Johnny Knoxville.
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react
reação substantivo feminino 1. ato ou efeito de reagir. 2. comportamento de um ser vivo manifestado em presença de um estímulo.
Vivemos sob muitos estímulos. O tempo inteiro. E, querendo ou não, você reage a eles. O tempo inteiro. Como não reagir? Isso mesmo.
Eu não suporto a falta da reação. É a treva para mim. Veja, eu não sou nada natural. Absolutamente todo movimento que eu reproduzo ou qualquer palavra que sai da minha boca é milimetricamente calculada para que você reaja. E quando não há reação, não há química. Todos aprenderam isso na escola, certo?
Mais do que química, podemos relacionar tudo isso à psicologia. Behaviorismo.
Behaviorismo, também chamado de Comportamentalismo e Psicologia Comportamental, é um termo que abrange diversas teorias da psicologia que tem como principal objeto de estudo o comportamento. Os behavioristas rigorosos acreditavam que todos os comportamentos foram resultado de condicionamento. Qualquer pessoa poderia ser treinada para agir de uma maneira particular dado o condicionamento correto.
Eu sou treinada para agir de acordo com um condicionamento. Ação, reação. Se eu sou beneficiada por essa ação, eu vou reproduzir todos os comportamentos necessários para receber a recompensa que eu almejo, como um ratinho de laboratório busca um petisco.
Meu petisco é a ação. Sua ação. Se você tem ação, eu tenho uma reação. Se essa ação é a que eu tanto desejo, a reação será a melhor das minhas versões.
Não é a toa que eu sempre me identifiquei neste aspecto com a minha mãe, embora eu sempre a criticasse por isso. Pais e filhos, né Renato?
Não é a toa que eu sempre fiquei com caras mais velhos, que tinham autonomia suficiente para mostrarem o que querem e batalharem por isso. Ação é batalhar por tempo de qualidade ao lado de quem você ama. É isso que eu sempre estive ao lado de quem realmente corria atrás e fazia questão de se manter presente, seja ele residente do Lago Norte ou lá da Santa Maria. Não importa, eles acabavam parando na porta da minha casa e me levando do meu bairro para o mundo.
O mundo. Eu sempre gostei de todas as possibilidades que ele me oferece. Os locais, as aventuras, as pessoas, as bebidas, as luzes e os perigos. São ações indiretas que sempre desencadearam o melhor das minhas reações. Por isso, eu sempre gostei de quem e do que me permitia explorar. Arriscar. Pular do penhasco e descobrir o que eu sempre quis, mesmo que eu não soubesse ou que eu tivesse medo.
...
Eu sinto saudade do gosto de aventura. Da intensidade de não saber a que horas o meu dia vai se agitar com alguma ação aleatória o suficiente para gerar uma reação minha que mexa com todas as minhas estruturas. Eu sinto saudade do diferente. Eu sinto saudade de quando tudo não era "o mesmo". O mesmo assunto, a mesma rotina, os mesmos programas e as mesmas sugestões. Eu sinto falta da imprevisibilidade. Do inesperado. Da velocidade e da aventura. Das novas experiências e dos novos caminhos. De tudo aquilo que eu já tive um dia, mas não tenho mais.
Eu sinto aconchego e segurança. Eu sinto que eu tenho um porto seguro. Mas infelizmente, a adrenalina e a ânsia pelo amanhã, repleto de sorrisos frouxos e uma imaginação fértil, não existem mais.
-pat
22/01/2022;
Aparentemente, eu não sei mais escrever. Pelo menos não da mesma forma que eu conseguia antes, com aquelas palavras e com toda a sensibilidade em transformar sentimentos em palavras.
Mas, não é como se a sensibilidade tivesse desaparecido. Ela ainda está aqui, mais forte do nunca. Se não estivesse, eu não estaria ainda escrevendo isso aqui. Não com essas lágrimas nos meus olhos. Não com essa música e não com esse pesar que aperta o coração.
