A nova geração e o fim do jornal impresso
Há quem diga que o jornal impresso vai acabar. Coitados. Mas eu sou uma delas. Sou uma dessas pessoas que não acredita no poder do papel. Que controverso. Eu, que não consigo ler livros no computador. Eu, que cheiro os livros que compro, que vivo a Feira do Livro de Porto Alegre como se fosse a minha casa. Eu, que quase coloco o pé na frente do jornaleiro do Metro para que me entregue um exemplar. Eu, que leio as capas dos jornais. Paro, leio, sigo meu trajeto. Volto, pois algo me chamou a atenção. Leio e sigo o caminho. Mas, olha! Eu volto. De novo. E eu digo que o jornal impresso vai acabar.
Mas não é por mim. Nem pelos que estão recebendo os jornais em casa, nem pelos jornalistas. Não é assim. Não é por eles. Talvez não seja nem pelas crianças, que já nascem agarradas em um tablet. É por aquela geração que ainda não nasceu. Aquela geração que não sabe o que os espera aqui fora.
Essa geração futura não sabe o que é jornal. Claro, ela ainda não existe. Mas para ela, o jornal talvez seja o que a fita K7 será para os filhos da minha geração. Eles saberão que um dia existiu, mas não entenderão o sentido.
Essa geração lerá na internet. Ouvirá rádio (sim, eu acredito). Mas não irá ler as letrinhas miúdas do impresso. Não irá sujar as mãos depois de manusea-lo. E a partir dessa geração, o conceito de jornalismo será diferente. Será totalmente diferente. Os conteúdos serão outros e os veÃculos terão novos formatos - isso se eles ainda continuarem a existir.












