parei um instante sequer de te fazer carinho. Nunca parei na real. Se meu corpo toca o seu, o meu tem fome de percorrer sua pele.
Como eu fui parar lĂĄ, essa era a pergunta que pairava no ar naquele instante. Pelo menos na minha cabeça. A sua estava ocupada demais para se perguntar algo do gĂȘnero. Era Ăłbvia e incessĂĄvel a resposta, tĂŁo incessĂĄvel que nĂŁo nos contentava, a ponto de surgir a cada novo encontro. VocĂȘ era aquela peça do quebra cabeça da qual falei, em que vocĂȘ monta todo o inferno e quando chega no final falta o outro inferno da peça. E a peça estava o tempo todo na gaveta, daquela que vocĂȘ abre literalmente todos os dias, todos os dias mesmo, mas nĂŁo se dava conta de que estava lĂĄ, e quando se dĂĄ, fica pasmo com a possibilidade de ser real que se pergunta infinitas vezes, âmas que diabos eu nĂŁo fui achar vocĂȘ antes?â. Eu me pergunto isso, mas que diabos eu nĂŁo fui achar vocĂȘ antes. Pra ser sincera, eu sempre o tive, Ă© o laço vermelho que nos liga, e sequer a morte o rompeu, apenas o alargou para nos encontrarmos em outra vida. VocĂȘ Ă© o quente e eu o frio. VocĂȘ Ă© a paz e eu o caos. VocĂȘ Ă© sorriso enquanto eu sou abraço. Eu sou aquela pessoa que reclama do vento, enquanto vocĂȘ solta pipa nele.