Faz mais de dois anos desde que eu publiquei pela última vez. Há algumas semanas, eu reli algumas das minhas postagens e senti um misto de sentimento. Aqui estão algumas mudanças que aconteceram desde 2019:
- Primeiro de tudo, nem tudo mudou. Não, eu ainda não me sinto melhor em relação a mim mesma. E duvido que algum dia eu ainda vá me sentir bem. Eu ainda me acho inconveniente, eu ainda me vejo como uma bomba relógio, eu ainda vomito sempre que eu sinto a necessidade, eu ainda me sinto incompetente em relação aos meus colegas, eu ainda tomo mais de dois comprimidos para dormir quando eu me sinto deprimida e eu ainda sinto que sou motivo de vergonha por parte de amigos e familiares. Alguns dias são melhores, outros piores. Às vezes, eu me aconselho a aceitar, porque não vai melhorar. Em outros momentos, eu insisto em querer acreditar que, no futuro, não vou mais me sentir assim.
- Eu me formo daqui há alguns meses. Esse é um tópico sensível. Não me sinto feliz e nem realizada. Próximo.
- Agora eu trabalho. Isso mesmo, trabalho. Não é mais um estágio, como os últimos que eu tive no decorrer dos anos pandêmicos. A única semelhança nesta nova experiência é a minha necessidade constante de receber os tão adorados tapinhas nas costas, acompanhados de "você fez bem". Fora isso, sigo focada apenas no dinheiro e aprendizado, tentando ignorar a voz que diz que eu não mereço estar ali.
- Eu ainda me sinto desconfortável na minha família, mas sinto que eu consigo lidar com isso melhor do que eu lidava antes. Eu ainda me sinto um peso para os meus amigos, mas sinto que eu estou aprendendo a redirecionar meus focos principais e a relaxar esse sentimento. Eu ainda me sinto insensível em todas as minhas relações amorosas, mas eu tento fazer o meu sentimento germinar e sair do casulo.
...
Não me sinto muito melhor do que da última vez que escrevi aqui, mas sei admitir as tremendas mudanças que aconteceram de lá para cá. Muito progresso foi feito, mas não posso deixar de admitir que, no fim do dia, quando só tem eu e eu, as coisas permanecem pesadas. Tão pesadas quanto lágrimas. Tão dolorosas quanto as musculares que essas lágrimas presas me causam.
well, there's a man who's tellin' me i might be dead
essa semana 1-7/4 foi marcada por recaídas. eu sabia que ia ser difícil mas no fundo eu achei que fosse conseguir aguentar.
quarta-feira eu senti raiva e cansaço. raiva porque me sentia insuportável para os outros e não suportava ficar dentro do meu próprio corpo, queria morrer a qualquer custo. cansaço porque uma hora se torna exaustivo passar pela mesma situação toda vez e nunca ficar melhor. então, eu arranhei minhas coxas até sangrarem. arranhei com a maior força que consegui fazer, até eu sentir uma dor maior do que a que eu estava sentindo anteriormente. mais uma recaída.
hoje eu senti rejeição. novamente, não os culpo, nem eu suporto a minha presença, então é injusto impor que alguém faça isso. me sinto rejeitada desde o começo da semana, mas hoje o sentimento bateu mais forte. a ideia de ser rejeitada por alguém - ou sentir que isso vem da parte de todos - me dói porque ter a ilusão de que alguém ainda tá comigo consegue, lá no fundo, me acalmar, mas a partir do momento em que você se encontra sozinha você vê que o peso é demais pra suportar. o peso é tão grande que se torna palpável. então, eu tentei me levar à exaustão, até me sentir fisicamente fraca. mas ainda tem algo me pesando, então resolvi forçar o vômito mais uma vez. o sentimento de me tornar fisicamente mais leve me soa atrativo porque talvez eu fique mais leve para todo mundo. e para mim também. mais uma recaída.
