truth or dare; jily
( @jmsfpttr )
Não era segredo para ninguém que Lily Evans era frequentadora assídua e boa conhecedora dos arredores e cantos da biblioteca de Hogwarts. Desde seu primeiro ano, era ali que a ruiva passava grande parte do seu tempo, fosse fazendo deveres, fosse pelo prazer de ter um lugar quieto e tranquilo para ler seus livros apenas pela curiosidade em desdobrar os novos conhecimentos que cada página lhe passava. Seu salão comunal passava longe de figurar entre os lugares mais calmos do castelo, e, por tal razão, a biblioteca era sempre o local de escolha da grifana para passar seu tempo de estudo. Contudo, as regras de Madame Pince sempre foram muito bem seguidas por ela, e, assim, os passos que a guiavam até o local naquela tarde eram quase vacilantes. Roubar livros da biblioteca sem que despertasse a atenção da bibliotecária parecia algo bastante improvável de ser feito com sucesso, e Lily parou a alguns metros da entrada do recinto enquanto ponderava sobre o modo como faria aquilo.
Sabia bem que ter escolhido verdade poderia ser mais fácil, sabia que escolher desafio quando quem o lançaria para ela seria James Potter não era a melhor opção, mas queria participar sem receio da brincadeira entre os colegas. Portanto, a garrafa de firewhiskey estava firmemente segura em sua mão direita, e os dois goles indicados no desafio foram dados em sequência, longos e rápidos, o gosto amargo do álcool fazendo com que a ruiva contorcesse o nariz em uma careta de desgosto. Escondeu a garrafa por baixo da capa e, com menos firmeza mas mais coragem em seus passos, adentrou o local, sorrindo simpática para Madame Pince enquanto caminhava em direção aos livros de Feitiços. Sentia a língua levemente dormente pelo efeito da bebida forte ao que passava os dedos pelas capas velhas bem organizadas nas estantes, ponderando sobre quais livros tiraria dali para entregar a seu desafiador. “Mas por que retirar três livros daqui...? Posso pegar uma variedade maior se eu... já sei!” os pensamentos eram bagunçados ao que ela pegava o primeiro dos livros - um básico de feitiços para primeiranistas, que escondeu por baixo da capa após lançar-lhe um Diminuendo silencioso - e passava os olhos pelas outras estantes. “Vai ser esse de feitiços, um de poções e um... será que consigo entrar na sessão reservada...? Não, não.” conforme ponderava, encaminhou-se de maneira delicada para o corredor de Poções, afanando um exemplar de Estudo Avançado de Poções e replicando o feitiço para também escondê-lo. “Vou pegar o do Beedle!” e, tomando mentalmente sua decisão, rumou para o corredor mais a frente, o exemplar de os contos de Beedle, o Bardo sendo colocado também sobre a capa. Não sabia responder bem como dera conta de equilibrar três livros e uma garrafa de firewhiskey escondidos, mas o sorriso mais uma vez simpático ao que apresentava, como disfarce, um exemplar de Hogwarts: Uma História para a Madame Pince pareceu ser o suficiente para convencer a bibliotecária de que tudo estava em sua devida ordem.
Os passos de Lily ao deixar a biblioteca, porém, indicavam que havia algo errado; a ruiva quase cambaleava, a garrafa agora novamente em sua mão direita - dera mais uns goles para esquecer o que havia feito, um sentimento de quase culpa por ter descumprido regras logo em um de seus locais favoritos da escola. O caminho até o dormitório de James, assim, fora um pouco mais tortuoso do que o normal, e Lily esforçava-se para fazer silêncio em seu caminhar, vez ou outra mandando um “Shiu!” para alunos quando ela mesma exagerava em algum barulho. Adentrou o dormitório então e retirou a capa, sacudindo-a sobre a cama que suspeitava ser de James - tinha o cheiro dele, ela pode perceber - e desfazendo o feitiço para voltá-los ao tamanho normal enquanto os observava caídos ali. “Humm...” resmungou, mais um gole do firewhiskey sendo bebido antes que ela fechasse a garrafa e colocasse-a também sobre a cama, os olhos ainda fixos nos livros. Como em uma ideia repentina, então, a ruiva retirou seus sapatos e sentou-se sobre a cama, pernas cruzadas sobre o colchão e uma das mãos alcançando um dos livros, abrindo-o sobre o colo. “O conto dos três irmãos... Adoro essa!” exclamou, consigo mesma, começando a ler o conto em voz alta, ainda que de maneira embargada, sem esperar que tivesse audiência para lhe ouvir naquele estado.









