Ele ainda não entendia o que estava acontecendo. A KRSA de repente estava virando um local onde tudo acontecia ao mesmo tempo, sendo a maioria coisas bem ruins e inalteráveis. Quando soube da morte de um júnior, Orion ficou ainda mais no chão, sentindo o peso nas suas costas. Não era um mentor nem nada, mas, pela sua idade, alguma criança daquela poderia ser alguém de sua família, ou até mesmo um filho. Estar abalado por causa dos seus problemas matrimoniais só o deixava mais irritado, por isso, acabou tendo uma reação ruim ao falar com um dos mentores, pedindo muitas desculpas pelas suas palavras grosseiras. Orion nunca tinha sido uma pessoa fácil de lidar, seus problemas de comunicação só agravavam com o passar do tempo ao invés de conseguirem se encaixar em um lugar no qual finalmente iriam avançar. Por isso, ele costuma isolar-se.
Essa sua mania de ficar sozinho conseguia fazer com que suas ideias voltassem ao lugar de origem, como uma reinicialização de computador. Orion costumava comparar-se a uma máquina pois seus sentimentos só o faziam sentir-se mais estranho e alheio do que o normal. Podia-se dizer estar incrivelmente perdido e ninguém mesmo poderia culpá-lo, afinal, as ações dos outros é que o faziam sentir. Ao levantar-se da sua cadeira, foi até o banheiro para olhar no espelho e perceber uma grande olheira em baixo de ambos os olhos. O fato de que não conseguia dormir estava ligado ao fato de que sua esposa morta não estava e nem nunca esteve morta. E por isso, tinha passado três dias inteiros trabalhando, isolado. Mal queria saber o cheiro que exalava no momento. Quando a barriga roncou, teve a força e a vontade de sair do local de seu confinamento para ir ao refeitório comer qualquer coisa. Sentou-se de frente para o seu sanduíche com batatas fritas e ao erguer os olhos, não conseguiu decifrar a expressão no olhar de @krsazeus. “Você encontrou com ela não foi?” Ergueu sua sobrancelha e enfiou uma batata na boca. “Se quiser pode pegar uma.”