- pb
socially awkward again
então é verdade quando dizem que se você está passando por alguma merda consigo mesma, você não consegue interagir com o ambiente externo à sua volta.
same old shit but a different day. minhas aulas na faculdade voltaram e eu me sinto atormentada. já na metade do curso, com ideias diferentes sobre especialização e com um grupo de colegas interessantes, me encontro nessa situação estressante comigo mesma em que me sinto depressiva e com meus transtornos alimentares batendo na minha porta pedindo pra que eu permita que eles entrem novamente na minha vida. a situação tem tudo para estar na melhor das possíveis, mas eu sou o meu maior obstáculo.
esse tempo cairia como uma pluma na minha mão em outras épocas.. sem obrigações e muito tempo para pensar em quem eu sou e o que eu quero fazer. o problema é que pensar está sendo muito custoso, dói e me deixa triste. eu não faço a mínima ideia de quem eu sou mas eu sei que eu não gosto dessa pessoa. eu não faço a mínima ideia do que fazer mas sei que não quero fazer o que quer que seja. não existe motivação e isso seria crucial nesse momento.
eu vivo em um constante medo de perder as pessoas que eu amo. já até chorei no metrô por causa disso, tenho pesadelos sobre isso constantemente. alguém que costumava se importar comigo está se afastando a cada dia que passa e no fundo eu não o julgo por isso. ainda há aqueles que fazem o esforço pra continuar do meu lado, mas eu não sei quanto tempo isso vai durar. eu quero sair disso mas não consigo, me sinto cada vez mais afundada e mais odiosa. antigamente, emagrecer funcionava. hoje não funciona mais. eu não sei mais o que fazer.
-pb

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if you give me fresh carnation...
É uma da manhã. Os últimos dias tem sido turbulentos; muito felizes ou intensamente deprimentes.
A época do fim de fevereiro e início de março foi alegre. Fui ao cinema, saí com amigos e ri bastante com eles e me demiti de um emprego que não me fazia bem. Passada a primeira quinzena do mês, foi só ladeira abaixo. Me sinto nervosa/ansiosa com tudo o que acontece comigo.
Sinto que sou incomoda para as pessoas. Me sinto um peso, sinto que fui fraca ao me demitir, sinto que estou sendo inútil. Ao mesmo tempo, não consigo me sentir a vontade sozinha, como eu costumava me sentir antes. Me sinto sufocada diversas vezes ao dia e as minhas lágrimas que se acumulam nos meus olhos pesam.
O médico me recomendou dois remédios. Um pra dormir, outro pras crises depressivas. Só estou tomando o que é para dormir, aquele para as crises estavam me fazendo mal. Tenho comido compulsivamente, mas não vomitei mais. Minhas aulas da faculdade voltaram e eu não me sinto pronta, por mais que eu finja para todo mundo que eu nunca estive tão ativa porque não quero preocupar ninguém.
Sinto vontade de morrer quase todos os dias.
-pb
dia quinze de fevereiro de dois mil e dezenove
passei a manhã inteira sem comer.
fui deslocada do meu ambiente de trabalho para outro com pessoas completamente novas e isso me fez tremer de medo por dentro.
pedalei muito a bicicleta pra conseguir pegar o trem de volta pra casa e no percurso me senti extremamente triste.
fiz um macarrão pra almoçar. vomitei ele inteiro depois.
- pb
att.
Tentei escrever no início da semana sobre meu estado de recaída, mas as falhas na minha internet estavam me irritando e decidi não piorar as coisas, então não postei nada.
Desde semana passada as coisas tem estado um pouco difíceis. Eu tenho vivido um estado de ansiedade constante. Pelo menos duas vezes ao dia fico extremamente deprimida, querendo dormir por 3 anos seguidos mas sem, ao menos, conseguir fechar os olhos. Voltei a me sentir repugnante e ontem mesmo vomitei toda a janta que comi a noite.
Eu sinto que voltei ao zero. Voltei a ser aquela que eu costumava ser e isso dói porque é como se eu ignorasse todo o progresso que eu fiz. Entretanto, não é como se eu conseguisse voltar à ativa- por mais que eu seja forçada a continuar trabalhando da mesma maneira que sempre trabalhei -, eu me sinto cansada, triste, ignorada e irritada.
Recentemente, em meio a uma dessas crises, desinstalei o WhatsApp. Ninguém notou. Ninguém ligou. Cancelei todos os compromissos que eu tinha, afinal eu mal consigo sair de casa e sinto vergonha do tanto que já faltei no trabalho. Eu não consigo falar cara a cara com ninguém sem chorar ou me sentir ruim. Essa merda tá ficando séria. De novo.
-pb